Como… digamos… desenvolver a mediunidade!!!,-) #PaulBodier

Título original em francês

Paul Bodier – Comment on devient medium

(1930) 

Tradutor Francisco Klors Werneck

 

         TintorettoA Adoração dos Reis Magos

 

Conteúdo resumido

 

A Obra em seu todo trás fortes pinceladas sobre as questões da mediunidade e suas nuanças e as diversas técnicas para desenvolvimento da psicografia e da vidência.

Paul Bodier quando escreveu esta obra estava ainda se convertendo a Doutrina Espírita e sendo assim o seu pensamento ainda estava eivado por práticas não espíritas e que não são pertinentes a Doutrina Espírita como a Quiromancia (ler através das mãos!!!,-) e a Astrologia.

 A tradução desta obra, que hoje apresentamos ao público ledor e aos espiritualistas em geral, foi feita do 12º milheiro, o que significa que, na pátria do autor, a França, foram impressos doze mil exemplares, já esgotados.

Ora, sendo o Brasil o país onde há o maior número de espiritistas e de espiritualistas de outras doutrinas ou correntes de pensamento, estamos antecipadamente certos do seu maior êxito aqui.

Seu conhecido autor, Paul Bodier, escreveu também La Villa du Silence, que alcançou o 10º milheiro L’Esprit Consolateur e L’Apotre com o seu 6º milheiro cada um e Le Manoir des Ombres, que chegou ao 8º milheiro.

Como vemos, o seu maior sucesso foi precisamente a obra Comment on devient médium, a que achamos melhor dar o título de “Como Desenvolver a Mediunidade”.

Trata-se de um trabalho modesto e resumido, um pequeno Guia de Mediunidade, com conselhos e ensinamentos sempre atuais e destinados principalmente aos novos adeptos do Espiritismo, pois precisamos lembrar-nos de que, a Doutrina Espírita vem conquistando adeptos principalmente nas classes pobres, humildes e sofredoras, quase sem cultura doutrinária e que estão, portanto, em condições e necessidade de aprender um pouco do princípio.

Precisamos também lembrar-nos de que, como diz a Bíblia, “O espírito sopra onde e quando quer”. Isto quer dizer que, se em um lugar aparece um médium de incorporação, já em outro há um vidente ou uma pessoa possuidora de qualquer outra mediunidade. Não desdenhemos, pois “os grandes princípios”, como diz ainda a Bíblia.

Allan Kardec, cujas obras estão comemorando os seus centenários, foi iniciado no Espiritismo (nome por ele dado à doutrina que codificou) por meio das “mesas falantes”, como lemos em “Obras Póstumas” e o Neo Espiritualismo, como denominam os anglo-saxões ao seu Espiritismo, nasceu dos raps (golpes, pancadas), batidos nas paredes da humilde casa de madeira da família Fox, em Hydesville, Estados Unidos da América, casa essa hoje transformada em “Monumento Nacional do Espiritismo”.

Lembremo-nos, finalmente, de que, historicamente falando, o Brasil é um país jovem, onde os seus habitantes encarnam espíritos cujas trajetórias espirituais foram as mais diversas e precisam de uma orientação preliminar, que é o primeiro degrau da escada de Jacó, ou da evolução espiritual, melhor dizendo.

Estamos também certos de que o benévolo leitor compreenderá bem o fim a que almejamos e nos auxilie no que é bom e justo a fim de que chegue o mais breve possível o dia em que haja um só Rebanho e um só Pastor, dentro do lema kardecista “Trabalho, Solidariedade, Tolerância”, pois somos todos irmãos.

 

Francisco Klors Werneck

 

 

A boa acolhida feita pelo público às duas primeiras edições deste pequeno Guia da Mediunidade convida-nos a completar, de modo útil, esta nova edição.

Assim é que os nossos leitores encontrarão nela ensinos ministrados por dois pesquisadores conscienciosos, os srs. Rouxel e Ouiste, e um extrato do livro do dr. Ely Star intitulado: “Astrologia Popular”.

O sr. Rouxel, já falecido, se fez notar por diversas obras espíritas de grande valor e o sr. Ouiste por uma experimentação e uma ciência bem aprofundada de tudo o que concerne ao Ocultismo em geral e ao Espiritismo em particular.

Nas linhas que se seguem e que foram escritas a fim de servir de Prefácio a uma obra espírita, o sr. Rouxel dá preciosos conselhos para a experimentação espírita.

Toda a medalha tem duas faces, diria Sancho Pança, o que quer dizer que, neste mundo, toda coisa apresenta vantagens e inconvenientes. A sabedoria consiste em distinguir umas dos outros e a arte em tirar delas um bom partido, isto é, em aproveitar as vantagens e evitar os inconvenientes. O Espiritismo não faz exceção à regra. Toda a diferença é que uns exageram muitos os seus perigos e negam, absolutamente, as suas vantagens, ao passo que outros vêem tudo bem e não suspeitam mesmo que possa existir nele mal algum. Estes não tomam nenhuma precaução e suportam as conseqüências de sua imprevidência, conseqüências raramente graves, a bem dizer, todavia, mais ou menos desagradáveis. Aquele não se contentam em abster-se, o que é direito seu, mas vão até querer impedir os outros de experimentar e estudar.

Importa, pois, esclarecer os pesquisadores sobre o uso e o abuso das experiências espíritas e, em conseqüência, pôr em guarda os imprudentes contra os perigos aos quais se expõem em se entregando a experiências inconsideradas.

Para se entregar a experiências espíritas é preciso recolhimento, calma e paciência. “Deixai terminar a frase começada antes de fazer reflexões que poderiam prejudicar a comunicação desejada”. Este preceito não teria necessidade de ser lembrado se se pensasse, muito simplesmente, que os espíritas são seres humanos desencarnados e que, em conseqüência, devemos conduzir-nos para com eles como entre nós. Mas quanto estamos longe disto!

Que os médiuns e todos os que velam por eles, assim como os que vêm consultar, se compenetrem bem disto: “Que nada se pode obter se se é impaciente, se se deseja coisas fora das permitidas, que o médium é um instrumento frágil de que é preciso poupar a suscetibilidade, as excitações nervosas se não se quer vê-lo inutilizado ou tornar-se um frangalho humano”.

Para se compreender a importância do preceito da passividade do médium e dos assistentes é preciso saber ou recordar que as leis do mundo espiritual são as mesmas que as do mundo material. O que está em cima é igual ao que está em baixo.

Se quereis apreciar um concerto não fazeis um barulho que cobriria as vozes e os instrumentos. Se quereis ver algo no fundo d’água, não a agitais e se ela assim se encontra, esperai que a calma seja restabelecida. O mesmo sucede no mundo espiritual.

Todo ato da inteligência e da vontade das pessoas presentes provoca no fluído, que serve de veículo ás comunicações interespirituais, ondulações concêntricas que se estendem indefinidamente. Se, pois, essas ondulações emanam de várias fontes ao mesmo tempo, elas se contrariam, se neutralizam, formam-se “nós” das interferências, donde se segue, qual seja o meio empregado, que nada se obtém ou que as comunicações são tanto mais defeituosas quanto os consulentes e os assistentes estão inquietos”.

I

 

As principais mediunidades

 

  1. a) Suas definições e seus caracteres

 

Este livro compreende a exposição sucinta das diversas mediunidades, com conselhos para desenvolverem mais rapidamente as que são mais comuns e que apresentam, como tais, tipos principais muita fixos e bem nítidos.

Este trabalho é, pois, escrito com o fim único de esclarecer, tão completamente quão possível, as pessoas suscetíveis de se tornarem médiuns.

As que se ocupam de Espiritismo ou de Ciências Psíquicas sabem que se chama médium a todo o ser dotado do poder magnífico que o faz intermediário entre o nosso plano físico e o Além. Antes do mais, porém, é preciso se conheçam as diversas formas de mediunidade, bastante complexas na verdade. Para tanto achamos melhor tomar de empréstimo à Revue morale et scientifique du Spiritisme, ns. de agosto e setembro de 1919, uma nomenclatura devida ao sr. Guillot, secretário da Sociedade de Estudos Psíquicos, de Nice.

Ocupar-nos-emos, em seguida, das principais mediunidades e, especialmente, das mais suscetíveis de se manifestarem nas pessoas predispostas.

A mediunidade tem sido observada em todas as épocas da humanidade: desde a Antigüidade mais rema ta até os presentes tempos, porém a ignorância, a superstição e também a tirania dogmática de todas as religiões têm impedido o seu desenvolvimento e as suas manifestações mais intensivas.

Na Antigüidade, muitos povos conheceram o fenômeno da mediunidade mas ela era ainda apanágio dos iniciados e o segredo das suas manifestações ficou encerrado na cripta dos templos, onde os adeptos eram admitidos depois de uma lenta e difícil iniciação.

O mistério e as dificuldades, que essa iniciação parecia apresentar, afastavam todos os que não eram capazes de submeter-se à estreita disciplina instaurada pelos padres superiores, guardiões fiéis e vigilantes dos ritos e dos segredos.

Hoje não é mais assim porque todo o ser que raciocina logicamente e que está animado do amor do bem pode, sem temor, estudar os fenômenos mediúnicos.

A porta do santuário está largamente aberta para todos os que querem e desejam ardentemente instruir-se nas coisas divinas.

A iniciação não é penosa nem longa. Ela sempre requer uma certa paciência, é verdade, mas os que estão animados do desejo de fazer o bem e de ser úteis aos seus irmãos, em humanidade, têm toda a oportunidade de obter êxito.

Os espíritos superiores estão prontos em acudir ao seu apelo. Eles esclarecerão as suas almas e, graças a esse apoio benfeitor, se tornarão porta-vozes do Além. Por seu intermédio, esse Além, atento em nos trazer um auxilio generoso, fará brilhar a todos a imortal e divina luz da Verdade.

 

***

 

Muitas são as pessoas que possuem os dons medianimicos, porém, infelizmente, algumas dentre elas não sabem utilizar-se deles para guiar, para o Bem, os seus semelhantes. O orgulho e o desejo de tirarem partido frutuoso de tão belo dom causam lamentáveis dissabores a certos médiuns. (1)

(1) – E a falta de conhecimento do Espiritismo, de orientação doutrinária. (N. T)

Não deixaremos de insistir muito sobre a utilidade de se mostrar prudente e de só se empregar a mediunidade para assegurar o triunfo do Bem e da Verdade, porque a mediunidade é uma arma de dois gumes.

Infelizes os que dela se querem servir para satisfazerem a sua ambição, o seu interesse ou a curiosidade imoderada. Cedo ou tarde eles pagarão o seu erro e deplorarão, amargamente, terem-se deixado levar a tirar um proveito escandaloso das suas faculdades.

E, em toda a parte, em virtude das leis das afinidades, cujos exemplos são tão numerosos na Natureza, eles atrairão sobre si maus espíritos que os impelirão para o Mal. Obsedados, tiranizados, os infelizes médiuns verão, pouco a pouco, se enfraquecerem as suas faculdades medianímicas e depois desaparecerem definitivamente, muito felizes se grandes infelicidades, enormes aflições, causadas por uma espécie de miséria fisiológica, não os atingirem.

Se, ao contrário, tiverem a sua alma equilibrada pela vontade de jamais se afastarem do caminho reto, a fim de melhor ajudarem os seus irmãos desgraçados, experimentarão intimamente uma alegria pura e serena, fazendo jus à recompensa divina e gloriosa que os espera, mais tarde, no Além, junto desses espíritos superiores de que foram, na Terra, bons e fiéis intérpretes.

A mediunidade não é uma enfermidade. É uma faculdade natural, comum a todos os seres humanos, latente em uns e patente em outros, em diversos graus.

As faculdades medianímicas se desenvolvem pelo exercício e é sempre desejável que toda a faculdade seja cultivada e desenvolvida.

Todo o ser humano é, mais ou menos, médium. É preciso descobrir o germem da mediunidade de cada um e cultivá-lo.

A seguinte relação talvez surpreenda por sua extensão e variedade, mas ela nos parece necessária para estabelecer a distinção entre as diferentes mediunidades.

A classificação adotada pelo autor desta nomenclatura é perfeitamente ordenada. Ela é, bem entendido, suscetível de ser modificada e, sobretudo, aumentada, visto que mediunidades novas poderão surgir ainda, mas parece, para o momento, fixar muito exatamente o caráter próprio de cada mediunidade.

Eis a relação em referência:

Médium de efeitos físicos ou motores, que, no estado de transe, fazem mover ou transportar objetos mais ou menos pesados, mesas, cadeiras, etc., uns facultativos que produzem os fenômenos por um ato da sua vontade, outros involuntários nos quais a influência se exerce à sua revelia – com contato: Paracinésia; sem contato: Telecinésia.

Médium tiptólogo ou tiptor ou sematólogo ou ainda gramatólogo, que conversa com os espíritos por meio de golpes batidos pelo pé de uma mesa, de uma cadeira, com ou sem contato.

Médium de raps ou telacústico, que conversa com os espíritos por golpes que batem numa mesa, num móvel, numa parede etc.

Médium de levitação, que se eleva do solo sem nenhum apoio ou que levanta um objeto sem que nenhuma das suas partes esteja em contato com um ponto de apoio aparente.

Médium de escrita direta, por meio do qual os espíritos escrevem diretamente sem a intervenção da mão do médium cuja força psíquica é somente utilizada. A mão que escreve é quase sempre invisível e o lápis é o único que se vê; a escrita é, algumas vezes, também obtida em papel colocado em um envelope fechado ou entre duas ardósias ligadas.

Médium de escrita precipitada, quando as letras parecem formar-se sem o auxílio de um lápis ou de uma caneta.

Médium de escrita automática ou passiva ou mecânica, quando a escrita independe da consciência do escrevente e a mão obedece seja a alguma região inconsciente do espírito do médium ou respondendo a qualquer outra influência psíquica mais ou menos distinta de sua personalidade normal ou supranormal. Ela corresponde à escrita mecânica da classificação de Allan Kardec, obtida por meio de uma prancheta ou quando o médium, segurando o lápis, ignora o conteúdo da mensagem e algumas vezes não sabe ler nem escrever.

Médium de escrita intuitiva, que recebe o pensamento dos espíritos, escrevendo espontaneamente o que percebe em si, sem nenhum raciocínio anterior.

Médium de escrita em espelho, que escreve às avessas, de modo que para se ler a comunicação é preciso lê-la num espelho.

Médium escrevente, que escreve automaticamente coisas inspiradas pelos espíritos.

Médium xenógrafo, que escreve em uma ou mais línguas que desconhece.

Médium vidente ou clarividente, que possui o dom de ver através dos corpos opacos, que percebe o invisível, principalmente os espíritos não materializados, e vê cenas que estão fora do alcance dos seus órgãos visuais.

Médium auditivo ou clariaudiente, que ouve a voz dos espíritos.

Médium de aparição, que faz aparecer fantasmas não materializados.

Médium materializador ou de teleplastia, que tem o poder de desprender o seu perispírito e provavelmente o das pessoas que o cercam e de condensá-los ao ponto de torná-los tangíveis e poder formar mãos, pés, corpos inteiros, etc., ou substância amorfa.

Médium de desdobramento ou exteriorização, que projeta o seu espírito fora do corpo material, tornando-se visível ou não aos percipientes.

Médium de incorporação, que reproduz o aspecto, as maneiras, a voz, a linguagem da entidade ou espírito que incorpora e fala por seu intermédio.

Médium de premonição ou vaticinados, que profetiza, prediz o futuro.

Médium de transporte, que faz chegar, instantaneamente, de fora, muitas vezes de grandes distâncias, objetos, pássaros, flores, pedras etc.

Médium falante ou conferencista, que se exprime, em público, sob orientação de espíritos.

Médium glotólogo, que fala em uma ou mais línguas que desconhece.

Médium de canto direto, que permite os espíritos cantar sem a intervenção dos seus órgãos vocais.

Médium de voz direta, que permite os espíritos falar, sem incorporação, de modo direto.

Médium cantor, que canta sob a influência de espíritos.

Médium de trombeta, que permite os espíritos falar por meio de uma trombeta ou porta-voz.

Médium músico, que toca um instrumento sob a influência de espíritos, sem qualquer conhecimento de música.

Médium pintor, desenhista, que pinta ou desenha paisagens, flores, figuras, etc., sem nenhum conhecimento técnico, algumas vezes até de olhos vendados ou em plena escuridão.

Médium escultor, que, no estado de transe, faz modelos de mãos, pés ou figuras, em argila ou parafina.

Médium fotógrafo, cuja presença basta para fazer aparecer um ou mais espíritos sobre uma chapa fotográfica.

Médium fotógeno, cujo organismo emite clarões mais ou menos vivos

Médium de eflúvios, de cujas mãos emanam eflúvios que impressionam chapas fotográficas.

