…Hitler não morreu…o euro unificou a Europa…e…’Mein Kampf’ foi relançado!!!´-/ #3ªworldwariscoming

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…’Mein Kampf’ é o título do livro  constituído por dois volumes de autoria de Adolf Hitler, no qual ele expressa sem nenhum pudor e/ou escrúpulos, os seus ideais xenófobos e/ou anti-semitas, raciais e nacional-socialistas, então adotados pelos partido Nazi, no período negro que culminou com a segunda guerra mundial que aparentemente acabou, mas resta ainda um último ‘front’ desse conflito na fronteira entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, que desde aqueles tempos ainda mantém a militarização da suas zonas de fronteiras, tendo cada um, apoio de uma “facção” mundial…com o fim dos conflitos principais em 1945, o mundo judeu ganhou a oportunidade de se reunir em Jerusalém, com a criação do Estado de Israel por determinação das Nações Unidas, como forma de proteger o que restou do “povo escolhido” depois do holocausto provocado pelo pensamento xenófobo exposto nesse trabalho literário, que acaba de ser relançado na Europa em tempos mais propícios impossíveis, pois com a retomada do poder dos partidos de extrema direita, com a anuência dos cidadãos nacionalistas e/ou conservadores dos países europeus, invadidos pelos refugiados do oriente médio e dos conflitos africanos… já se fala em reunir os refugiados em “áreas propícias”, e/ou, campos de concentração em vários lugares para abrigar “humanitáriamente”, eles juram… o certo mesmo é que os Estados Unidos já dispõem dos campos da FEMA, com caixões coletivos e tudo mais, faltando apenas instalar as câmaras de gás, assim que o Donald Trump assumir o governo…eu, sinceramente recomendaria a todos os brasileiros no exterior voltarem pro seu país, por aqui ainda não temos noticias de campos de concentração em construção, mas, com a quantidade de políticos e seus assessores sendo presos por corrupção, até que não seria uma má idéia… com câmara de gás e todos os opcionais usados pelos nazistas na Alemanha de outrora e alvo principal do fluxo migratório internacional causado pela fuga em massa dos habitantes de países em conflito, será que eles não percebem a “ratoeira” em que eles estão se metendo? então espero que o relançamento dessa “obra prima” da intolerância os faça enxergar a mensagem do Estado da Baviera está mandando para quem souber entender…e/ou… a quem importar possa…

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O primeiro volume dessa obra prima da intolerância e preconceito foi escrito na prisão e editado em 1925, o segundo, escrito já fora da prisão, foi editado em 1926.A obra foi um guia ideológico para os nazis e, ainda hoje, influencia os neonazis, sendo denominado por alguns como a Biblía Nazi.
É importante ressaltar que as ideias propostas no Mein Kampf não surgiram com Hitler, mas sim de teorias e argumentos então vigentes na Europa.
Na Alemanha nazi era uma exigência não oficial possuir o livro. Era um presente comum às crianças recém-nascidas ou como presente de casamento. Todos os estudantes o recebiam aquando da sua formatura.

Hitler começou a ditar o livro a Emil Maurice, enquanto estava preso em Landsberg, e depois de Julho de 1924 passou a ditar a Rudolf Hess que, posteriormente, com a ajuda de especialistas, aos poucos, editou o livro.
Devido à sua peculiar natureza verbal, a obra original mostrava-se repetitiva e de difícil leitura, pelo que precisou de ser escrita e rescrita, antes de chegar à editora.
A obra foi dedicada a Dietrich Eckart, membro da Sociedade de Thule.

O título original da obra era Viereinhalb Jahre [des kampfes] gegen Lüge, Dummheit und Feigheit (Quatro anos e meio de luta contra mentiras, estupidez e cobardia), mas Max Amann, o responsável pelas publicações  nazis, achou que o título para além de confuso era longo, acabou por abreviá-lo para Mein Kampf (A minha luta). Amann ficou desapontado com o conteúdo da obra, pois esperava uma história pessoal detalhada de Hitler, com enfâse no Putch da Cervejaria, que acreditava, ser uma boa leitura. Hitler, no entanto, preferiu não entrar em demasiados detalhes acerca da sua vida pessoal e não escreveu nada acerca do Putch.
O primeiro volume, intitulado Eine Abrechnung, é essencialmente autobiográfico e foi publicado a 18 de Julho de 1925. Já o segundo volume, Die Nationalsozialistische Bewegung (O movimento nacional-socialista), expressa a doutrina nazi e foi publicado a 11 de Dezembro de 1926, no qual incluiu a dedicatória a Eckart.

É aqui que o autor esclarece quando é que se tornou um nacionalista, logo na infância, na época de estudante:
«Incomparavelmente melhores eram os meus trabalhos em geografia e, sobretudo, em história. Eram essas as duas matérias favoritas, nas quais eu fazia progressos na classe.
Quando, depois de muitos anos, examino o resultado daqueles tempos, vejo dois fatos de muita significação:
Tornei-me nacionalista.
Aprendi a entender a história pelo seu verdadeiro sentido.»
As primeiras ideias do livro são aquelas que mais tarde foram aplicadas durante a Alemanha Nazi, na Segunda Guerra Mundial.
Destaca-se o amor ao povo alemão de Hitler, o qual aceita, entre outras teorias, Os Protocolos dos Sábios de Sião.
Hitler desejava transformar a Alemanha num novo tipo de Estado, que se alicerssasse com o conceito de raças humanas e incluísse todos os alemães que viviam fora da Alemanha, estabelecendo o Führeprizip – conceito de líder -, em que Hitler dita que ele deveria deter grandes poderes, estabelecendo uma ideologia universal (Weltanshauung).
O livro é dominado pelo anti-semitismo, enfatizando o “perigo judeu”, em que fala de uma conspiração judaica para ganhar a liderança do mundo. Por exemplo, Hitler diz que o idioma internacional, Esperanto, faz parte da conspiração judaica, comentando a favor da antiga ideia nacionalista alemã do Drang nach Osten, a necessidade de ganhar território – o Lebensraum (espaço vital) para o leste, especialmente na União Soviética. Esta terra nova alimentaria o “destino histórico” do povo alemão (isto justifica porque Hitler invadiu a Europa, tanto a este como a oeste, antes de lançar o ataque à União Soviética)
Outro aspeto importante é o posicionamento político claramente anti-comunista e uma preocupação evidente com a expansão da ideologia marxista, tida pelo autor como “uma ideia tão judaica quanto o próprio capitalismo”.
Assim, Adolf Hitler mostra a sua aversão àquilo que considera os dois males gémeos do mundo: o comunismo e o judaísmo, mostrando a sua intenção de erradicá-los.
Hitler usou como tese principal O Perigo Judeu, que fala sobre a conspiração dos judeus para ganhar a liderança na Alemanha. No entanto, o livro também é autobiográfico, oferecendo detalhes da infância de Hitler e o processo pelo qual ele se tornou um nacionalista, depois um antissemita e, finalmente, um militarista, tendo sido marcado pela sua juventude em Viena, Austria.
O autor descreve-se apresentando-se a si mesmo como o Übermensch, frequentemente traduzido como o “superhomem”, termo usado por Friedrich Nietzche (tratava-se de um homem que conseguia controlar o seu instinto e canalizar esta força para fazer algo criativo).

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Entre as fontes utilizadas por Adolf Hitler para escrever o Mein Kampf, destaca-se “O Judeu Internacional: o primeiro problema do mundo” (1920), do industrial americano Henry Ford, financeiro de Hitler e admirador das suas ideias (Ford é o único americano citado no livro de Hitler).
É de referir  os dois capítulos que Hitler dedicou à propaganda e ao seu estudo. Tratou-se de um fator muito importante para o Partido nazi e para si, enquanto líder do partido e mais tarde como líder do povo alemão, como se via a si mesmo. Para Hitler a propaganda era um instrumento para a venda de propostas políticas no mercado de massas. Os consumidores de propaganda eram as massas e não os intelectuais. Não fez qualquer tentativa de esconder o seu desprezo por estas mesmas massas nem o que faria quando estivesse no poder. Na sua opinião tratava-se de individuos influenciáveis e corruptos, «esmagadoramente femininos por natureza e atitude», e, como tal, o seu modo de sentir não era complexo, «mas muito simples e consistente». Assim, a propaganda dirigida às massas tinha de ser simples, tinha de se concentrar no menor número de elementos possível, que teriam de ser repetidos muitas vezes, e girar em torno de aspetos emocionais como o amor e o ódio.