Médium de eflúvios vitais, que, pela imposição das mãos ou por passes magnéticos, pode acelerar a germinação e o crescimento de sementes e plantas.

Médium de eflúvios esterilizantes, que, pela, imposição das mãos, pode esterilizar, mumificar, ressecar os mais diversos produtos orgânicos: pássaros, peixes, frutos, sem alteração da sua forma ou cor.

Médium imã, que atrai os objetos entre os seus dedos, sem contato e os mantém no ar.

Médium psicômetra, que, pelo toque de um objeto que esteve em contato com uma pessoa ou com um lugar qualquer, descreve a pessoa ou a região.

Médium curador, que faz curas por meios psíquicos ou ocultas, impondo as mãos.

Médium autóscopo e heteróscopo, que vê os órgãos internos e descreve as partes enfermas do corpo humano.

Médium sensitivo, que pressente a presença dos espíritos por uma espécie de roçar ou por um prurido em sua pessoa.

Médium de bilocação, cujos corpos físico e psíquico podem estar em dois lugares diferentes ao mesmo tempo.

Médium rabdomante, que, por meio de uma varinha, percebe as fontes, as cavidades, os metais e as minas subterrâneas.

Médium ideoplástico ou ectoplásmico, que modela e reproduz, objetivamente, coisas postas em relação com o seu cérebro.

Médium de estigmas, sobre o qual as sugestões podem produzir estigmas tais como cruzes, letras, gotas de sangue etc.

Médium telestésico, que parece ativamente experimentar impressões à distância.

Médium gesticulador, que responde a perguntas formuladas por movimentos do corpo, da cabeça ou da mão, ou passeando o dedo sobre as letras de um alfabeto com extrema rapidez.

As condições de produção dos fenômenos medianímicos são bastante delicadas:

Elas são relativas:

– Ao número dos assistentes.

– A composição do grupo; uma certa passividade dos assistentes é útil, da mesma forma que uma certa harmonia entre os seus pensamentos.

– A regularidade das sessões (entre as mesmas pessoas e em dias fixos).

– Ao modo operatório:

A luz é um obstáculo à intensidade dos fenômenos físicos. (1) A obscuridade pode apresentar perigos e sobretudo facilitar a fraude; é bom fazer a sessão com uma luz fraca.

(1) – Os adversários do Espiritismo aproveitam-se sempre desta particularidade para acusar os espíritas de fraudulentos, mas existem muitos fenômenos obtidos em plena luz (solar ou artificial).

A luz, todavia, é sempre necessária nas experiências com a prancheta de bilhas, dita Oui-já, e o quadro alfabético.

Todos os fenômenos tipológicos podem, igualmente, produzir-se em plena luz, natural ou artificial.

Os movimentos de objetos (pêndulo, vareta, mesa) produzidos com o contato das mãos sem impulso dos assistentes, são os fenômenos mais fáceis de se obter. Basta que um grupo de quatro pessoas – duas chegam as vezes – se reúne em torno de uma mesa, pouco importando que essa mesa seja redonda, quadrada ou retangular e que essas pessoas pousem as mãos nuas sobre o móvel.

Rapidamente, muitas vezes desde a primeira sessão, a mesa se anima, faz ouvir estalos, gira, levanta um ou mais pés, executa movimentos compatíveis com a sua estrutura, obedece as ordens que se lhe dá etc. Ela dá respostas inteligentes, quando se combinou com  o espírito um código de sinais.

Recomendamos, muito particularmente para os, primeiros ensaios, o livrinho “Preces Espíritas”, que contém as formulas de evocações úteis e notadamente as preces de abertura e de encerramento das sessões, preces igualmente recomendadas por Allan Kardec.

Quando os fenômenos revestem um caráter inteligente, eles apresentam os seguintes caracteres.

1º – As personalidades comunicantes se dão, elas próprias, quase sempre, como “espíritos de mortos” e afirmam categoricamente, que são desencarnados e que conservam o seu eu consciente.

2º – Toda a personalidade que se manifesta, seja na ordem psíquica, seja na ordem física, o faz sempre de forma idêntica.

3º – Os diversos elementos de sua individualidade se mostram claramente os mesmos, qualquer que seja o modo de comunicação e o médium.

4º – A personalidade desses espíritos é tão fixa e permanente quanto a dos vivos.

5º – Essa personalidade lembra exatamente, na maioria dos casos, a do defunto de que se diz o espírito desencarnado.

Ela apresenta a sua característica completa, as suas particularidades originais, o seu idioma, os seus conhecimentos, o seu timbre de voz e a sua escrita; em suma, todos os elementos que pertenciam ao vivo e que podem ser totalmente ignorados do médium.

6º – O espírito se mostra nas manifestações tal como era nos últimos tempos da sua existência terrestre.

7º – A característica do defunto e, as vezes, modificada na comunicação do espírito. Isto se pode dar de forma tal a se concluir que o comunicante não é o mesmo que diz ser.

Em certos casos, só encontra, na comunicação, um reflexo dos pensamentos e conhecimentos dos evocadores. Enfim, uma personalidade comunicante, recordando, com uma exatidão suficiente, a do defunto que ela diz ser, pode, às vezes, mostrar-se inferior ou superior a que era quando viva.

8º – As provas mais completas de identidade são muitas vezes fornecidas por espíritos desconhecidos do médium e da assistência e achadas, depois de uma verificação, inteiramente exatas. Aliás, não é muitas vezes possível atribuir ao médium nem a forma nem o conteúdo de uma comunicação.

O valor intelectual das comunicações é dos mais variáveis. Elas são sinceras ou mentirosas, mas, em um ou outro caso, seu conteúdo é o mais freqüentemente banal e sem grande importância.

Elas são, sobretudo, interessantes no que concerne às provas de identidade pessoal fornecidas pelos comunicantes e as satisfações particulares, de ordem privada que nos podem trazer.

Não se lhes deve pedir uma informação difícil, nem uma previsão do futuro, ou pelo menos só fazê-lo com muita reserva ou prudência.

Algumas vezes as comunicações não são apenas banais, mas grosseiras, injuriosas ou bem obscuras ou incoerentes.

“É preciso conhecer bem esses caracteres de insignificância ou de inferioridade relativa ao conteúdo intelectual de um grande número de comunicações. Eles chocam muito os experimentadores novatos, bem inclinados a ver nos espíritos dos mortos, sobretudo quando esses mortos são seus parentes ou seus amigos, verdadeiros semideuses”. (1)

(1) – Ensaio de revista geral e de interpretação sintética do Espiritismo, do Dr. Gustave Geley.

Mas obtêm-se, ao contrário, comunicações muito elevadas revelando conhecimentos e uma inteligência superior aos dos médiuns ou dos assistentes. Elas podem, então, dar-nos indicações inesperadas, conselhos preciosos, mesmo previsões do futuro.

A freqüência das comunicações inferiores ou pouco elevadas é inevitável, seja porque a maior parte dos espíritos que podem ou que querem pôr-se em relação conosco não estejam ainda acima da humanidade encarnada, seja porque as leis que regem essas comunicações os recolocam, fatalmente, em seu nível.

Demais, em conseqüência do obscurecimento relativo de sua consciência e da diminuição de sua vontade livre, o espírito comunicante sofre, com facilidade, as sugestões mais ou menos voluntárias dos assistentes, as quais se refletem, muitas vezes, sobre os seus próprios pensamentos.

O valor das comunicações, sob o ponto de vista intelectual, está em razão inversa do seu valor físico.

“E assim que as materializações completas de um espírito são sempre acompanhadas de um obscurecimento considerável da sua consciência. Somente depois de umas séries de materializações sucessivas é que ele chega a habituar a sua inteligência a funcionar no organismo de empréstimo e que ele conserva, mais ou menos, as lembranças do seu estado real”. (1)

(1) – Dr. Geley, ob. cit.

As comunicações elevadas são quase sempre dadas pela escrita automática e é desta mediunidade que vamos ocupar-nos mais precisamente.

Certos fenômenos são atribuídos a um ambiente favorável, à presença de uma pessoa determinada que, às vezes, ignora a faculdade de que é dotada, faculdade que, entretanto, se liga a ela, de modo que, se essa pessoa está presente e o ambiente não foi destruído, os fenômenos se produzem.

Eles desaparecem com a destruição do ambiente e, sobretudo, com a partida da pessoa ou com a neutralização do seu poder, precisando, ás vezes, da intervenção de outras pessoas.

Para a produção dos fenômenos medianímicos, é impossível estabelecer regras absolutas quanto ao efeito que produz o calor, a umidade, o frio, o vento, a luz, etc… Existem fenômenos que um médium e um espírito não podem jamais produzir juntos senão quando esse mesmo espírito ou esse mesmo médium os executam com um outro médium ou com um outro espírito mais facilmente, em condições que são idênticas.

E uma questão de aliança ou de acomodação fluídica.

A fim de evitar pesquisas (cuja extensão poderia esfriar o zelo dos mais pacientes experimentadores), vamos indicar-lhes o meio de reconhecer a faculdade de médium escrevente mecânico.

Graças à Quiromancia, muitas coisas ocultas são desvendadas. Outrora, unicamente aos iniciados era reservado o conhecimento dos Mistérios.

Também, quando os não iniciados tinham revelações fora do meio, encerravam, em seus templos ou noutras partes, os concorrentes atrapalhadores do seu comércio religioso, tudo para o prestigio das coisas sagradas que eles deviam conservar intactas, isto é, puras de toda a aliança. E eram nas mãos que eles liam a possibilidade ou não de se servirem utilmente desses visionários que surgiam por todas as partes.

Pedimos aos nossos leitores lançar um olhar sobre o esquema de mão que reproduzimos segundo Decrespe (1) mas ao qual achamos dever ajuntar os sinais indicadores da mediunidade de escrita mecânica, semimecânica ou ordinária. (2)

(1) – v. Decrespe. – La Main et ses Mystères.

(2) – Vide o que diz a propósito Allan Kardec, na página 257 – Tiara Espiritual – de “Obras Póstumas”, da 12ª edição brasileira. (N. T.)

1-1. Linha da vida, do sangue, da saúde ou Venusiana

2-2. Linha da sorte, da fortuna, da fatalidade ou Saturniana.

3-3. Linha da cabeça ou Marciana.

2-5.Linha do sol, das artes ou Apolônia.

2-6. Linha da intuição ou de Mercúrio.

7-7. Linha do pulso, bracelete.

8-8. Anel de Vênus.

9-9. Via Láctea ou Via lasciva.

Esses sinais são visíveis na mão esquerda.

Se a pessoa examinada é médium escrevente ou desenhista, veremos:

1º – Um X no começo do anel de Vênus do lado do índice.

2º – Um 9 no meio deste anel, na intercessão do médio e do anular.

3º – Uma pena de pato no fim do mesmo anel, sob o anular.

4º – Um estilete ou buril, no mesmo lugar da pena de pato.

 

 

O médium que tem estas três linhas na mão é geralmente médium escrevente, auditivo e de incorporação, porém comumente é o sinal X ou o sinal 9 que se acha quase sempre repetido; mais raro se encontra a Pena de Pato, substituída algumas vezes por um Estilete ou um Buril.

Éster sinais para melhor distingui-los, são representados pontilhados, do mesmo modo que os Triângulos da Mediunidade Vidente. Nossos leitores que os vejam bem em nosso desenho.

Contentar-nos-emos em recomendar aos consultados que afastem de si e do consultante as pessoas que forem com este último, pois a curiosidade as leva a ir ouvir e ver o que um só deve saber e aprender. Nenhuma pessoa estranha deve aproximar-se dos únicos que estão interessados na consulta ou na comunicação um para prognosticar segundo o que vê, ouve ou sente; outro para receber a comunicação que diz respeito só a ele. Tanto pior para o médium quiromante se ele não for prudente; as lições que receber lhe darão o que refletir. Cremos ser úteis aos pesquisadores, dizendo-lhes “Cuidado”. Eles não deverão ir além. Um homem prevenido vale por dois, diz o adágio. Ouvi isto.

Se a pessoa estranha à consulta é sensitiva, o fluído espiritual agirá sobre ela e ela poderá ressentir os efeitos da exteriorização, o que obrigará o quiromante (se ele conhece o magnetismo) a prestar os seus cuidados à imprudente curiosidade. Ele deverá interromper a sua consulta, durante, pelo menos, 30 minutos e essa consulta poderá bem não valer o que prometia ser antes do incidente.

Se a pessoa consulente for impressionável, devera ser afastada.

Isto dito e bem compreendido, pediremos ao cavalheiro ou à dama para mostrar a palma da mão esquerda. “Por que a palma da mão esquerda”, direis, quando a célebre Madame de Thébes e outros autores justamente apreciados dão preferência à mão direita? Por experiência, aprendemos que a mão esquerda é mais reveladora do que a mão direita. Em apoio de nossa asserção, damos abaixo a opinião de uma quiromante, cuja faculdade é universalmente conhecida e apreciada.

A erudita quiromante “Madame Fraya” (1) escreveu o seguinte no Almanach de L’Echo du Merveilleus de 1930: “A mão esquerda, desde a infância, está claramente desenhada para que seja possível decifrar o esquema do Destino que ela anuncia. Esta mão pouco muda. Ela simboliza as leis fatais da hereditariedade, as que guiam os nossos impulsos ou as nossas tendências primordiais. A mão direita, ao contrário, se transforma sob a influência da educação ou da cultura. Ela nos adverte também dos perigos acidentais que nos ameaçam, dos escolhos que poderemos evitar por meio da nossa atenção prudente. Mais clara e mais pura, ela demonstra uma alma perfectível, apta a melhorar-se. Mais confusa, ela denota uma incapacidade das forças voluntárias, uma preguiça de espírito prejudicial à feliz evolução do Destino”.

(1) – A célebre vidente conhecida sob o pseudônimo de Madame Fraya faleceu a 16-2-1954, tendo a sua amiga e confidente Simone de Tervagne escrito um livro a respeito de suas profecias, intitulado Madame Fraya m’a dit (N. T.)

Não pretendemos estabelecer um curso de Quiromancia e colocar-nos no grupo dos bons autores (antigos e modernos) que trataram deste assunto tão largamente quanto o merece ser, mas simplesmente para esclarecer certos pontos não percebidos ou adivinhados por autores que trataram do tema, antes materialmente que psiquicamente, sem outra preocupação que a de fazerem reclame, sob um pseudônimo, para ocultar o seu jogo.

Só temos um desejo: o de ver aumentar os videntes e os intuitivos; um fim: o de permitir aos pesquisadores aprender uma ciência de que se descuidam para se ocuparem de coisas mais prejudiciais do que úteis; um pensamento: dar a muitos dos deserdados da vida a calma e a certeza de melhores dias; reconfortar, regenerar as almas perdidas, transviadas.

Entre os autores que se especializaram na ciência chamada Quiromancia, notamos entre os antigos: de Lachambre e Jean Belot; entre os modernos: Desbarrolles, Papus, Edmond, Madame de Thébes e Madame Fraya, devendo assinalar ainda o autor desconhecido que, sob as iniciais X. M. A., editou na Livraria Jules Rouff & Cie., sob o titulo Ce qu’ on lit dans la main (O que se lê na mão), uma interessante e muito séria obra de que pudemos apreciar o mérito e reconhecer a sinceridade das observações. Sem querer criticar os autores antes citados, notamos bastantes inexatidões e observações erradas, colhidas em obras de autores bibliófilos, em vez de pesquisadores e experimentadores.

Decrespe, em sua obra popular, La main et ses mystères (A mão e seus mistérios) se algum bem fez ainda que complicado, caiu, por vezes, nos mesmos erros, apesar de sua boa-fé. Sua obra não merece pois ser consultada.

Extrairemos as seguintes linhas do pequeno volume de X. M. A., de que falamos antes. Elas mostrarão aos nossos leitores por que nos estendemos sobre este interessante assunto. A Quiromancia entrou no quadro do nosso trabalho, muito resumida na edição anterior e ampla na presente edição, em razão de observações feitas depois de 1910, as quais dormitavam então e não querem agora ser postas sob o alqueire, mas sim iluminar o caminho seguido pelos pesquisadores. Agradecemos a Deus nos ter feito entrever esta claridade e, depois dele, aos bons espíritos que nos ajudaram na nossa obra.

Nossos leitores, assim avisados, se certificarão: 1º – que a Vidência e a Intuição não são dadas a todos mas somente a seres privilegiados; 2º – que muitos podem, estudando paciente e seriamente, tornar-se Videntes ou Intuitivos, se têm os germes dessas faculdades (o que quase sempre ignoram) e adquirir um desses dons.

Na pág. 13 do dito volumezinho Ce qu’ on lit dans la main, lemos: “As linhas da mão são como um alfabeto que permite ler em nosso próprio coração e nas dos outros. É um sinal moral e um sinal físico, o retrato traçado pelos fios nervosos e extra-sensíveis do cérebro. Se o cérebro e o coração pensam, é a mão que executa e age. A mão é, pois, o Espelho da alma, a Imagem do Espírito. Ela registra, como um telégrafo, os nossos movimentos interiores e os nossos pensamentos. Há uma corrente magnética perpétua entre estes dois pólos: o cérebro e a mão.

“Antes de entrar na matéria, isto é, antes de dar a explicação dos sinais traçados nas mãos, cujos diferentes desenhos facilitarão os estudos dos pesquisadores, não podemos deixar na sombra certas observações feitas por nós e que temos o dever de indicar aos nossos leitores, ao mesmo tempo que os levar a fazer como temos feito nós mesmos: estudar os bons autores que escreveram sobre a Astrologia e também os que, sinceramente, deram provas de sua vidência ou de sua intuição coma verdadeiros quiromantes. Diremos francamente e sem medo da ironia que poderia nascer no pensamento de alguns dos leitores quais os meios que temos empregado com maior sucesso e os postos de lado, que só nos causaram dissabores.

“Não podemos deixar os nossos leitores ignorar que preferimos dar consultas aos nossos clientes durante as luas novas e cheias (3 dias antes e 3 depois) e sobretudo na terça-feira (dia consagrado a Marte) para os homens, e na sexta-feira (dia consagrado a Vênus) para as mulheres. De acordo com a nossa opinião e a dos mais instruídos que nós na Teosofia e no Ocultismo, o número 13 não é mais eficaz que um outro e ele só pertence às pessoas supersticiosas e ignorantes e, sobretudo, às que vivem dessas, para lhes conceder mais confiança para consultar no dia deste número, em vez dos números 7 e 9 que têm, na Magia Branca e na Teosofia, um valor real.

“Melhor seria estudar e pôr em prática o que, em diversas obras, escreveu o Dr. Ely Star, astrólogo reputado. Este autor definiu, escrupulosamente; as influências dos diversos planetas e nós compartilhamos das idéias do Dr. Star, que conhecemos e estimamos. Também aconselhamos os nossos leitores a ler as seguintes obras deste escritor: Les Mystères de I’Etre, Les Mystères du Verbe, Les Mystères de I’Horoscope e o seu compêndio de astrologia intitulado Astrologie Populaire, obras todas de rara erudição e profundo interesse.

“Desta última obra, destacaremos, do capítulo Qu’ est-ce que l’Astrologie? as seguintes passagens que provarão aos nossos leitores que a Astrologia e a Quiromancia tem pontos de ligação e se explicam uma pela outra. Se a Astrologia nos indica o planeta que mais nos influencia, os que influenciam os nossos órgãos e as faculdades da nossa alma, a Quiromancia tem por missão mostrar-nos, na mão esquerda, sobretudo, as diversas influências que aí se acham inscritas em caracteres indeléveis.

 

***

 

Conhecendo bem essas diversas influências por tê-las visto escritas em centenas de mãos, devemos reconhecer e atribuir ao Sol e à Lua mais influência material e psíquica do que aos outros planetas. Por quê? perguntar-se-á. Porque o Sol rege o Cérebro e a Lua governa o Cerebelo; isto para os órgãos. Demais, o Sol rege em nós a Razão e a Consciência (que é a luz do Ser), ao passo que a Lua governa a Imaginação e os Sonhos; isto para as Faculdades da Alma.

A esta pergunta “O que é a Astrologia?” o Dr. Ely Star responde: “A Astrologia é o ramo dos conhecimentos humanos que consiste em inferir, com mais ou menos inteligência ou virtude, que influências traz, nascendo sob tal ou qual constelação, uma alma que se encarna no nosso planeta. Para o astrólogo, o Universo é uma imensa unidade de que cada uma das partes, submetidas à ação permanente de um princípio universal e todo poderoso, reagem, constantemente, umas sobre as outras pela analogia dos seus contrários. Esta ciência, mais antiga do que as Pirâmides do Egito, tira os seus princípios da experiência e, igual nisto às ciências exatas, estabelece conclusões gerais sobre numerosas observações particulares. É assim que ela observou, desde logo, que as crianças que nascem durante o verão têm, mais ou menos, o mesmo temperamento, os mesmos gostos e aptidões similares, nos povos meridionais; ao passo que, ao contrário, as pessoas nascidas durante a estação das neves se assemelham aos povos setentrionais, porque o verão é análogo ao sul e o inverno ao norte. O mesmo sucede, evidentemente, com as pessoas nascidas na primavera, em analogia com o este e com as nascidas durante o outono com os povos do oeste.

Sem querer mostrar, aqui a enorme diferença que existe entre as tribos selvagens dos países tórridos e os esquimós comedores de peixe cru, fiquemos na França e comparemos os nossos meridionais entusiastas com a natureza fleugmática dos Picardos prudentes, reservados, astutos, por causa da sua natureza interior; depois com menos diferença, portanto, os Alsacianos juvenis e crédulos; com os Bretões onde, em suas tristes aldeias, tudo é pobre, sujo e velho, e poderemos judiciosamente adaptar aos primeiros a fórmula: Para frente, e aos últimos a fórmula: Para trás.

Em Astrologia, o Sol dá indicações sobre as oportunidades subjetivas, mas, para se lerem os presságios objetivos, os que dependem mais da influência do meio e dos acontecimentos que do nosso livre arbítrio, é o signo zodiacal do “Ascendente” que lhe é a interessante gênese e o poderoso promotor.

Isto dito, compreender-se-á melhor o fundamento da ciência astrológica e da Quiromancia, que a completa. O enunciado que se vai ler sobre a intrínseca significação de cada planeta só é, em suma, a etiqueta que assinala tal ou qual indivíduo porque, no momento do seu aparecimento sobre a Terra, os planetas do firmamento, colocados diferentemente entre os doze signos zodiacais, estavam ou em bom ou em mau aspecto  e, conseqüentemente, não podiam dar às pessoas nascidas sob influências diversas senão as de que dispunham no momento.”

Para maior clareza damos adiante, do capitulo da Astrologie Populaire intitulado “Os Planetas no Universo e na Humanidade”, um trecho escolhido do autor sobre as influências do Sol e da Lua. Não podemos copiar inteiramente este interessante volumezinho e a ele remetemos os nossos leitores. O nosso fim, dando alguns trechos do mesmo, para fazer sobressair as relações existentes entre as duas ciências (Astrologia e Quiromancia) e buscar com o dedo, por assim dizer, o porquê das influências solar e lunar (sobretudo esta), é o de responder, de uma vez para sempre, a perguntas que nos fazem freqüentemente os consulentes, mencionando a preferência que manifestamos a respeito das épocas das Luas Novas e Cheias às dos Quartos de Lua e por quais razões cremos que é preferível dar consulta aos Homens na Terça-feira e ás Mulheres na Sexta-Feira que se achem antes ou depois dessas luas. Isto bem entendido, está explicado nas diversas obras do Dr. Ely Star e, notadamente, na sua Astrologie Populaire.

Damos a palavra ao Dr. Star:

 

  1. b) Os Planetas no Universo e na Humanidade

 

“O Sol é o emblema da sabedoria. Ele contém os poderes de todos os planetas reunidos. Nele, o Amor, a Vontade e a Inteligência estão reunidos em uma unidade como os quatros lados de uma pirâmide se reúnem no cume de um ponto único. No reino mineral ele está em harmonia com o ouro e, também, com todas as gemas de cor amarela. No reino vegetal, ele rege todas as flores, grãos e frutos dourados, tais como a bacia de ouro das nossas planícies: o trigo, o milho, a laranja etc. No reino animal, ele está em relação com a águia e o leão. Na humanidade, ele preside às manifestações da consciência. O Sol é o símbolo da maturidade dos seres e das coisas.

Este planeta, rei de todos os outros, contém e irradia o principio da vida. Sua influência, quando ele está só, ocupa o meio entre a de Júpiter e a de Marte. Ele corresponde ao raio alaranjado do espectro solar. Como fecundador da vida, representa as forças positivas, ativas e preponderantes do cosmos. Essas forças são elétricas, radiantes e altruístas. Astrologicamente, o Sol é o princípio central da vida de todas as coisas. E ele que produz a intuição. Sua influência determina a medida absoluta da vitalidade física, em cada organismo humano. As pessoas nascidas sob a sua feliz influência gozam de boa constituição e podem pretender uma elevação certa de posição.

A Lua, reflexo do Sol, astro misterioso das noites, é o símbolo da miragem, do erro, da idéia feliz ou vagabunda que tão justamente se denominou: a imaginação (la folle du logis).

Ela governa as nossas quimeras, as nossas ilusões e os nossos sonhos. Sem a luz do Sol, a Lua seria fria e escura; sem o poder da vontade os frutos da imaginação seriam sem vida.

No reino mineral, a Lua é representada pela prata. As forças absorvidas por esse astro no grande oceano cósmico são de tal natureza que elas podem, segundo as influências de outros planetas, ser ou inteiramente boas ou essencialmente más. É o planeta das contingências. Suas influências correspondem ao raio azul do espectro solar. Ele confere aos súditos, que elas influenciam, gostos estranhos, inconstantes, fantasiosos, sonhadores, caprichosos e volúveis. Mal disposta, ela propende para a loucura. Na natureza, o influxo lunar age sobre as marés, a seiva, a germinação dos vegetais e, também, sobre os mistérios da gestação, nos animais. Sua influência é eminentemente magnética.

Ela é a grande iniciadora da alma nos sublimes mistérios do espírito. Representa os atributos criadores passivos da Luz Astral a que os cabalista chamam: OB.

Astrologicamente e em razão de sua proximidade da Terra, de sua afinidade com ela, a Lua é um agente poderosíssimo de influências astrais. Girando sempre no espaço, em torno do nosso planeta, a Lua recebe diretamente dos astros e do zodíaco múltiplas influências que derrama, em seguida, sobre a Terra, como o faria um grande espelho inclinado que recebesse a luz de diversos pontos e a reenviasse, coletivamente ou isoladamente, sobre um meio paralelo ao seu foco.

A Lua é o grande refletor sideral e é por isso que ela tem, também, grande importância em Astrologia. As pessoas, que nascem sob a sua influência exclusiva, são indolentes, indecisas, indiferentes, ataráxicas, sonhadoras, submissas, inofensivas; o seu caráter é desprovido de toda a iniciativa, não podem tomar por si mesmas nenhuma determinação viril, pois são somente “penas ao vento”, que o vendaval da vida voltija em loucos turbilhões como um leve floco de neve arrastado pela tormenta dos aguilhões. Porém, se a Lua, símbolo da passividade, recebe do Sol um raio benéfico, então tudo nela muda e ela se ilumina, vive e vibra harmoniosamente.

Esse singelo contato de vitalidade poderosa basta para degelar a estátua e ela, agora, terá aspirações, tendências para a arte, para o ideal belo, aptidões definidas e elevadas, seja para a poesia ou para o misticismo, mas sempre gostos apurados e uma sede insaciável de contemplação solitária no seio da bela natureza, na margem dos lagos, na sombra inspiradora das florestas ou sob a abóbada celeste; cheia de inúmeras irradiações estelares, ela irá procurar volúpias imateriais num vôo da alma, na doce embriaguez dos êxtases. A Lua é a noite e o sonho e, segundo é clara ou sombria, colocada num signo zodiacal benéfico ou malfazejo, provocará um sonho encantador ou um pesadelo angustioso. É ela que preside aos comas, às sincopes, às letargias, às saídas em astral, que, por seu magnetismo, faz os sonâmbulos, os visionários, os videntes e os extáticos. Todas as afecções ditas “nervosas”, que fazem o desespero dos médicos, dependem exclusivamente de sua misteriosa empresa.

Em nós, ela rege a imaginação material e, quando a sua influência má é preponderante, infelizmente triunfa da razão emanada do Sol, seu senhor e mestre. É o que se produz, então, durante os eclipses totais do Sol.

No reino mineral, a Lua é representada pela prata. Suas gemas são: a pérola, a selenita e a opala leitosa.

A lei que rege os seres de um mesmo sistema é absolutamente única e a sua missão é de repartir a vida pelas múltiplas existências dos seres pertencentes a todos os reinos da natureza. A astéria dos mares ostenta a forma de uma estrela e a lei que faz aparecer a pérola no nácar pólido e irisado de uma ostra é exatamente a mesma que a que preside a eclosão de um pensamento geral no cérebro de um ser pensante.

A vida é uma; ela não varia senão em sua intensidade e segundo a capacidade do ser que a encerra, seja, de uma maneira infinitesimal, seja em seu desabrochar.

Discute-se ainda hoje sobre as ciências ocultas; sua austera filosofia impõe-se aos espíritos timoratos ou alienados pelo temor do Desconhecido. Teme-se o Espiritismo, por exemplo, porque ele evoca a idéia de morte, pondo-nos em relação com os que, nos precederam no Além e, sem mesmo ter-se o trabalho de refletir que, cada noite, durante o sono, quando o nosso corpo insensível é apenas regido pela vida orgânica, o nosso espírito, momentaneamente liberto do seu envoltório material, voa livremente pelo Espaço e vai  em busca dos que lhe são caros.

No plano astral, em que estivemos antes de nascer na Terra (e para onde voltaremos todos dentro de pouco tempo, depois da expiação de nossas provas terrestres), encontra-se a verdadeira vida, ao passo que, atualmente, vegetamos tristemente no domínio estreito da existência terrestre.

As ciências ditas ocultas não são utopias nem sonhos vãos; elas constituem o estudo mais útil que existe, porque têm por fim a pesquisa dos princípios divinos e das leis eternas que, emanadas de Deus, governam a natureza e a humanidade em seus planos respectivos e diametralmente opostos.

A atenção, a reflexão, a meditação e a contemplação são os meios a empregar para atingir a tão sublime fim”

 

***

 

Vejamos, agora, o que diz Allan Kardec a respeito dos médiuns escreventes, gênero de mediunidade o mais comum, e, além disto, o mais simples, o mais cômodo e o que dá resultados mais satisfatórios e os mais completos, no “Livro dos Médiuns”, págs. 243 e seguintes:

“Como disposição material recomendamos se evite tudo o que possa embaraçar o movimento da mão. É mesmo preferível que esta não descanse no papel. A ponta do lápis deve encostar o bastante para traçar alguma coisa, mas não tanto que ofereça resistência. Todas essas precauções se tornam inúteis, desde que se tenha chegado a escrever corretamente, porque então nenhum obstáculo detém mais a mão. São meros preliminares para o aprendiz”.

“É indiferente que se use da pena ou do lápis. Alguns médiuns preferem a pena que, todavia, só pode servir para os que estejam desenvolvidos e escrevem pausadamente. Outros, porém, escrevem com tal velocidade que o uso da pena seria quase impossível, ou pelo menos, muito incômodo. O mesmo sucede quando a escrita é feita às arrancadas e irregularmente ou quando se manifestam espíritos violentos que batem com a ponta do lápis e a quebram, rasgando o papel.”

“O desejo natural de todo aspirante à médium é o de poder confabular com os espíritos das pessoas que lhe são caras; deve, porém, moderar a sua impaciência, porquanto a comunicação com um determinado espírito apresenta, muitas vezes, dificuldades materiais que a tornam impossível ao principiante. Para que um espírito possa comunicar-se, preciso é que haja entre ele e o médium relações fluídicas que nem sempre se estabelecem instantaneamente. Só à medida que a faculdade se desenvolve é que o médium adquire, pouco a pouco, a aptidão necessária para pôr-se em comunicação com o espírito que se apresenta. Pode dar-se, pois, que aquele com que o médium deseja comunicar-se não esteja em condições propicias a fazê-lo, embora se ache presente, como também pode acontecer que não tenha possibilidade nem permissão para acudir ao chamado que lhe é dirigido”.

“Convém, por isso, que, no começo, ninguém se obstine em chamar um determinado espírito, com exclusão de qualquer outro, pois geralmente sucede não ser com esse que as relações fluídicas se estabelecem mais facilmente, por maior que seja a simpatia que lhe vote o encarnado. Antes pois de pensar em obter comunicações de tal ou qual espírito, importa que o aspirante leve a efeito o desenvolvimento da sua faculdade, para o que deve fazer um apelo geral e dirigir-se, principalmente, ao seu anjo guardião. Não há, para esse fim, nenhuma fórmula sacramental. Quem quer pretenda indicar alguma pode ser taxado, sem receio, de impostor, visto que, para os espíritos, a forma nada vale. Contudo, a evocação deve sempre ser feita em nome de Deus. Poder-se-á fazê-la nos seguintes termos ou outros equivalentes: Rogo a Deus todo-poderoso que permita venha um bom espírito comunicar-se comigo e fazer-me escrever. Peço, também, ao meu anjo de guarda se digne de me assistir e de afastar os maus espíritos. Formulada a súplica, é esperar que um espírito se manifeste, fazendo escrever alguma coisa. Pode acontecer venha aquele que o evocador deseja como pode ocorrer, também, venha um espírito desconhecido ou o anjo de guarda. Qualquer que ele seja, em todo o caso, dar-se-á a conhecer, escrevendo o seu nome. Então, porém, se apresenta a questão da identidade, uma das que mais experiência requer, por isso que poucos principiantes haverá que não estejam expostos a ser enganados”.