O lançamento do livro teve um sucesso modesto. Em 1929 só foram vendidos 23.000 exemplares do primeiro volume e 13.000 do segundo. No entanto, após 1930, a tiragem aumentou grandemente: só em 1935 vendeu 1,5 milhões de exemplares. A partir de 1936 passou a ser um presente de casamento para os novos casais alemães.
Ian Kershaw estima uma tiragem à volta dos 10 milhões de exemplares na Alemanha, antes de 1945.
O livro foi traduzido para 16 idiomas, incluindo uma dúzia pelo editor oficial. Por razões políticas, as versões traduzidas foram frequentemente expurgadas, modificadas ou inexactas.
A partir de 1933 o livro passou a ser uma referência política e foi editada em vários formatos, incluindo uma de luxo destinada aos dignatários nazis. Assim como uma versão em braille.
Em 2008 as vendas totais de Mein Kampf estimavam-se  à volta dos 80.000.000 de exemplares.
Os direitos do livro, que pertenciam a Adolf Hitler, foram entregues ao Estado da Baviera, por ordem do mesmo. O Estado da Baviera recusa-se a republicar e permitir republicações do livro, por isso o mesmo não se encontra mais à venda, porém tais direitos cairão em domínio público no dia 31 de Dezembro de 2015, quando poderá ser editado e traduzido por outras editoras.

«Prefácio
No dia 1º de Abril de 1924, por força de sentença do Tribunal de Munique, tinha eu entrada no presídio militar de Landsberg sobre o Lech.
Assim se me oferecia, pela primeira vez, depois de anos de ininterrupto trabalho, a possibilidade de dedicar-me a uma obra, por muitos solicitada e por mim mesmo julgada conveniente ao movimento nacionalista.
Decidi-me, pois, a esclarecer, em dois volumes, a finalidade do nosso movimento e, ao mesmo tempo, esboçar um quadro do seu desenvolvimento.
Nesse trabalho aprender-se-à mais do que numa dissertação puramente doutrinária.
Apresentava-se-me também a oportunidade de dar uma descrição da minha vida, no que fosse necessário à compreensão do primeiro e do segundo volumes e no que pudesse servir para destruir o retrato lendário da minha pessoa feito pela imprensa semítica.
Com este livro eu não me dirijo aos estranhos, mas aos adeptos do movimento que ao mesmo aderiram de coração e que aspiram esclarecimentos mais substanciais.
Sei muito bem que se conquistam adeptos menos pela palavra escrita do que pela palavra falada e que, neste mundo, as grandes causas devem o seu desenvolvimento não aos grandes escritores, mas aos grandes oradores.
Isso não obstante, os princípios de uma doutrinação devem ser estabelecidos para sempre por necessidade da sua defesa regular e contínua.
Que estes dois volumes valham como blocos com que contribuo à construção da obra coletiva.
O Autor
Landsberg sobre o Lech
Presídio Militar»

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Contexto Político

Para se entender a razão pela qual o Mein Kampf foi escrito e aceite, há que compreender as realidades sociais e políticas da época.
Uma das grandes influências foi o fascismo, não fosse Hitler um grande admirador de Mussolini.
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O nacional-socialismo pode ser compreendido como uma forma radical e tipicamente alemã de fascismo, um movimento e uma ideologia que conquistaram milhões de adeptos, em muitos países europeus na era das duas guerras mundiais do século XX.
O termo “fascismo” foi usado pela primeira vez no início de 1919 pelo ex-socialista Benito Mussolini, que deixara o Partido Socialista Italiano em protesto contra a política anti-guerra, na Primeira Grande Guerra. O nome derivava do latim “fasces”, o feixe de varas e um machado que simbolizava a unidade e poder do Império Romano.