“Quando quiser chamar determinados espíritos, é essencial que o médium comece por se dirigir somente aos que ele sabe serem bons e simpáticos e que podem ter motivo para acudir ao apelo, como parentes ou amigos. Neste caso, a evocação pode ser formulada assim: Em nome de Deus todo-poderoso, peço que tal espírito se comunique comigo, ou então: Peço a Deus todo poderoso permita que tal espírito se comunique comigo, ou qualquer outra fórmula que corresponda ao mesmo pensamento. Não é menos necessário que as primeiras perguntas sejam concebidas de tal sorte que as respostas possam ser dadas por um sim ou não, como por exemplo: Estás aí? Queres responder-me? Podes fazer-me escrever? etc”.

“Mais tarde essa preocupação se torna inútil. No princípio trata-se de estabelecer assim uma relação. O essencial é que a pergunta não seja fútil, não diga respeito a coisa de interesse particular e, sobretudo, seja a expressão de um sentimento de benevolência e simpatia para com o espírito a quem é dirigida”.

“Coisas ainda mais importantes do que o modo da evocação a ser observado são a calma e o recolhimento, juntos ao desejo ardente e a firme vontade de conseguir-se o intuito. Por vontade, não entendemos aqui uma vontade efêmera, que age com intermitências e que outras preocupações interrompem a cada momento, mas uma vontade séria, perseverante, contínua, sem impaciência nem febricitação. A solidão, o silêncio e o afastamento de tudo o que possa ser causa de distração favorecem o recolhimento. Então uma só coisa resta a fazer: renovar todos os dias a tentativa, por 10 minutos, ou um quarto de hora, no máximo, de cada vez, durante 15 dias, 1 mês, 2 meses e mais, se preciso. Conhecemos médiuns que só se desenvolveram depois de 6 meses de exercício, ao passo que outros escreveram, correntemente, logo da primeira vez”.

“O primeiro indício de disposição para escrever é uma espécie de tremura no braço e na mão. Pouco a pouco a mão é arrastada por um impulso que ela não logra dominar. Muitas vezes não traça senão riscos insignificantes; depois, os caracteres se desenham cada vez mais nitidamente e a escrita acaba por adquirir a rapidez da escrita ordinária. Em todos os casos, deve-se entregar a mão ao seu movimento natural e não lhe oferecer resistência, nem impulsioná-la.

Alguns médiuns escrevem, desde o principio, correntemente e com facilidade, às vezes mesmo desde a primeira sessão, o que é muito raro. Outros, durante muito tempo, traçam riscos e fazem verdadeiros exercícios caligráficos. Dizem os espíritos que é para lhes soltar a mão. Em se prolongando demais esses exercícios ou degenerando na grafia de sinais ridículos, não há dúvidas de que se trata de um espírito que se diverte, porque os bons espíritos não fazem nunca nada que seja inútil. Em tal caso, cumpre redobrar de fervor no apelo à assistência destes. Se, apesar de tudo, nenhuma alteração houver, deve o médium parar uma vez reconheça que nada de sério obtém.

“O escolho com que topa a maioria dos médiuns principiantes é o de terem de haver-se com espíritos inferiores e devem dar-se por felizes quando não são espíritos levianos. Toda atenção precisam por em que tais espíritos não assumam predomínio, porquanto, acontecendo isso, nem sempre lhes será fácil desembaraçarem-se deles. E ponto este de tal modo capital, sobretudo no começo, porque, não sendo tomadas as precauções necessárias, podem perder-se os frutos das mais belas faculdades”.

“A primeira condição é colocar-se o médium, com uma fé sincera, sob a proteção de Deus  e solicitar a assistência do seu anjo de guarda (1) que é sempre bom, ao passo que os espíritos familiares, pelo simpatizarem com as suas boas ou más qualidades, podem ser levianos ou mesmo maus,”

(1) – O termo “anjo da guarda” e aqui sinônimo de “guia”. Os espíritas empregam, aliás, mais freqüentemente, ate último termo.

“A segunda condição é aplicar-se, com meticuloso cuidado, a reconhecer, por todos os indícios que a experiência faculta, de que natureza são os primeiros espíritos que se comunicam e dos quais manda a prudência sempre se desconfie. Se forem suspeitos esses indícios, dirigir fervoroso apelo ao seu anjo de guarda e repelir, com todas as forças, o mau espírito, provando-lhe que não conseguirá enganar, a fim de que ele desanime”.

Se é importante não cair o médium, sem o querer, na dependência dos maus espíritos, ainda mais importante é que não caia por espontânea vontade. Preciso, pois, se torna que o imoderado desejo de escrever não o leve a considerar indiferente dirigir-se ao primeiro que apareça, salvo para mais tarde se livrar dele, caso não convenha, por isso que ninguém pedirá impunemente, seja para o que for, a assistência de um mau espírito, o qual pode fazer que o imprudente lhe pague caros os serviços”.

“Algumas pessoas, na impaciência de verem desenvolver-se em si as faculdades mediúnicas, desenvolvimento que consideram muito demorado, se lembram de buscar o auxilio de um espírito qualquer, ainda que mau, contando despedi-lo em seguida. Muitas hão tido plenamente satisfeitos os seus desejos e escrito imediatamente, porém o espírito, pouco se incomodando com o ter sido chamado na pior das hipóteses, menos dócil se mostrou em ir-se do que em vir. Diversas conhecemos que foram punidas da presunção de se julgarem bastante fortes para afastá-los quando o quisessem, por anos de obsessão de toda a espécie, pelas mais ridículas mistificações, por uma fascinação tenaz e até por desgraças materiais e pelas mais cruéis decepções. O espírito se mostrou, a princípio, abertamente mau, depois hipócrita, a fim de fazer crer na sua conversão ou no pretendido poder do seu subjugado, para repeli-lo à vontade”.

“A escrita é, algumas vezes, legível, as palavras e as letras bem destacadas, mas, com certos médiuns, é difícil que outrem, a não ser ele, a decifre, antes de haver adquirido o hábito de fazê-lo. É formada, freqüentemente, de grandes traços, pois os espíritos não costumam economizar papel. Quando uma palavra ou uma frase é quase de todo ilegível, pede-se ao espírito que consinta em recomeçar, ao que ele em geral aquiesce de boa vontade. Quando a escrita é, habitualmente, ilegível, mesmo para o médium, este chega quase sempre a obtê-la mais nítida, por meio de exercícios freqüentes e demorados, pondo nisso uma vontade forte e rogando ao espírito que seja mais correto”.

“Alguns espíritos adotam sinais convencionais que passam a ser de uso nas reuniões do costume. Para assinalarem que uma pergunta lhes desagrada e que não querem respondê-la, fazem, por exemplo, um risco longo ou coisa equivalente. Quando o espírito conclui o que tinha a dizer ou não quer continuar a responder, a mão fica imóvel e o médium, quaisquer que sejam o seu poder e a sua vontade, não obtém nem mais uma palavra. Ao contrário, enquanto o espírito não conclui, o lápis se move sem que seja possível a mão detê-lo. Se o espírito quer espontaneamente dizer alguma coisa, a mão toma convulsivamente o lápis e se põe a escrever, sem poder obstar a isso. O médium, aliás, sente quase sempre em si alguma coisa que lhe indica ser momentânea a parada ou ter o espírito concluído. É raro que não sinta o afastamento deste último”.

 

 

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Citamos, muito especialmente, o texto de Allan Kardec sobre os médiuns escreventes. As indicações e os conselhos por ele dados são sempre suscetíveis de serem postos em prática e a experiência tem claramente provada todo o seu valor. Todavia, depois da morte do grande Iniciador, outros processos têm igualmente dado notáveis resultados e, entre estes, citamos especialmente a prancheta e o quadro alfabético de que os nossos leitores encontrarão a descrição no fim deste pequeno volume e vamos dar, adiante, os meios práticos a empregar para se servirem utilmente desse engenhoso aparelho. (*)

(*) Quando não houver um médium de incorporação ou psicógrafo.

Primeiro tempo – Dispor o quadro alfabético bem justo sobre uma mesa, fixando-o nos quatro cantos por meio de percevejos, de modo a se ter uma superfície plana e bem unida para que um aparelho de bilhas possa rolar livremente, sem obstáculos, e colocar a prancheta de bilhas no ponto “?”. A pessoa da direita aí colocará a mão esquerda, a pessoa da esquerda colocará a mão direita e é preciso nunca se fazer experiências a sós. De outra parte, como há aqui uma questão de polaridade, fazemos observar que se os experimentadores são de sexo diferente, o do masculino se colocará à direita sendo positivo, e o do feminino se porá à esquerda. Se os médiuns são do mesmo sexo, deverão observar qual dentre eles tem na palma da mão esquerda a letra M mais profunda. Esta letra é formada pelas linhas da vida, da oportunidade, da cabeça e do coração. A pessoa que tiver este sinal deverá colocar se à direita.

Segundo tempo – Não apoiar as mãos; pousá-las unicamente. Depois de um ou dois minutos de espera, raps, estalidos na prancheta, no quadro alfabético ou no móvel, que serve de suporte a este, se farão ouvir e uma corrente fluídica será sentida se não pelos dois experimentadores pelo menos pelo mais sensitivo (o da esquerda, o negativo). Fazer silêncio e deixar arrastar as mãos para as letras, os algarismos ou os sinais do quadro.

Terceiro tempo – A prancheta, depois de aparências de hesitação de pouco tempo, se decide a partir e se põe a rodar, docilmente a princípio, depois com uma velocidade que dá aos experimentadores bastante trabalho para segui-la. Esse movimento rotativo tem por fim misturar os fluidos do espírito com o de cada um dos médiuns. Também não se deve parar a prancheta em seu movimento, assim como não interrogar o espírito que se quer comunicar, antes que ela tenha parado no ponto “?”, quando os experimentadores poderão fazer perguntas.

Quarto tempo – No princípio e para treino, as sessões só deverão durar de 20 a 30 minutos. As perguntas deverão ser feitas mentalmente ou de viva voz, ser claras e não de duplo sentido, de modo que a resposta seja breve e se traduza por Sim ou Não, palavras impressas à esquerda ou à direita do quadro ou da mesinha com o alfabeto.

Se o espírito for bastante loquaz para se ouvir um pouco, ele soletrará as palavras do que quiser dizer e talvez indique aos médiuns uma forma de comunicação mais rápida. Quando os médiuns estiverem mais treinados e tiverem adquirido o grau de iniciação que importa possuírem para chegar à paciência necessária para as pesquisas e o discernimento das causas de que vêm apenas os efeitos, o espírito instrutor lhes dirá como devem proceder com tal ou qual espírito, lhes indicará as armadilhas que lhes poderão ser estendidas e como deverão frustrá-las e delas se precaverem; um ensaiará sobre eles o efeito dos seus fluidos, a fim de se fazer reconhecer por eles, mesmo antes das sessões.

Quinto tempo – Os médiuns poderão evocar na prancheta o espírito com o qual desejam entreter-se. Cheios de bons pensamentos, sentirão a presença deles ou de intrusos e agirão em relação com os mesmos. Se não são videntes, que procurem encontrar pessoas aptas a torná-lo. Por meio dos videntes, eles serão avisados dos ardis dos espíritos perversos e tomarão medidas para afastá-los de si.

Sexto tempo – Os experimentadores poderão ensaiar obter nomes e sobrenomes, datas de falecimento, etc., dos espíritos que se comunicam com eles. Não deverão agastar-se se não obterem sempre satisfação dos espíritos que não gostam muito de perguntas terra-à-terra, que lhes parecem ser uma dúvida disfarçada referente às provas já dadas de suas identidades. Se consentem em responder favoravelmente a essas perguntas, os algarismos de unidades colocados no meio das letras e os números de 100 a 1000 colocados à esquerda e à direita, acima das palavras SIM e NÃO, serão utilizados por eles.

Sétimo tempo – Acontece, às vezes, que os espíritos que, como nós, não conhecem tudo, ficam embaraçados para responder certas perguntas; eles têm uma maneira toda especial de exprimir a sua ignorância, a dúvida, a afirmação e por vezes não desdenham ir pedir conselhos a espíritos mais elevados ou mais instruídos que eles.

Se ignoram o que se lhes pergunta, fazem deslizar a prancheta para à esquerda entre o SIM e o 100. Se vêem uma dúvida na resposta a dar, é para a direita que eles dirigem a flecha da prancheta entre o NÃO e o 1000.

Muitas vezes sucede que uma resposta, afirmativa ou negativa, não seja; a esperada pelo interrogante, que se espanta; o espírito que vê e lê o que deseja o interessado, dirige a prancheta para o SIM, gira em torno dessa palavra ou faz levantar a prancheta como o pé de uma mesa e confirma a sua resposta. Se ela é negativa, é em torno do NÃO que a prancheta girará.

Oitavo e último tempo – A sessão termina por uma despedida do espírito que faz voltar a prancheta ao ponto “?”, a faz girar em torno e desfere vários golpezinhos que toma o cuidado de espaçar e distingue com este rodeio o fim de o começo, que é mais acentuado e que indica que se pode fazer perguntas.

Queremos crer que os nossos leitores contentar-se-ão com estas indicações, que poderão ser ampliadas ou substituídas.

 

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A visão através dos corpos opacos ou simplesmente de um copo d’água é uma das mais curiosas modalidades da mediunidade. Em muitas circunstâncias ela reveste um caráter nitidamente profético e pode por si só tomarem múltiplas indicações que as outras mediunidades só dão muito imperfeitamente.

A visão, com efeito, produz-se com completa abstração de tempo e espaço e uma imagem projetada no copo d’água, na bola de cristal, pode relatar uma cena que se passará dentro de alguns dias ou vários anos.

Esta particularidade era bem conhecida na Antigüidade e vemos José, tornado primeiro ministro do Faraó, interrogar um copo d’água do Nilo.

O processo em uso, nesses tempos recuados, não diferia provavelmente do empregado em nossos dias, todavia, faltam-nos informes precisos sobre este ponto, de modo que só podemos dar, aqui, o processo moderno.

No começo da mediunidade e depois de um tempo que varia de dois a dez minutos, pode-se perceber (na massa liquida, nas bordas ou no fundo do copo) um pássaro, uma flor, uma planta, uma palavra, um nome, uma frase ou uma imagem simbólica. Não espereis outra coisa salvo a variedade de assuntos, no principio.

Depois das primeiras experiências, vêem-se aparecer sítios maravilhosos, panoramas esplêndidos, paisagens marinhas, caças movimentadas, cenas da vida humana ou de animais. Cenas grandiosas se desenrolam nesse espaço restrito, materialmente falando, mas que a vista do vidente aumenta, pois que os objetos e os seres lhe merecem ser do tamanho natural.

As bolas de cristal substituem o copo d’água, do qual não têm os inconvenientes. Esses inconvenientes são múltiplos e indicaremos aqui os principais:

1.º – Quaisquer que sejam as precauções tomadas por quem dele se servir, o menor movimento dá ao móvel, que o suporta, um impulso que faz oscilar a água. Essa oscilação destrói, bastas vezes, a visão e não é sempre possível fazê-las reaparecer.

2.º – Desde que o fluido magnético dos olhos do médium começa a penetrar na massa liquida, os animálculos se inquietam, movem-se, e a sua ação comum faz irisar a água, o que fatiga a vista do médium, cujas pálpebras pestanejam com freqüência. Se o médium for impaciente, ele logo abandonará as experiências.

3.º – É preciso também contar com o derrame da água se a mesa não estiver a prumo, se o consulente ou o médium se aproximar muita perto do móvel e o fizer vacilar.

 

 

 

 

 

 

II

 

A Vidência no Cristal

 

  1. a) Método Anglo-Americano

 

Conservai o cristal sempre limpo e claro e só o toqueis quando dele vos servirdes. Aquecei-o colocando o perto do fogo e ponde em cima um pano de veludo perto ou vermelho escuro. O pano côr de violeta parece servir melhor ainda que os de qualquer outra côr.

O cristal pode ser empregado por uma só pessoa ou por duas ao mesmo tempo, sendo que uma o segura enquanto a outra mira dentro do mesmo; muitas vezes isto ajuda o desenvolvimento das faculdades. Também pode o cristal ser colocado sobre um suporte e mais de duas pessoas mirá-lo.

Tanto quanto possível, o aposento, onde se guarda o cristal, deve olhar o Norte e ser o mais tranqüilo da casa. O melhor momento para observá-lo é de cerca de duas horas depois de uma leve refeição. Fechai as cortinas da janela de modo a fazer uma obscuridade mais ou menos completa. Deixai cair sobre o cristal, por cima dos vossos ombros, um pouco de luz que deve projetar a janela ou a lâmpada. Podeis colocar o cristal na vossa mão ou sobre um pequeno suporte; a distância deve ser a mesma de quando se lê um livro.

Concentrai a vossa atenção no seu centro e fixai-o bem dentro, não sobre a superfície, de uma forma a não vos incomodar. Há pessoas que vêem logo e outras somente depois de uma dezena de minutos. Se não conseguirdes ver claramente, ponde o cristal de lado e experimentai no dia seguinte, na mesma hora. A luz do gás vale a luz do dia, mas o luar é que serve melhor. Certas pessoas obtêm melhor resultado com a luz do dia, outras preferem a luz artificial.

Um outro método consiste em colocar o cristal na luz e olhar através da transparência, tendo o azul do céu por fundo.

A respiração deve ser lenta e profunda enquanto se olha no cristal e é bom ficar, uns cinco minutos, de olhos fechados antes de fixar o cristal e depois de fê-lo mirado. Dessa maneira, evitareis a fadiga de que certos clarividentes se queixam. Permanecei passivos e não procureis ver qualquer coisa, particularmente na primeira vez que ensaiais; por conseguinte escrevei num papel o que desejais ver, dobrai esse papel e não penseis mais nessa pergunta, porém conservai-vos tranqüilo e esperai como se nada existisse. É preciso não mudar o cristal de lugar, a menos que não desejeis mudar a cena que estais vendo. Não presteis atenção aos raios refletidos, olhai através deles; se ele é colocado como é preciso, o cristal não deve reenviar os raios.

  1. b) Outro Método (dito americano)

 

O bem conhecido autor inglês H. G. Wells diz possuir as seguintes indicações do Sr. Jacob Wace, preparador do Hospital Santa Catarina, Westbourne Street, que foi, durante dois anos, observador consciencioso do médium Cave, que obtinha, pela visão num ovo de cristal, fenômenos verdadeiramente surpreendentes.

Primeiramente, o médium só se apercebeu do clarão que filtrava através do postigo da janela de sua loja iluminando um ovo de cristal que espalhava a sua luz no local. Essa luz, de uma espécie particular, chamou-lhe a atenção. Ele tomou o ovo entre as mãos, transportou-o para um canto escuro de sua loja e verificou que a fosforescência do ovo se manteve de 4 a 5 minutos e resolveu estudar o fenômeno.

Durante a noite, ainda que mudado de lugar, o ovo conservava a sua claridade um momento, depois a readquiria desde que era posto ao contato do ar ou então da luz exterior; durante o dia, embora colocado num lugar sombrio, o ovo nada refletia.

O médium teve a idéia de envolver as mãos e a cabeça com um pano de veludo e ele pôde, desde então, mesmo em pleno dia, perceber o movimento luminoso no interior do ovo de cristal.

Certo dia, voltando o ovo entre as mãos, ele viu alguma coisa e teve a impressão de que o objeto lhe tinha, por um momento, revelado a existência de uma imensa e estranha região. Reproduzindo-se tal fenômeno à vontade, ele não duvidou mais de que estivesse na pista de uma descoberta interessante. Esse foi o começo de experiências em comum entre os senhores Cave, médium, e o seu amigo Wace.

O Sr. Wace, menos favorecido ou menos dotado que o Sr. Cave, só via nebulosidades, deslocamentos de correntes, fosforescências. Certo dia, entretanto, veio-lhe a idéia de encerrar o ovo de cristal numa caixa onde apenas praticara uma pequena abertura para o raio luminoso e, substituindo por uma espessa tela preta as cortinas de camurça, da janela, ele melhorou, grandemente, as condições de observação, de forma que, em pouco tempo, ele e o Sr. Cave puderam examinar o vale que se mostrava na direção em que desejavam. Quando o cristal ficava embaciado, era colocado em sua caixa segundo sua posição conveniente e se acendia as lâmpadas elétricas.

Os dois observadores viram assim formar-se, sob suas vistas, um mundo novo, seres desconhecidos, árvores de uma essência particular, e tiveram uma visão da vida intensa do que eles creram ser os habitantes dessa região maravilhosa que julgaram fazer parte do planeta Marte, tanta mais que o sr. Cave, o médium, afirmou ter reconhecido, no céu, as seguintes constelações: as Ursas, as Pleiades, Aldebarão e Sírio.

O Sr Cave é morto, porém o Sr. Wace, seu colaborador, tomou e conservou numerosas notas que ele comunicou ao Sr. Wells, que delas falou e fez o assunto de uma das suas interessantes novelas que figuram na sua obra “Os Piratas do Mar”.

 

***

 

Damos a seguir duas comunicações obtidas no copo d’água pela Sra. Marie-Antoinete Bourdin, um dos maravilhosos médiuns da época, cujas obras, hoje esgotadas, foram ditadas a essa médium por meio de um simples copo d’água. (1)

(1) – Refere-se o autor a “Entre Dois Mundos” e “Memórias da Loucura”, já traduzidas para o português. (N.T.)

 

  1. c) Que hora é?

 

“A hora marca o tempo, o emprego da jornada, a marcha regular do dia e da noite, o aparecimento do Sol nas diferentes épocas do ano: a hora é o aguilhão que nos impele para diante e marchamos, assim, maquinalmente, sem pensar que o sino soa nos prevenindo para que não percamos tempo.

As nossas horas são contadas pelas tarefas que devemos executar na vida terrena, mas se perde a memória e os indiferentes dizem com calma: “O dia vem e passa; depois, um dia, estendidos em um leito de dor, torturados pela enfermidade, perguntam com tristeza: “Que hora é?” e se lhes responde: “É a vossa última hora”. E, cheios de surpresa, eles exclamam: “Mas nos restam tantas coisas a fazer que não podemos morrer ainda.” O passado lhes volta à memória, eles contam as horas perdidas ou mal empregadas e pedem, em vão, alguns momentos de graça.

Ei-los no mundo dos Espíritos, com as mãos vazias e o coração empedernido. A sua consciência está nos tormentos que suporta na Terra o homem transviado no meio de uma noite sombria, numa vasta planície, onde não pode orientar-se para achar o seu caminho e que, na aurora, reconhece que andou para trás em vez de avançar e que não atingiu o seu fim. Tal é, no mundo dos Espíritos, a situação dos indiferentes”.

 

  1. d) A Humanidade

 

“Sob o véu sombrio da indiferença e inação, o teu espírito se amortalha como num sudário impenetrável; tu permaneces assim ainda muito tempo; a tua consciência opressa sustenta, com dificuldade, o peso que a abate e com voz lastimosa, dizes ainda: “Que hora é?” “A hora da libertação”, responde uma voz; “a hora da luta do bem contra o mal”, respondem em coro vozes que são como o anúncio de um grande dia. E logo o teu sudário se rompe e os teus olhos espantados contemplam um mundo novo e um exército de obreiros prontos a recomeçar a sua jornada na primeira hora.

É que, durante a letargia que tu vens de suportar, as horas seguiram o seu curso regular, o tempo caminhou a passos agigantados e uma outra época se acha diante de vós; é a da emancipação intelectual, da ciência para todos e das grandes descobertas dos tesouros da criação. Cada qual deve trabalhar, esclarecer-se, desenvolver a sua inteligência; não há mais lugar para os indiferentes, é a atividade de todas as partes.

Desperta, Humanidade, do teu sono; deixaste encerrar, nas dobras da indolência, a tua liberdade, a tua honra, a tua razão; vendeste, a vil preço, à dissipação, as tuas horas; esperdiçaste um tempo precioso. Acorda, toma posse de ti mesma, lembra-te da tua origem e do fim que deves atingir, sacode a poeira que te cobre ainda e serás uma obra-prima de perfeição. Não extinga a luz que brilha em ti, esta natureza sobrenatural que deve ainda transformar-te e embelezar-te, elevando-te sempre mais. Podes tu então sempre, filha da Terra, beber, comer, dormir, sem procurar outra felicidade? Não, não foi para isto que foste criada. Eu te vejo, num futuro próximo, abrir os olhos espantados porque uma forte sacudidela te fará sair do teu torpor e serás forçada a marchar para a frente. As horas ser-te-ão de graus que subirás com glória, porque elas soarão o advento de uma grande transformação”.

A Sra. Marie-Antoinette Bourdin, a médium que obteve estas duas comunicações, recomendava, antes das sessões, o maior silêncio aos assistentes, pedia-lhes preparar um questionário só contendo perguntas de um interesse geral, proibia a troca de vistas e apreciações diferentes durante as suas vidências (que se tinha a liberdade de discutir depois) e fazia a prece em voz alta. Durante esta, colocava-se diante dela um copo (forma de taça), cheio três quartos de água, e ela segurava o copo entre as mãos e, continuando a sua oração, aí lançava o olhar. Muitas vezes a prece não terminava a inspiração substituía a recitação.

O olhar mergulhado no copo, a médium era estranha a tudo que a cercava; apenas o espírito-guia falava pela sua boca, dando conselhos a todos, depois a cada um particularmente. Durante as suas vidências, qualquer ruído a incomodava.

Que os médiuns e os que velam por eles assim como os que vêm consultá-los se compenetrem bem disto: Que nada se pode obter se se é impaciente, se se deseja coisas fora das permitidas; que o médium é um instrumento frágil de que é preciso poupar a suscetibilidade, as excitações nervosas se não quer vê-lo inutilizado ou tornar-se um frangalho humano.

Reconhece-se que se é Vidente por um Triângulo que nasce na linha da Sorte (2-2) e termina na linha do Sol, das Artes ou Apolônia (2-5) para os candidatos à Vidência, enquanto que para os que viram ou vêem correntemente este Triângulo se estende da linha da Sorte (2-2) à linha da Intuição ou de Mercúrio (2-6), mesmo que ela corte a linha dita Via Láctea ou Via Lasciva, o que indica, no caso, uma faculdade no seu apogeu.

Se o Triângulo se dirige para o lado do Polegar, isto quer significar Obsessão, Alucinação, Erro do Sentido Visual, produzidos por um mau espírito.

 

  1. e) Método do Dr. Maxwell

 

Não poderíamos deixar passar em silêncio a maneira de se servir das bolas de cristal indicada pelo Dr. Maxwell, autor da importante obra Les Phénomènes Psychiques, da qual destacamos as mais interessantes passagens, sem nada tirar ou acrescentar.

“O uso da bola de cristal era um dos meios mais conhecidos da Antigüidade. A bola de cristal é um processo aperfeiçoado, do mesmo modo que o espelho negro, porém o espelho ordinário, o copo d’água, a garrafa redonda, a bola dos sapateiros, a unha do dedo, o vidro do relógio, toda a superfície polida, pode induzir à alucinação. Só recomendarei os primeiros processos, pois eles são melhores; os outros não são recomendáveis.

“A bola de cristal é, creio eu, o processo escolhido; estudei, com algum cuidado, a visão no cristal e ainda que tenha notado diferenças individuais nos sensitivos, creio poder dizer que, de um modo geral, cheguei, no que concerne o processo operatório, às seguintes verificações: “A matéria do objeto não é indiferente. As bolas de cristal de rocha me deram os melhores resultados. Vi pessoas incapazes de ter visões no vidro ordinário quando as obtiveram numa pequena bola de cristal natural. Os objetos de cristal de rocha têm o inconveniente de serem muito custosos.

“O vidro ordinário dá muito bons resultados, mas é preciso evitar que a bola contenha bolhas de ar ou outros defeitos. E necessário que ela seja tão homogênea quão possível. A forma da bola pode ser esférica ou ovóide. Eu creio que a forma elíptica é talvez a melhor, porque ela permite evitar mais facilmente os reflexos.

“O tamanho da bola é indiferente, mas eu prefiro as bolas um pouco grandes. Tenho, todavia, obtido excelentes resultados com bolas de 1 centímetro tão bem como com bolas de 6 e 7 centímetros de diâmetro.

“A bola pode ser branca, azul, violeta, amarelada, verde; ela pode ser opalina ou transparente, mas eu creio que os melhores resultados se obtêm com as bolas brancas transparentes. (1)

(1) – Esta é também a opinião dos médiuns videntes.

Para se olhar na bola é preciso colocá-la ao abrigo de todo o reflexo, de maneira que ela ofereça uma cor uniforme, sem pontos brilhantes. Para isto, pode-se envolvê-la num veludo escuro ou pô-la na concavidade da mão ou mesmo mantê-la na ponta dos dedos, desde que as condições indicadas mais acima sejam observadas. O objeto deve ser colocado à distância da visão normal, o olhar deve ser dirigido não sobre a superfície da bola mas dentro da própria bola e, com um pouco de treino, aí se chegará facilmente.

Os espelhos dão também muito bons resultados. Eles podem ser feitos como os espelhos ordinários ou ser pretos como os famosos espelhos de Bhatta que têm uma composição especial. Eu não experimentei com estes últimos. Observei que era preciso, no dizer dos sensitivos, que o espelho não refletisse nenhum objeto e apresenta-se uma cor uniforme, a do “céu” por exemplo, azul ou cinza, mas sem mistura de cores.

“Um copo d’água, uma garrafa, se ela apresenta uma forma globular ou cilíndrica, um sifão de água de Seltz, a unha de um dedo, podem servir de indutores às alucinações, mas esses processos, salvos os dois primeiros, não dão resultado senão com sensitivos muito especiais.

“Nessas condições de operação, observei resultados às vezes extraordinários e que confundem a imaginação. Eles me pareceram tender para demonstrar a verdade da idéia kantiana sobre a relatividade e a contingência do tempo e do espaço. É bem difícil admitir que essas duas ordenadas de nossas percepções sejam exatamente o que elas nos parecem ser, a menos que repila a teoria das coincidências até o absurdo, como vi fazer um professor de amigos meus. É o caso de se fechar a porta à toda discussão e a todo exame inteligente de um fato na aparência anormal.

“Minhas observações foram feitas com diferentes pessoas e me foi assinalado um grande número de experiências que não fiz. As pessoas dotadas da faculdade de ver no cristal não são raras. A análise dos fatos observados por mim ou que tenho de primeira mão, isto é, de pessoas que os observaram, permite enfileirar essas “alucinações” nestas seis categorias de crescente interesse:

1.ª – Visões de fatos imaginários, “alucinações” ordinárias;

2.ª – Fatos esquecidos, aflorados à memória sob a forma de visões;

3.ª – Fatos passados que o sensitivo afirma ter sempre ignorado;

4.ª – Fatos atuais certamente esquecidos do sensitivo;

5.ª – Fatos futuros;

6.ª – Fatos de interpretação duvidosa.

Este grupo mostra a curiosa gradação que se observa nas visões. Primeiramente, uma atividade desordenada e ilógica como a do sonho, depois uma atividade mais ordenada: conhecimento de fatos esquecidos, conhecimento de fatos passados ignorados pelo sensitivo; conhecimento de fatos atuais desconhecidos pelo sensitivo; conhecimento aparente de acontecimentos futuros. Eu não tive ocasião de observar, claramente, senão os fatos classificados sob os nº. 1, 2, 3, 4, 5, e 6″.

Nossos leitores verão qual método lhes parece mais prático, todos tendo dado resultados apreciáveis aos que hão tido a paciência de estudá-los, de investigá-los, sem preocupação de seus trabalhos, de suas decepções.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

III

 

Vidência na clara do ovo

 

  1. a) Métodos usuais

 

Assim como para a vidência no copo d’água, é preciso empregar um copo em forma de taça, mas vários processos são adotados. Entendemos indicar, aqui, só dois deles que nos deram os mais sérios resultados e cujos experimentadores hão tido a maior satisfação com as nossas indicações.

Cada um destes processos será apoiado por um exemplo. Estes exemplos serão um misto de cômico, de trágico, de exaltação, mas interessarão porque são proféticos. Um destes exemplos teve por testemunhas pessoas ainda vivas e mais… este vosso criado. O outro é apoiado num escrito de pessoas conhecidas não somente de vários dos nossos leitores mas de outras cujos testemunhos não podem ser suspeitados.

Primeiro processo – Se tiverdes a sorte de ter uma janela exposta ao sol, das 10 horas da manhã às 2 horas da tarde, colocai ali, às 11hs. e 30, uma taça de vidro cheia três quartos de água pura. Esta deve ser colocada de modo a não ter contato com a pedra ou a madeira da mesma. Atirai dentro da taça 3 a 5 grãos de sal marinho (conforme o seu tamanho), que deixareis dissolver por si mesmos. Tomai, em seguida, um ovo fresco, separai a gema da clara e, um pouco antes do 1/2 dia, jogai a clara dentro da água. Ao 1/2 dia, colocai-vos em face da vossa taça, fixai-a de lado, não de cima; segui a obra que se cumpre (as diversas transformações da clara de ovo) e procurai reter o que puderdes observar, a fim de comparar essas primeiras observações com as que não deixarão de manifestar-se nos dias seguintes.