Mussolini transformou o Partido Fascista Nacional numa organização nacionalista militante, que atacava a “fraqueza” da democracia lieral. O seu alvo, no entanto, era o socialismo internacional, revigorado e radicalizado pela revolução bolchevique na Rússia, no final de 1917. Movimentos similares ao fascismo surgiram por toda a Europa, nos anos subsequentes, em particular na Alemanha, Espanha, Portugal, Hungria e Croácia.
Enquanto que os fascistas italianos evocavam a glória da antiga Roma, os nazis alemães enalteciam o esplendor do Império Hohenstaufen medieval, além do passado mítico das tribos nórdicas que primeiro se instalaram no norte da Europa.
Mas todos os movimentos fascistas partilhavam determinados métodos, convicções e valores políticos, assim como inimigos comuns.

Embora o fascismo fosse um movimento do século XX, que se desenvolveu nas circunstâncias específicas da Europa depois da Primeira Guerra Mundial, as suas raízes podem ser encontradas no século XIX. Para compreender o fascismo, é importante examinar a sua geneologia e antecedentes históricos. Podem ser traçados até à Revolução Francesa, que começou em 1789. Dessa convulsão surgiram as três principais ideologias políticas, que consideravam a Revolução de maneiras diferentes, e competiram pelo poder e dominío nos países europeus nos séculos XIX e XX. Essas ideologias podem ser designadas como conservadoras (ou monarquistas), liberais e socialistas. A força de cada ideologia diferia astante de país para país, assim como a sua unidade interna. Embora esses movimentos ideológicos e os seus programas políticos mudassem ao longo do tempo, cada um aderia a certos objetivos e valores fundamentais, que o punham em conflito com as outras duas ideologias.

Conservantismo monárquico
Os conservadores europeus do século XIX consideravam a Revolução Francesa com aversão e desdém. Na França, os conservadores procuravam reverter as mudanças acarretadas pela Revolução e restaurar o “ancien régime”. Noutros países, os conservadores procuravam preservar a ordem antiga contra a investida das ideias revolucionárias.
Os conservadores eram favoráveis a uma forte monarquia hereditária, privilégios aristocráticos e uma Igreja consolidada. Acreditavam numa ordem natural de designío divino de autoridade e subordinação. Desejavam um Estado forte que moldasse o carácter e usasse a censura e a vigilância para defender padrões morais e religiosos interemporais. Ao contrário dos conservadores americanos e britânicos de hoje, que defendem uma economia de mercado livre, os conservadores europeus do século XIX preferiam uma economia organizada e regulamentada para aumentar o poder estatal.
Prezavam a unidade, autoridade, ordem, hierarquia, dever e disciplina, para o que um monarca poderoso proporcionava as melhores garantias.
O principal apoio vinha dos aristocratas e das elites sem títulos, mas também, das populações rurais, desconfiados das mudanças das práticas tradicionais.

Liberalismo
Os liberais apoiavam clamor dos revolucionários franceses pela liberdade individual e a imposição de limitações ao poder arbitrário do Estado monárquico. Compromissos do lieralismo monárquico:
Compromisso com as liberdades civis ou direitos humanos, inclusive a liberdade de expressão, liberdade da imprensa e liberdade de culto;
Compromisso com a propriedade particular e a livre atividade económica;
Compromisso com a propriedade particular e a livre atividade económica.
O liberalismo surgiu em força na Inglaterra do século XVII, nos EUA foi o único regime conhecido. Na França, só surgiram depois da Revolução, e na Alemanha o movimento foi muito raco.
O liberalismo definia-se originalmente pela sua oposição ao arrogante estado monárquico, que levara John Locke a enunciar o seu famoso princípio liberal: «O melhor governo é aquele que governa menos».
Para os primeiros liberais a função exclusiva do Estado era a protecção da vida, liberdade e propriedade.
Os liberais defendiam os direitos individuais, um estado secular, igualdade de oportunidades para todos os cidadãos e igualdade perante a lei. Procuravam substituir o sistema absolutista de privilégios baseado no nascimento por um sistema de oportunidade baseado no talento ou mérito. Acreditavam na possibilidade do progresso tanto social quanto tecnológico, através do uso da razão humana.
Era apoiado pela classe média em ascenção.