– Nos dias seguintes? perguntareis.

– Pensais obter desde o começo tanto quanto o pesquisador que consagrou a sua vida a estudar as causas e os efeitos de vários desses fenômenos? Mas sem vos preparardes tão longo tempo como esse veterano? E preciso que vos sujeiteis ao tempo necessário, ao tempo requerido.

– E este pode ser longo?

– Sim, se não tiverdes nenhuma confiança no que fazeis ou empreendeis. Se não sabeis ou não podeis ter paciência, não deveis empreender coisa alguma.

– Que professor engraçado que vós sois!

É possível que a vossa curiosidade vos impaciente, mas eu tenho o encargo de almas e devemos, antes de começar a luta contra as idéias preconcebidas de certas pessoas, pôr em guarda os nossos leitores (e sobretudo as nossas leitoras) contra a vontade inconveniente de querer satisfazer os seus… desejos.

Devemo-vos uma explicação.

Se a mediunidade do copo d’água exige uma instrução ou uma educação longa, maçante às vezes, porque é preciso o auxílio de um espírito instrutor, a mediunidade de clara de ovo tem a necessidade de um produto animal, o ovo, de um produto terreno-solar, o sal. Estes dois produtos se devem unir ao fluído vital do homem e ao dito fluido universal que fornece o espírito-guia do médium.

No primeiro dia, o produto animal absorve o produto solar e, no segundo, o fluido vital atrai o fluído universal. Estes quatro elementos absorvem um ao outro e desse todo sai o que se começa a perceber no terceiro ou no quarto dia, e, em seguida, todos os dias.

– Mas pode-se ver bem num copo assim preparado?

– Tudo o que um médium de copo d’água, um médium cristálogo, um vidente qualquer pode ver num objeto brilhante, faz o mesmo nas unhas.

– Mas, como fiscalizar as afirmações das pessoas que dizem ver se esse meio não pode ser utilizado por todos?

É grande a diferença entre a vidência natural no cristal, na água, nas unhas e em todo o objeto brilhante e a vidência obtida por meio da clara de ovo. Se poucas pessoas vêem no copo d’água ou no cristal do vidente, muitas são chamadas a ver no copo destinado a um dos consulentes da clara de ovo e poderão verificar, como este, o que lhes diz respeito”.

Em apoio das nossas observações, citamos, aqui, os dois seguintes casos:

1.º – O tenente da Marinha J. R. Bellot, então guarda marinha, em Rochefort-sur-Mer, encontrando-se com uns amigos em casa de uma senhora vidente e um pouco mágica (diz ele); esta fez preparar vários copos para os seus jovens visitantes, preparativos esses que foram objetos de gracejos, e o resultado, impacientemente esperado, foi, acolhido com chocarrices. Vários copos anunciaram, aos seus donos, posições muito elevadas, o que foi mais tarde verificado: um futuro almirante teve o primeiro anúncio de sua promoção à mais alta posição da Marinha; um jovem médico devia tornar-se diretor da Escola, o que se realizou. Quando chegou a vez do guarda-marinha Bellot, todos puderam ver, no copo, um navio prisioneiro de dois icebergs (montanhas de gelo), cuja equipagem estava bastante ocupada em se defender com machadinhas, picaretas e outras armas, contra ursos brancos.

Sabemos que Bellot foi chamado ao comando da expedição enviada para procurar e trazer os restos mortais de Franklin e seus companheiros, assim como os documentos que teria deixado esse sábio e que Bellot encontrou a morte lá onde deveria encontrar a glória. Um monumento erigido em Rochefort-sur-Mer, em sua honra, recorda a memória desse navegante, ao mesmo tempo que salienta a veracidade de sua visão no copo com a clara de ovo.

 

 

Lembramo-nos de ter visto, em 1859 ou 1859, um desenho desse oficial, representando tal visão, desenho que um oficial superior da Marinha, o capitão Lap., mostrou ao seu amigo, o Sr. You, advogado em Marennes.

Esse desenho, de que todos os detalhes ficaram gravados em nossa memória, reproduzimo-lo, aqui, fielmente, graças a um dos nossos guias que, vendo o nosso embaraço, nos fazê-lo. Devemos confessar que nunca aprendemos a desenhar e que a nossa mediunidade de desenhista é intermitente.

2.º – O outro caso passou-se em Paris. O vidente, um magnetizador bem conhecido dos espíritas, ensaiou, sob as nossas indicações, obter o que quer que fosse por meio da clara de ovo. Dos seus ensaios, ele obteve a visão de uma soberba igreja, ornada de quadros de um grande valor artístico, de tapeçarias maravilhosas, de lustres de imensa beleza, de luzes de todas as cores do prisma formando desenhos desconhecidos, de contínuas variações. Ele observou estátuas que pareciam falar, sorrir, de olhos vivos, de membros animados dos quais os braços pareciam elevar-se acima da multidão de fiéis ajoelhados a seus pés.

Outras visões tão belas e outras de menor interesse foram obtidas por esse vidente, Sr. Cler., e vistas por sua esposa e seus amigos (a título de observadores), no mesmo copo.

Segundo processo – Em 1858, o mestre Allan Kardec fundou La Revue Spirite. Os primeiros adeptos se recordam do entusiasmo que as “mesas falantes” despertaram, em pouco, por toda a parte. A nossa cidadezinha não podia escapar à moda do dia e podemos dizer que poucas famílias se abstiveram de consultar mesas (tables), mesinhas (guéridons), e cadeiras (chaises), mas uma coisa imutável não convém, absolutamente, às necessidades de nossa crédula humanidade que necessita, sempre, de algo de novo.

Esse alimento novo para a curiosidade popular foi indicado por um caixeiro viajante, o Sr. Augusto Bez, que deveria ser o autor de Miracles de nos jours, depois de ter sido diretor da Revue spirite bordelaise, depois da Ruche spirite bordelaise.

Foi em 1893, em Marannes.

O Sr. Bez descia no hotel da Table Nationale cuja hospedeira, a Sra. G., espírita convicta, fazia as honras da casa e procurava distrair os seus fregueses eventuais com interessantes pequenos saraus dançantes e às vezes cantantes, cujas despesas corriam por canta desses. Essas reuniões eram precedidas de experiências de cartomancia, quiromancia e sobretudo de tiptologia.

Certo dia deteve-se no hotel um eletricista bordelês, o Sr. Dubosc, inventor de uma escova elétrica contra o reumatismo, e ainda grande magnetizador e espírita militante. O Sr. Dubosc era amigo do Sr. Bez; eles se encontraram no hotel.

Não podendo sempre fazer “falar” as mesas, ler na mão ou deitar cartas, esses senhores tiveram a idéia de fazer uma experiência com a clara de ovo, o que, unanimemente, foi aceito e resolvido para a manhã seguinte. Três moças deveriam, sozinhas, fazer, para o 1/2 dia e ao mesmo tempo, os ensaios indicados no nosso primeiro processo, não sobre a janela de cada uma delas, mas sobre um banco do jardim do hotel.

Atirados os grãos de sal no copo, e a clara de ovo pouco depois, foram todos almoçar não sem se rirem dos resultados problemáticos que esperavam.

A hospedeira, tão curiosa quão inquieta, experimentou a necessidade irresistível de ir ver o que se passava. Que viu ela no copo de sua filha, pobre tísica condenada, que todos se esforçavam por distrair? Ali, ela viu um caixão e uma cova aberta ao lado (1). A mãe esvaziou o copo sem nada dizer e um gato foi acusado da proeza…

(1) – Oito meses depois ela morria.

No segundo copo, o de uma moça empregada no hotel, via-se um jovem manejando um serrote e um puxavante. De fato, ela se casou com um fabricante de cadeiras.

No terceiro, o da sobrinha do dono do hotel, a Srta. Thècle L., via-se um pescador de caniço, na sombra de um arbusto plantado no interstício do rochedo inclinado sobre um rio, tendo ao lado uma caixa e um cesto. O Sr. Dubosc explicou à Srta. T. L. que ela seria enganada e morreria jovem. A moça foi cortejada por um moço bem pouco delicado que a tornou mãe e a abandonou. As três predições traduzidas pela Sra. G. e o Sr. Dubosc se realizaram em todos os pontos.

A partir desse dia, numerosos foram os ensaios tentados pelos incrédulas para conhecer o futuro. Se uns resultados foram muitas vezes nulos, lemos a convicção de que esses investigadores lhes ligaram pouca atenção, divertindo-se em vez de pesquisar e zombando mesmo dos efeitos.

Apesar desses resultados negativos asseguramo-vos que fomos testemunhas de fatos preditos pela clara de ovo, que se realizaram pouco tempo depois.

 

  1. b) Observações

 

Quer com o copo d’água quer com o copo com a clara de ovo, é necessário, depois da experiência, transportar o copo, da mesa ou da janela, para um móvel do vosso quarto de dormir, evitando os choques e tendo o cuidado de colocar um pano grosso por baixo e um papelão por cima do mesmo; o pano para evitar o contato direto da pedra ou do mármore e o papelão para garantir a água contra a poeira.

Se no dia seguinte, ao despertar, percebendo numerosos glóbulos no vosso copo, alegrai-vos; quanto mais numerosos forem esses glóbulos tanto mais assegurada está a vossa vidência. É bem o caso de dizer aqui que toda a medalha tem o seu reverso.

A vossa alegria poderá, com efeito, mudar-se em tristeza se não souberdes ser prudente. Eis-vos perplexos, caros leitores, outros o seriam menos. Prometemos dar-vos conselhos úteis, experimentados por nós e outros reconhecidos cientificamente exatos, por isto nada devemos ocultar.

É certo que, durante o sono, o fluido vital de uma pessoa preocupada com uma experiência qualquer se exteriorize nesse momento e vá precipitar-se em glóbulos especiais na vasilha ou no copo d’água colocado na proximidade de quem dorme. Esses glóbulos, vistos por verdadeiros videntes, contêm, cada um, um pensamento, um desejo, da pessoa adormecida.

Procurai espalhar algumas gotas da água do copo da experiência; se houver glóbulos a pessoa experimentará uma certa opressão, segundo o número dos glóbulos derramados. Esvaziando o conteúdo do copo, o experimentador corre o risco de cair em síncope e de não poder andar senão depois de cuidados enérgicos e inteligentes de poderoso médium curador.

Tomai, pois, todas as precauções ao transportardes o vosso copo d’água de um lugar para outro.

A mesma água não pode servir indefinidamente; é bom saber que ela contendo glóbulos pode servir oito dias, depois dos quais deve-se vasá-la, pouco a pouco (de hora em hora), sobre plantas ou grãos que ajudará a crescer, sem prejuízo para o experimentador.

Se não houver nenhum glóbulo, atirai fora, sem temor, o conteúdo do copo, enxugai-o cuidadosamente e enchei-o, depois, com outra água.

Recomendamos no princípio só consagrar a essas experiências trinta minutos e mais tempo se o espírito guia o permitir aos médiuns treinados.

Tomai nota do que ireis obtendo em cada sessão e relei essas notas, de tempos em tempos, e ficareis espantados dos resultados obtidos.

Processo misto – Não podemos deixar no olvido o seguinte processo empregado pelas pítias modernas que se especializam em todos os gêneros, que querem, antes de tudo e sobretudo, conservar os seus clientes bastante confiantes, antes crédulos, assaz preguiçosos deveríamos dizer, para deixarem fazer para si, pelas damas em questão, a operação da clara de ovo, seguindo elas as fases da transformação e explicando o resultado e eles aceitando o augúrio (bom ou mau) sem lhe verificar a autenticidade. E verdade que essas almas, tão confiantes quão preguiçosas, pedem a essas damas mediante remuneração, para representá-las junto ao “gênio” (bom ou mau, segundo o objeto dos seus desejos) tal como um penitente se faz representar junto a Deus pelo seu confessor, pago para dizer missas e recitar padres-nossos que ele não quer ou não pode dizer ou fazer, parque está ocupado em outro lugar… Sem trabalho, pensam eles poder obter tudo o que desejam, pagando.

Pobres mulheres, que desilusões preparam para si, explorando as suas faculdades, com fins mercantis.

Com o risco de nos arrancarem os olhos, desvendaremos os truques das pouco interessantes sibilas que enganam os seus clientes em vez de ajudá-los honestamente. Elas poderiam ser úteis e se tornam prejudiciais.

Desde que a sociedade está em perigo, ela deve defender-se; quem quer uma sociedade forte, honesta, deve correr com os seus inimigos.

Temos visto pretensos médiuns (de copo d’água, da clara de ovo) oferecer os seus serviços a desolados, a desamparados, muitas vezes a estouvados (gênero crédulo, o desejado) e prometer a esses infelizes fazer, para eles, o necessário junto aos seus bons guias (que miséria!), pois que eles não o podem fazer.

Na terceiro ou quarto dia, uma palavra discreta previne o consulente que tudo vai bem ou falta alguma coisa. Se a coisa teve êxito (ou suposto êxito), é raro que não haja, na clara de ovo, uma cruz azul, uma estrela amarela, um sinal benéfico (formado como?). O consulente pode tudo ousar, tudo esperar e ouvir: o êxito é certo, poucos dias o separam da felicidade sonhada. A emoção faz o resto e a… bolsa se abre. Algumas semanas decorrem, nada se realizando, e os consulentes vão dirigir as suas censuras à falsa médium ou guardam o silêncio e… vão procurar outra mistificadora.

Se a coisa falhou, estejai certos de que isto proveio da pouca confiança depositada no trabalho da pítia e elas não devem ser censuradas se o resultado for negativo… É preciso, então, recomeçar mas também “regar” a repetição da operação.

– É preciso viver, vos dirão essas boas almas.

– Sim, respondereis vós, mas não enganando.

– Nos não enganamos, responderão elas, pois não vamos procurar os nossos fregueses. São eles por si sos que nos vêm consultar. Se o nosso tempo é gasto, é justo que sejamos indenizados.

Que quereis responder a isto?

Isto, caros leitores, que o trabalho feito por vós mesmos é o mais bem feito, o mais produtivo, o mais seguro. Fazê-lo por intermédio de quem se faz pagar e engana é correr-se o risco de ser mistificado. Assim, nós que vos falamos, vimos, na chaminé de uma dama, afamada por seu talento de advinhadora, uma dezena de copos e, em cada um desses, figuras (corações, olhos, estrelas, losangos, triângulos, etc…) feitas na clara de ovo, com ácidos colorindo em azul, amarelo, malva e outras cores, segundo a necessidade da causa assim como conforme a riqueza do consulente.

Ela fazia boas “receitas” com esses meios pouco honestos, mas que pensar da mentalidade e da moralidade dos clientes que depositavam confiança nela?

Amigos leitores, termináramos aqui o que temos a dizer-vos para as principais e mais comuns mediunidades de que podeis encontrar indícios na vossa mão esquerda.

 

IV

 

Como tornar-se vidente

 

  1. a) Os Dons

 

Cremos dever transcrever aqui as seguintes linhas, tiradas de uma obra cujo preço e matérias, que contém, não podem estar ao alcance de todos.

Os nossos leitores apreciarão a nossa escolha com relação ao assunto, corroborando as idéias que nos levaram a escrever este pequeno volume.

Na página 498 do Livra Secreto dos Grandes Exorcismos e Bênçãos”, do Abade Júlio (*), no capitulo “Dons” lemos o seguinte: “Há dons de todas as espécies: dons físicos, dons naturais, dons espirituais e dons sobrenaturais.

“Os dons espirituais são: a intuição, o sono lúcido, a clariaudiência, a visão, a escrita medianímica, etc., etc., os dons sobrenaturais são: as manifestações externas, a bilocação, a profecia, a cura etc., etc.

(*) Abade Julio era o pseudônimo literário de Monsenhor J. E. Houssay, sobre quem o sr. R. Ambelaim escreveu um livreto de 63 páginas a que se refere La Revue Spirite, de Paris, n ° Jan/Fev de 1964. (N. T.)

“Pode-se ter esses dons ao nascer, pode-se desenvolvê-los, pode-se adquiri-los quando se não os tem, pode-se reconquistá-los quando se os perdeu. Mas, para certos dons, a queda é escorregadia e perigosa para os imprudentes, os não preparados ou os que só têm desejos terrestres. Os nossos olhares se elevam para bem mais alto, para o que vale a pena ser desejado.

“Muitos querem tudo saber, ser iniciados e imaginam que basta querer, ter, crer ter, para proceder eficazmente. É preciso, primeiramente, ter o dom que foi dado gratuitamente, seja ao nascer, seja no decurso da existência, pela dignidade da vida e elevação da alma. É necessário fazer verificar a existência desse dom por um iniciado: não basta crer que o possui. Algumas vezes e mesmo muitas vezes, é uma ilusão decepcionante que se paga, cedo ou tarde, cruelmente. Se o dom existe, pode-se desenvolvê-lo pela prece, pela iniciação, pela educação. Caminhar só é tropeçar no primeiro obstáculo e quebrar-se como um vidro.

“Para operar as invocações sublimes aos espíritos benfeitores e puros ou obter as graças superiores, é bom ter um lugar de recolhimento onde o vulgo não penetre, onde se possa orai sem ser incomodado por alguém e, sobretudo é preciso entrar no alto domínio da mística divina que é a santidade interior e não a de fachada dos pretensos santos de milagres enganadores.

Em tudo isto, nada de demoníaco há: Reneguemos toda a cooperação com os demônios, com os espíritos inferiores, desencarnados ou não encarnados. Nada temos de comum com eles.

“Adoramos um Deus único e veneramos os santos, canonizados ou não, que são os espíritos superiores. Que eles nos ajudem na nossa sagrada missão! Que eles nos abençoem e a vós que nos ledes! Glória ao Deus Único”.

E preciso não confundir a Vidência ou dom de ver com a Lucidez ou dom de prever.

A Lucidez é o resultado do fluído magnético humano sobre o cérebro de um sensitivo impressionável cujo duplo se exterioriza facilmente, se afasta e vai aonde se quer, onde o exige o consulente ou o magnetizador dessa pessoa, desse sujet.

A Vidência é um dom inato, pertencente à própria pessoa que o possui muitas vezes por transmissão assim como por hereditariedade. (1) Não é raro verem-se vários videntes na mesma família (em graus diferentes), tendo cada um uma especialidade própria. Um profetizará, outro receitará, um terceiro verá as almas dos caros desaparecidos dos consulentes, os descreverá, transmitindo-lhes conselhos, censuras etc.

(1) – Isto acontece muito entre os escoceses. Na família do autor sempre houve videntes. Aqui no Brasil, é comum a mediunidade nos brasileiros de origem índia ou africana, gente que vivia mais em contato com a natureza. (N.T.)

As diversas categorias de videntes hão existido em todos os tempos. A Tradição, os Velho e Novo Testamentos, as Vidas dos Santos e as Revistas Espíritas ou Espiritualistas nos têm fornecido milhares de exemplos de vidências.

Todos os humanos não são videntes assim como todos os sonâmbulos não são lúcidos, porém grande é o número dos que ignoram que podem torná-lo e é para estes que escrevemos este livro com um fim que cremos tão louvável quão útil.

Escrevemo-lo sem pretensão, mas sinceramente, como o fruto de nossas pesquisas, de nossas experiências. Indicaremos, simplesmente, como se pode reconhecer um Vidente, quais sinais indeléveis desta faculdade se distinguem dos outros sinais que indicam uma ou mais faculdades.

Dissemos, nos precedentes capítulos, que todas as faculdades do homem estão inscritas na mão esquerda, que elas esperam uma ocasião para se manifestarem e que como qualquer outra coisa deveriam ser estudadas, que o possuidor de tal ou qual faculdade deveria procurar desenvolvê-la, aumentar pouco a pouco o seu campo de ação e conduzir, sem fadiga, a sua vontade instintiva, os seus fluídos especiais para o fim a atingir e que ela seja destinada à cura das moléstias, a dar esperança aos deserdados, consolo às mães que privadas dos seus filhos (muitas vezes na flor da idade) e que, em sua dor, se revoltam contra Deus, que elas acusam de maldade, Ele, o Bom, o Justo.

Esses videntes privilegiados têm também o dever de se instruírem a fim de ficarem mais seguros de suas predições proféticas, quando recebem a missão de anunciar cataclismos, acidentes, impelidos que são a desvendá-los pelos espíritos superiores que velam por todos nós, pobres humanos.

Amigos que quereis tornar-vos úteis aos vossos irmãos, lede, bem atentamente, as linhas seguintes e compenetrai-vos delas.

Agi segundo a vossa consciência, conforme as vossas faculdades e recebereis, como fruto da vossa abnegação tanto quanto da vossa paciência, uma paz interior a nenhuma outra semelhante, pois adquiristes um dom precioso posto ao serviço dos sofredores, dos deserdados, dos provados, que vos fará encontrar amigos lá onde não suspeitais, ouvir hosanas lá onde havia gritos, murmúrios, prantos e lamentos.

Reconhece-se que se é Vidente por um Triângulo que nasce na linha da Sorte (2-2) e termina na linha do Sol, das Artes ou Apolônia (2-5) para os candidatos à Vidência, ao passo que, para os que viram ou vêem habitualmente, esse Triângulo se estende da linha da Sorte (2-2) à linha da Intuição ou de Mercúrio (2-6) embora ela corte a linha dita Via Láctea ou Via Lasciva, o que indica, no caso, uma faculdade em seu apogeu.

Se o Triângulo se dirige para o lado do Polegar, guardai-vos, amigos, de crer em vossa vidência. Esse triângulo invertido quer dizer Obsessão, Alucinação, Erro do Sentido Visual, produzidos por um falso guia, o vosso mau gênio.

Se o Triângulo invertido contém uma Cruz de Santo André, ficai prevenido de que as vossas falsas visões vos conduzirão, talvez, à prisão, porém mais seguramente ao suicídio. Sede, pois, prudentes.

Se o Triângulo (bem colocado) está sulcado de arabescos, de ziguezagues bizarros, há exagero em vossas visões e podeis ser tomado por impostor. Habituai-vos, pois, a dizer simplesmente o que vedes, sem recorrer a floreados.

Uma Cruz Latina no Triângulo indica que vos especializareis em visões anunciando Morte, o que não é nada alegre, na verdade, mas que tem a sua utilidade.

Talvez que os pesquisadores achem outros sinais além dos que assinalamos, mas parece-nos ouvir reclamar os a quem o título deste capítulo pôs água à boca porque anunciamos “Como tornar-se vidente” e só falamos dos que o são ou vão tornar-se em tal. Impacientes quão inquietos leitores, vamos procurar satisfazê-los e talvez mesmo reprovareis a nossa loquacidade. Com efeito, só temos que vos falar dos diversos meios empregados, em todos os tempos, para treinar na vidência: bola de cristal, copo d’água, clara de ovo etc.

Oxalá tenhamos atingido o fim a que nos propomos, instruir divertindo, por em guarda contra os falsos médiuns, defendendo, assim, a nossa causa contra os charlatões, também contra os nossos irmãos muito crédulos, mais prejudiciais que os materialistas, estes niilistas da evolução para o Belo e o Bem”

  1. Ouiste

Julgamos dever aproveitar a autorização que nos concedeu o sr. diretor da Casa Editoral A. – L. Guyot, de Paris, para inserir nesta obra algumas páginas e trechos do volume Astrologie Populaire, do Dr. Ely Star.

Do primeiro capítulo desta obra, destacamos as seguintes passagens, nas quais os nossos leitores deverão inspirar-se antes de levarem mais longe as suas investigações, os seus estudos, os seus ensaios.

Deixamos a palavra ao Dr. Star:

 

  1. b) A Predição do Futuro

 

“Lembro-me de já ter dito numa de minhas obras: a presciência é a memória do futuro.

Este aforismo é absolutamente justo, pois prever é ver antes, ou, se a nossa memória, que não é, em suma, senão o depósito das idéias ou sensações armazenadas no reservatório psíquico do nosso cérebro, pode, sob o esforço da vontade, fazer-nos recordar essas mesmas idéias ou sensações, alegres ou tristes, agradáveis ou desagradáveis, partes sempre do nosso passado, que não são, em resumo, senão fatos conhecidos de nós, cuja imagem nos recorda, cada vez mais fracamente, à medida que os dias se sucedem aos dias, os sonos aos sonos, a idéia primitiva ou a sensação recebida, mais ou menos afastada da nossa percepção presente.

Mas, ao lado da memória, que é o tesouro das idéias, há em nós uma outra faculdade cuja missão é de olhar não para trás e sim para diante, não de ver ou de recordar ao pensamento fatos já conhecidos mas sim de evocar fatos desconhecidos no misterioso domínio do futuro, faculdade essa que cada um possui em si, num estado de desenvolvimento mais ou menos adiantado segundo a idiossincrasia do sensitivo, seu temperamento, seus dons inatos ou às influências do meio em que a sua existência decorre, que tem, na realidade, vários nomes segundo o seu grau de desenvolvimento.

Nas naturezas puramente instintivas, essa faculdade não é outra coisa que o instinto, porém, em um grau mais elevado, se chama pressentimento; nos seres ainda mais afinados toma o nome de previdência; enfim, no iniciado que se desenvolveu psiquicamente, ela toma o nome de vidência.

A História nos revela que, em todos os tempos, houve profetas e adivinhos. A Bíblia conta que a pitonisa de Endor evocou a sombra de Samuel, antes de batalha de Gelboé, diante de Saul espantado de ouvir sair o prenúncio de sua morte dos lábios gélidos da sepulcral aparição.

Ela, nos recorda, escrupulosamente, as predições, sempre exatas, dos grandes e pequenos profetas e todas essas profecias, quer antigas quer modernas, que sempre tiveram a sua fonte na inspiração.

Todo o ser equilibrado pode ser inspirado em sua hora, seja pelo pressentimento, a intuição, a dupla visão sonambúlica ou a vidência espontânea.

O magnetizador provocando a segunda vista e o Espiritismo, por meio dos seus médiuns, obtêm, às vezes, revelações ou comunicações de surpreendente exatidão.

Quanto às ciências divinatórias, qualquer que seja o meio empregado, é quase sempre pela intuição que os fatos a sucederem, quer concernentes ao destino de um povo ou de um indivíduo, podem ser exatamente preditos.

Fora de suas necessidades materiais, de suas aspirações cordiais e de suas ambições sociais, o espírito do homem sempre instintivamente se voltou para as futuras contingências que lhe reserva o seu misterioso porvir.

O dia de ontem nos é conhecido, mas sabemos o que nos reservará o amanhã que não é senão o desconhecido que nos atrai e nos preocupa mais? E sempre, desde que ele existe e pensa, o homem teve a consciência desse meio astral onde ele estava antes de nascer, onde, em cada noite, durante o seu sono, vai retemperar as suas energias morais e a sua força finita e para onde ele pressente que voltará ao terminar a sua união forçada com a matéria, quando então a sua alma – como uma radiosa borboleta que acaba de abrir a sua incomoda crisálida – evolará livremente no éter em busca da Luz Espiritual!

A adivinhação é nascida da fé no Futuro! Que é o Passado? Um redemoinho tenebroso onde se sumiram, misturadamente, as nossas ilusões fenecidas, as nossas esperanças perdidas, as nossas ambições reduzidas ao nada, ao passo que o Futuro, esse mágico prometedor, esse falaz mercador de quimeras, esse hábil idealizados de realizações, nos aparece, sempre, como um gênio benfeitor cuja rósea túnica flutuante se destaca sobre um fundo azul, no meio da miragem encantadora para o qual tendem as nossas mais intimas aspirações e as nossas mais caras esperanças!

Sabe-se que os livros santos, a Bíblia e a Imitação, apresentam, algumas vezes, oráculos de uma justeza surpreendente.

Tudo se compensa neste mundo cá de baixo e, pessoalmente, seríamos bem levados a crer que, em matéria de adivinhação, a intuição natural irá mais longe do que a Ciência e que quanto mais simples for o ajudante de que servirá mais se terá ocasião de roçar a Verdade. E por que quereis que o espírito despreze as pessoas honestas que não sabem ler? O espírito sopra onde quer e quando quer. Quanto mais um ser humano estiver perto da natureza mais instintivo e mais ser apto estará a receber os influxos naturais em toda a sua pureza.

Jeanne d’Arc não sabia ler e o santo cura d’Ars, o maior taumaturgo do último século, jamais pôde aprender o latim.

Um homem do mundo, imbuído dos preconceitos da sua casta, um sábio cheio de logaritmos, um político cego pela ambição, não serão jamais intérpretes da Luz! Para se ouvir a voz melodiosa do espírito inspirados, é preciso ser um entusiasta das obras do Espírito: todos os poetas, os filósofos religiosos, os inspirados, são amantes das belezas da natureza e dos crentes.

Diz-se, com razão, que o ateísmo nunca produziu senão dicionários e canções báquicas. Crer nas coisas extraterrenas, colocar a sua confiança antes no Invisível que nas coisas materiais, transitórias e puramente ilusórias, admitir a possibilidade da revelação não é fazer ato de loucura como muitos supõem. E ao contrário, preferir a Verdade imutável à lógica, sempre recheada de erros.

A arte de predizer exatamente o futuro se reduz à arte de conhecer a Humanidade, mas este conhecimento último depende exclusivamente da arte de se conhecer a si mesmo. O que ignora a si próprio não será jamais um vidente: adivinho é sinônimo de divino; a arte de predizer é ao mesmo tempo uma arte sacerdotal e real, não a arte de enganar e fazer dinheiro.

A vida dos santos está repleta de predições que o tempo justificou. Não existe um adepto que conheça os destinos futuros do seu país do mesmo modo que adivinhará, se quiser, o futuro de tal ou qual indivíduo tão bem quanto de suas próprias contingências individuais.

A intuição é para o pensamento o que a luz é para a chama; os meios empregados para estimular a intuição e fazer jorrar a Luz podem variar ao infinito, mas a resplandecente Verdade é uma. Verdade e Unidade são sinônimos.

O que nos leva naturalmente a conhecer o futuro não é sempre uma vã curiosidade, é também e sobretudo o instinto.

Para todos, ricos e pobres, ignorantes ou sábios, o futuro é a esperança e a esperança é um empréstimo feito à felicidade.

Quando o espírito não vem a nós espontaneamente pela via intuitiva ou pelos nossos pressentimentos, ele está sempre pronto a consentir objetivamente em quaisquer processos postos em jogo pela imaginação, o desejo ardente e a boa-fé do interrogador. Tudo depende da confiança deste último no método empregado. Quer isto dizer, todavia, que seja preciso abandonar todos os estudos especiais que cada um dos ramos da adivinhação comporta? Não pensamos assim. Achamos, porém, justo provar que, para o espírito, não há “alto” nem “baixo” na sociedade e que se ele consente, às vezes, em se manifestar em suntuosas moradas, parece se comprazer melhor, habitualmente, no meio de naturezas simples e retas, de gostos modestos e de fé sincera, em suas pobres habitações, onde a pobreza toma o lugar do luxo e onde os sentimentos maus, tais como a inveja e a ambição, foram para sempre banidos.

A estrela que brilhava radiosa no alto do humilde estábulo de Belém é uma garantia disto. Das profundezas do Infinito, ela irradiava sobre o miserável teto da cabana em que Redentor acabava de nascer, de pais pobres e exilados, sobre a palha de um estábulo, entre bois, símbolo do trabalho, e um asno, símbolo da paciência resignada.

Diante desse quadro sobre-humano, três reis magos, guiados pela estrela misteriosa, prestaram ao recém-nascido, todo aureolado de uma luz deslumbrante, a tríplice homenagem com que o reconheciam por seu saber transcendental: como homem, com a mirra; como rei, com o ouro; como Deus, com o incenso.

Nesse dia, sempre memorável, a Ciência Astrológica, antiga como a Esfinge de Gizé, de humana que então era, foi por esse fato, divinizada”.

Ely Star.

 

 

 

 

 

V

 

Conclusão

 

 

Esforçamo-nos em examinar, fielmente, a parte essencial das principais mediunidades. Contentar-nos-emos, para terminar, em aditar algumas reflexões racionais.

Todos estes fenômenos foram observados por testemunhas dignas de fé e cada um, com um pouco de boa vontade, poderá renovar uma experimentação relativamente fácil, em condições de se cercar de todas as precauções possíveis. Deve-se lembrar bem de que uma curiosidade malsã deve ser afastada.

Se os investidores são de boa-fé e se acham animados do amor do Bem tirarão, sem dúvida, imensa vantagem de sua experimentação conscienciosa.

Todo o mundo fala hoje de Espiritismo e de suas diversas manifestações, porém, com exceção de todos os iniciados e de um regular grupo de sábios e pensadores que tiveram o trabalho de estudá-lo, nada iguala à ignorância do povo a seu respeito.

Quando, pela primeira vez, se estuda seriamente a questão, experimenta-se uma verdadeira estupefação e se percebe que a literatura especial do Espiritismo contém numerosas obras de um valor inesperado e de um grande interesse.

Quando se lê, se estuda e se instrui a respeito, verifica-se logo que muitos sistemas filosóficos que os entretiveram durante tanto tempo são bem inferiores ao Espiritismo.