Socialismo
O movimento socialista foi a terceira grande ideologia do século XIX. As suas origens modernas podem ser localizadas na fase radical da Revolução Francesa.
Para os socialistas, a igualdade, ainda mais do que a liberdade, tornou-se o ideal revolucionário predominante. Foi em parte como uma reação às pressões socialistas que muitos países, acabaram por promover mudanças que transformaram a liberdade de livre mercado no sistema liberal moderno, às vezes conhecido como «estado do bem-estar social».
A característica definidora do socialismo, conforme formulada pelo seu principal teórico, Karl Marx, é a eliminação da propriedade privada nos meios de produção. É esse o princípio fundamental que distingue o socialismo de todas as formas de liberalismo, inclusivé o «estado de bem-estar social».
Segundo a convicção socialista, apenas a socialização ou nacionalização dos bens que criam riqueza, pode assegurar a igualdade de condições. Os princípios democraticos de igualdade de oportunidade e igualdade perante lei não podem garantir, porque não impedem que o forte explore economicamente o fraco no mercado livre.

http://files.elfoseanjos.webnode.pt/200000336-6a1836b123/A esquerda e a direita
Apesar de a atualidade, com o eclipse tanto da “esquerda” como da “direita”, estes conceitos não serem tão definíveis quanto no começo do século XX, serão úteis à compreensão dos objetivos e valores fundamentais dos movimentos políticos nos séculos XIX e XX.
A terminologia esquerda-direita originou-se na Convenção Nacional da Revolução Francesa. As facções mais revolucionárias sentavam-se do lado esquerdo da cadeira da presidencia, enquanto os deputados mais conservadores permaneciam no lado direito.
A igualdade era o valor fundamental que determinava a localização dos movimentos no espectro político. Quanto maior o compromisso de igualdade, mais para a esquerda o movimento se situava, na percepção dos contemporâneos.
A esquerda defendia a progressão de uma sociedade mais democrática, a direita propunha a manutenção ou restauração das hierarquias e relações costumeiras.

Fascismo – movimento de direita
Porque os fascistas também não se detinham diante de nada na busca dos seus objetivos (tal como os comunistas), os seus métodos e a sua retórica revolucionária costumavam parecer (muitas vezes deliberadamente) com a dos seus oponentes na extrema esquerda.
Da perspectiva dos liberais, que prezavam a liberdade individual e o processo democrático mais do que a igualdade económica ou a hierarquia racial, a semelhança entre os movimentos extremistas era maior do que as suas diferenças. Consideravam ambos os movimentos  de “totalitaristas”.
Como o fascismo se apropriava, frequentemente, da liguagem do socialismo para aumentar a sua atração junto dos trabalhadores industriais, muitos historiadores optaram por descrever o programa fascista como uma mistura de “direita” e de “esquerda”. No entanto, estes dois movimentos, o fascismo e o comunismo, encontram-se em vertentes opostas.
É importante conceituar o fascismo como um movimento de extrema-direita, não apenas porque era dedicado à destruição do marxismo e comunismo, mas também por causa da sua oposição fundamental ao valor da igualdade.
Os fascistas consideravam o igualitarismo, sob qualquer forma, mas em particular na forma racial, como a fonte de ruína da Humanidade. Era esta oposição à igualdade e democracia que tornou os fascistas tão compatíveis com as elites tradicionais de direita, de cuja ajuda dependiam para conquistar o poder.

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O fascismo pode ser considerado como a culminação radical do movimento para resistir às correntes emancipadoras e igualitárias que emanaram da Revolução Francesa e foram acelaradas pela industriaçização. Ao longo do século XIX, as elites conservadoras, nostálgicas dos privilégios sociais do ancien régime pré-revolucionário, travaram uma batalha de retaguarda contra a democracia, uma luta que se tornou mais radical à medida que a industrialização aumentava as pressões pela reforma e participação democrática.

Os conservadores europeus continentais opunham-se às consequências sociais que a industrialização acarretava: a transferência da riqueza e do poder da aristocracia familiar para a classe média industrial e comercial, e o crescimento da classe trabalhadora industrial.
Os fascistas, herdeiros radicais da tradição anti-revolucionária no século XX, consideravam os liberais como os culpados pela abertura das comportas, de uma forma involuntária ou deliberada, para o avanço da maré vermelha.