Esta pequena obra é apenas uma breve compilação destinada a despertar a curiosidade dos investigadores para os levar a folhear, um pouco, os belos livros que se têm escrito sobre o Espiritismo e as Ciências Psíquicas.

Afirmamos, peremptoriamente, que os leitores não serão nunca enganados e que, sem esforços, chegarão a compreender fatos considerados até aqui como sobrenaturais, em conseqüência da ignorância, da tolice e do dogmatismo religioso.

Oxalá possamos atingir o fim a que modestamente nos propomos: desenvolver a emulação de todos para melhor conhecerem as modalidades diversas das leis naturais que regem o mundo visível e o mundo invisível. Nenhum homem, nenhum pensador, nenhum sábio, pode desdenhar estes apaixonantes problemas.

A humanidade terrena está sempre trêmula diante da pedra tumular e do perturbador mistério que ela parece encerrar.

Um pouco de lógica, um pouco de reflexão, um pouco de boa vontade, bastam para acalmar a alma inquieta.

Um pouco de esforço, um pouco de estudo, um pouca de ciência, bastam também para torná-la forte e para decifrar, em parte, o enigma da vida e da morte.

E não é apenas uma promessa formal que fazemos aqui, é uma verdade, muito tempo desconhecida, que oferecemos, na Terra, aos homens de boa vontade.

Paul Bodier

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VI

 

Objetos para desenvolver algumas mediunidades

 

 

 

  1. a) A prancheta de escrita automática

 

Conhecem-se duas espécies de pranchetas móveis de que se servem, habitualmente, os médiuns.

Uma delas, dita prancheta de escrita automática, (conforme o modelo acima), é composta de uma mesinha de acaju, de forma triangular, munida, na base, de duas roldanas.

No alto, uma armação metálica provida de um pequeno parafuso permite fixar um lápis cuja ponta, repousando ao mesmo tempo que as roldanas sobre uma folha de papel, traça, de acordo com as mediunidades dos experimentadores que colocam as suas mãos sobre a prancheta, sinais, palavras ou desenhos.

A outra, dita prancheta de índice, é também composta de uma mesinha de acaju repousando sobre quatro pés feltrados dos quais um, mais longo, colocado diagonalmente, designa as letras escolhidas sucessivamente, no quadro alfabético, diante do qual se move o aparelho.

Estas duas espécies de pranchetas apresentam, todavia, o inconveniente de uma mobilidade insuficiente que, ocasionando certa fadiga aos médiuns, prejudica a rapidez e a qualidade das comunicações.

Numa nova espécie de prancheta, o inventor da mesma, um hábil mecânico, reuniu os característicos das duas pranchetas precedentes e o aperfeiçoamento feito consiste em quatro pés baixos munidos de um sistema de bolinhas rolando sobre bolinhas, dando um movimento fácil ao aparelho.

Uma flecha de metal desempenha o papel de índice quando os experimentadores se comunicam com o Invisível pelo alfabeto ou oui-ja. Se desejam obter a escrita automática, só têm que retirar a flecha e substituí-la por um lápis.

 

 

 

  1. b) O Comunicador dos Espíritos

 

Este aparelho, chamado pelos ingleses The Spirit Communicator, é uma espécie de prancheta com a diferença de que o indicador se move sempre na mesma direção de números, letras e sinais, e não sobre um quadro alfabético, como a prancheta de índice.

 

 

  1. c) O Quadro Alfabético

 

O acessório indispensável à prancheta de índice, de que se tratou nesta obra, é o quadro alfabético de papelão, do modelo acima.

Este quadro de papelão oferece sobre os quadros alfabéticos de madeira a vantagem de ser menos espesso e volumoso. Além disto, o material empregado na sua construção favorece o deslocamento silencioso da prancheta de bolinhas nos pés e os caracteres do alfabeto se destacam em preto sobre o branco e são mais nítidos e legíveis.

 

 

  1. d) A Bola de Cristal

 

O presente desenho dá uma idéia real do que é a bola de cristal.

Geralmente, a bola é colocada sobre um suporte de madeira envernizada de preto, em lugar de posta sobre um pano preto ou escuro, como aparece acima, servindo o pano para enrolá-la depois de terminada a experiência, quando é colocada em uma caixa apropriada.

 

 

  1. e) A Trombeta de Alumínio

 

Nas experiências de “voz direta”, usa-se, geralmente, uma trombeta ou uma corneta de alumínio, o mais leve possível, da qual os espíritos se utilizam para materializarem as suas vozes, com o auxilio de um médium de efeitos físicos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VII

 

Pequeno Dicionário de termos usados no Espiritismo

 

 

Com o fim de tornar mais útil o presente Guia da Mediunidade, elaboramos este pequeno dicionário de termos usados no Espiritismo, dicionário que poderá ser ampliado e melhorado em qualquer oportunidade.

 

A

 

ALMA – ser inteligente, de matéria quintessenciada, unido ao corpo durante a vida terrena. Geralmente é empregado como sinônimo de espírita.

ANIMISMO – estudo das manifestações da alma ou espírito, quando encarnado.

ANÍMICO – fenômeno que diz respeito à alma.

AGENTE – pessoa que ocasiona um fenômeno.

AURA – emanação fluídica da alma.

APARIÇÃO – fenômeno pelo qual os espíritos desencarnados se fazem visíveis.

ALUCINAÇÃO – falsa percepção causada por uma sensação real no estado de vigília.

ADEPTO – profitente de uma doutrina espiritualista e também sinônimo de iniciado.

AMBIENTE – nome que se dá ao que é formado pelas mentes dos assistentes de uma sessão espírita e do qual dependem os seus resultados.

 

B

 

BILOCAÇÃO – presença simultânea de uma mesma pessoa em dois lugares diferentes, partos ou afastados.

 

 

C

 

CLARIAUDIÊNCIA – conhecimento supranormal de coisas realizadas ou a realizar, por meio dos órgãos auditivos ou ouvidos.

CLARIAUDIENTE – o que ouve a voz dos espíritos.

CLARIVIDÊNCIA – conhecimento supranormal de coisas realizadas ou a realizar, por meio dos órgãos da visão ou olhos da alma, melhor dizendo.

CLARIVIDENTE – o que vê claro no plano espiritual.

COMUNICAÇÃO – mensagem escrita ou falada por um espírito desencarnado.

CONTRÔLE – termo pelo qual os espíritas anglo-saxões designam o espírito-guia e que corresponde, no Catolicismo, ao anjo da guarda.

CURADOR – nome pelo qual se designa o médium que cura pela imposição das mãos ou por meio de passes.

 

D

 

DESDOBRAMENTO – sinônimo de bilocacão.

DESENCARNAÇÃO – termo que designa exatamente o fenômeno por meio do qual o espírito deixa, pela chamada morte, a carne ou corpo físico.

DESENCARNADO – estado do espírito no outro mundo ou espiritual.

DESMATERIALIZAÇÃO – fenômeno que consiste no desaparecimento, mais ou menos rápido, de partes do corpo humano ou mesmo deste completo, que depois é rematerializado.

DESOBSESSÃO – termo com o qual se designa o tratamento das obsessões

DUPLO – nome com que se designa também o períspirito.

 

E

 

ESPIRITISMO – nome dado por Allan Kardec à doutrina que codificou, baseada nos ensinos dos espíritos desencarnados e em provas experimentais.

ESPÍRITA – adepto ou profitente do Espiritismo, também espiritista.

ESPIRITUALISMO – doutrina baseada na existência do espírito imortal.

ESPIRITUALISTA – nome pelo qual se designa quem crê na existência do espírito.

ESPÍRITO – ser inteligente ou alma, quando liberto da carne ou corpo físico pela desencarnação.

ENCARNADO – nome dado quando o espírito está unido ao corpo físico ou carne.

EFLÚVIO – emanação fluídica que sai muitas vezes das mãos do médium por ocasião dos passes espíritas.

ECTOPLASMA – espécie de matéria que sai geralmente da boca e das narinas do médium para materializar o espírito.

ENTIDADE – sinônimo de espírito desencarnado, também chamado inteligência.

EVOCAÇÃO – meio pelo qual se pede a presença, com a permissão de Deus, de determinado espírito desencarnado.

ERRATICIDADE – lugar em que erram os espíritos desencarnados em estado de perturbação espiritual ou de ignorância.

ESTADO DE RELAÇÃO – elo invisível que liga uma pessoa à outra, principalmente nos passes mediúnicos, depois do contato.

 

F

 

FANTASMA – duplo dos vivos ou aparição semi-materializada.

FASCINAÇÃO – sedução produzida por um espírito desencarnado com o fim de levar um vivo por um caminho errado na Terra.

FLUIDO – matéria em estado invisível.

 

H

 

HIPNOTISMO – estudo dos fenômenos produzidos por uma pessoa em estado de hipnose ou sono hipnótico.

 

 

I

 

IDENTIDADE – conjunto de elementos minuciosos por meio dos quais se verifica, no momento ou posteriormente, se o espírito, comunicante é realmente quem diz ser, ao fornecer detalhes verificáveis de sua vida terrena.

INTUIÇÃO – conhecimento antecipado de algo que irá acontecer.

INVOCAÇÃO – prece, apelo espiritual.

 

L

 

LEVITAÇÃO – suspensão de uma pessoa ou coisa no ar por meio de forças mediúnicas geralmente invisíveis.

LUCIDEZ – sinônimo de clarividência na maioria dos casos, podendo verificar-se no estado normal ou sonambúlico, em que o sujet ou médium vê, a grandes distâncias, o que não vê normalmente.

LETARGIA – estado patológico em que a pessoa fica privada do uso dos seus sentidos normais.

LIVRE ARBÍTRIO – diz-se da vontade concedida ao espírito de escolher o seu próprio caminho na vida terrena ou espiritual. Sinônimo de livre alvedrio ou vontade própria.

LEI DE CAUSA E EFEITO – lei que se acha ligada à do livre arbítrio, ou como se diz “Quem com ferro fere com ferro será ferido”, isto é, quem desejar mal ao seu semelhante sofrerá o choque de retorno ou volta do mal desejado contra si próprio. É a lei do carma.

 

M

 

MÉDIUM – palavra latina que designa a pessoa que serve de intermediário entre os dois mundos: o terreno e o espiritual.

MEDIUNIDADE – faculdade dos médiuns de produzirem os fenômenos ditos mediúnicos ou medianímicos.

MATERIALIZAÇÃO – aparição momentânea de um espírito graças aos fluidos do médium e das presentes ou o ectoplasma do médium de materialização.

MAGNETISMO – ação de correntes magnéticas produzidas por um magnetizador, muitas vezes médium curador.

MENSAGEM – comunicação dada, por vários meios, pelo espírito desencarnado.

MESAS FALANTES – tripés ou quaisquer espécies de mesa de madeira ou vime utilizadas para as experiências de tiptologia.

MOLDAGEM – fenômeno que consiste, em obter, na parafina, formas de mãos, pés etc.

MORTE – separação do corpo físico e do espírito. Sinônimo de desencarnação.

 

O

 

OBSESSÃO – influência exercida por um espírito desencarnado sobre uma pessoa viva por vingança e muitas vezes por ignorância do seu estado espiritual.

OBSESSOR – espírito que exerce a sua ação maléfica sobre um ser vivo.

OUI-JA – prancheta usada para o recebimento de comunicações ou mensagens espirituais sem incorporação.

OCULTISMO – doutrina que estuda os mistérios da natureza e os poderes psíquicos latentes na espécie humana.

 

P

 

PERISPÍRITO – envólucro semi-material do espírito que serve de intermediário entre o espírito e a matéria.

PERSONALIDADE MEDIÚNICA – sinônimo de espírito manifestando-se por um médium.

PSICOGRAFIA – escrita mediúnica recebida pela mão do médium.

PSICÓGRAFO – sinônimo de médium escrevente.

POSSESSÃO – domínio de um corpo humano por um espírito estranho, com intuitos maléficos. Sinônimo de obsessão.

PREMONIÇÃO – previsão ou precognição de um acontecimento a realizar-se.

PSICOMETRIA – fenômeno pelo qual um sensitivo revela fatos relacionados com pessoas ou coisas, segurando, embrulhado, em uma das mãos e sem saber o quê, algo pertencente a tal pessoa, que pode estar presente ou longe.

PSICÔMETRA – sensitivo que possui a faculdade de psicometria.

PERCIPIENTE – pessoa que percebe o fenômeno mediúnico.

PNEUMATOLOGIA – escrita direta dos espíritos, isto é, sem a intervenção de um médium.

PSICOLOGIA – parte da filosofia que trata da alma, suas faculdades e manifestações no mundo.

PSÍQUICO – fenômeno que diz respeito à alma, como fenômeno psíquico ou espírita.

PALINGENESIA – doutrina da reencarnação.

PARANÓIA – enfermidade mental semelhante à loucura.

PARANÓICO – pessoa que padece de paranóia ou loucura.

POLTERGEIST – palavra alemã que indica o espírito barulhento ou assombrador, que perturba casas atirando pedras nelas ou fazendo levitar objetos domésticos etc.

PARAPSICOLOGIA – metapsíquica mental com a qual se tenta explicar não só os fenômenos anímicos como os indiscutivelmente espíritas, isto é, produzidos por espíritos já desencarnados.

PICTOGRAFIA – variante da escrita automática, com a qual se obtém um desenho ou uma pintura dita espírita.

POLÍGRAFO – termo com que se designa o médium escrevente que recebe mensagens com muitas caligrafias e sobre assuntos diversos.

PRECOGNIÇÃO – sinônimo de premonição ou previsão de acontecimento a realizar-se.

PREEXISTÊNCIA – vida anterior do espírito em sua série ininterrupta de existências.

PRESSENTIMENTO – antevisão vaga de algo que irá acontecer.

PRESCIÊNCIA – conhecimento prévio de coisas futuras.

PROTETOR – sinônimo geralmente de espírito-guia, porém um médium pode ter mais de um protetor.

PSICOLOGIA – transmissão do pensamento dos espíritos pela voz de um médium falante ou de incorporação.

R

 

REENCARNAÇÃO – volta dos espíritos à vida terrena para pagamento de faltas aqui cometidas ou por alguma missão especial.

RAPS – palavra inglesa com a qual se designam os golpes, pancadas ou batidas mediúnicas.

RENASCIMENTO – sinônimo de reencarnação, que não deve ser confundido com metempsicose ou reencarnação às vezes em animais, o que o Espiritismo não admite.

REGRESSÃO DA MEMÓRIA – fenômeno magnético sugestivo pelo qual se faz um sensitivo voltar ao passado em ordem inversa das idades, isto é, de velho a moço e de moço à criança, inclusive em vidas anteriores.

 

S

 

SENSITIVO – pessoa cuja sensibilidade é bem desenvolvida.

SOMBRA – sinônimo geralmente de fantasma.

SUBJUGAÇÃO – domínio de um espírito desencarnado sobre um ser vivo, levando-o a agir contra a sua própria vontade, que é anulada por ele.

SUGESTÃO – ação pela qual se projeta uma idéia sobre uma pessoa sugestionável.

 

T

 

TRANSE – estado especial do médium durante a comunicação, por incorporação, de um desencarnado.

TELECINÉSIA – movimento produzido à distância, sem contato visível.

TELEPATIA – transmissão da mente de uma pessoa para a mente da outra, perto ou afastada.

TRANSPORTE – fenômeno pelo quer objetos são levados de fora para dentro (apport) e de dentro para fora (asport), em um recinto mesmo hermeticamente fechado.

TIPTOLOGIA – comunicação espírita por meio de golpes ou batidas na mesa mediúnica ou em outro lugar.

TRANSFIGURAÇÃO – fenômeno pelo qual a fisionomia de um médium se transforma na do espírito que se manifesta por seu intermédio.

TRÍPODE OU TRIPÉ – mesinha mediúnica de madeira ou vime usada nas experiências de tiptologia.

TROMBETA – instrumento usado nas experiências de voz direta, em que os espíritos falam como em um microfone, sem a incorporação no médium.

 

U

 

UBICUIDADE – sinônimo de bilocação, em que o espírito se desprende do corpo e se afasta às vezes para lugar bem distante.

UMBRAL – zona espiritual inferior em que permanecem os espíritos maus e empedernidos.

 

V

 

VAMPIRISMO – ação dos espíritos maus sobre os seres vivos, provocando discórdias de todas as espécies, doenças, obsessões etc.

VATICINIO – predição, prognóstico.

VIDÊNCIA – faculdade de ver o que os olhos humanos não percebem no plano espiritual. Para haver boa vidência é preciso bom ambiente.

 

X

 

XENOGLOSSIA – faculdade de falar ou escrever em mais de uma língua ou idioma, muitas vezes desconhecidos dos presentes.

 

    Francisco Klors Werneck

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