O segmento da população do qual o fascismo obteve o máximo de apoio não foi o setor dos trabalhadores industriais, mas sim os grupos da classe média inferior, numericamente grandes. Eram os empregados em escritórios e pequenos proprietários, inclusive lavradores, que temiam a perda dos seus bens e posição, caso o movimento operário socialista se tornasse dominante. O eleitorado de massa fascista incluía os descontentes de todas as classes, incluindo os trabalhadores não sindicalizados e desempregados. Mas o fascismo atraíu primeiramente os pequenos comerciantes, os artesãos autónomos e os lavradores de subsistência, que temiam tanto o trabalho organizado quanto a concorrência das grandes empresas, numa economia não-regulamentada.
Para os grupos de ocupações que estavam ameaçadas, numa sociedade cada vez mais industrial, o fascismo parecia oferecer um “terceiro caminho”, entre um socialismo que favorecia os trabalhadores e um capitalismo liberal que satisfazia os ricos.
Embora defendessem os direitos de propriedade e uma economia competitiva, os fascistas rejeitavam o etos capitalista de valorizar o lucro particular acima do bem da nação. Não obstante, o fascismo conquistou pelo menos o apoio tácito das elites económicas, que temiam o movimento trabalhista e a mudança social liberalizante.
O fascismo atraía em partícular os grupos para os quais o socialismo e o liberalismo pareciam oferecer apenas perspectivas de declínio económico e social.

Nacionalismo
Através do nacionalismo e do racismo, os fascistas procuravam neutralizar os apelos liberais e socialistas. Aqui também eles eram os herdeiros de um nacionalismo radical, atrelado à causa conservadora no final do século XIX. O processo pelo qual o nacionalismo, tradicionalmente apoiado pelos liberais, foi explorado pelos conservadores para enfraquecer o liberalismo, diferiu em cada país, mas foi particularmente acentuado na Alemanha e na Itália.
Os nacionalistas clamavam pela subordinação dos interesses individuais e de classe aos interesses da comunidade nacional.
O nacionalismo e o racismo eram particularmente apropriados para mobilizar as massas com finalidades anti-liberais, porque desviavam as energias populares das exigências de reforma e mudança da estrutura social.
No fasciismo, as possibilidades demagógicas do nacionalismo foram exploradas até ao seu potencial máximo. Gerava uma espécie de consciência igualitária, de camaradagem nacional ou racial, para compensar a falta de uma verdadeira igualdade social ou económica.

Três fatores principais fomentaram o crescimento do fascismo na era posterior à Primeira Guerra Mundial:
As aspirações nacionais frustradas – O fascismo na Itália e o nacional-socialismo na Alemanha alimentaram-se das frustrações nacionalistas, que exploravam o fracasso do seu país, em alcançar os gloriosos objetivos pelos quais havia entrado na guerra (em nenhum lugar a desilusão foi maior do que na Alemanha derrotada). Fascistas e nazis pensavam em si mesmos como os continuadores da guerra no seu país, até uma conclusão bem sucedida. Os inimigos agora eram as forças internacionais, pacifistas e democráticas, que supostamente enfraqueciam e traíam a nação, na sua competição com outras nações. (A própria guerra foi um campo de treino para mobilizar a nação numa causa unificadora. O exército servia de exemplo). Veteranos frustrados, vindos da linha da frente, eram o potencial humano para os partidos fascistas e as foamações paramilitares, como Freikorps na Alemanha, os S.A. de Hitler, e os Fasci di combattimento de Mussolini.
O desafio apresentado pela revolução bolchevique, na Rússia, em 1917 – O fascismo foi uma reacção à ameaça que o socialismo marxista parecia representar às instituições europeias tradicionais, que tinham agora, ela primeira vez, uma base nacional. Os partidos fascistas foram fundados na esteira da Grande Guerra para oferecer aos trabalhadores uma alternativa ao socialismo marxista e atraí-los para a facção nacional (era a sua missão proclamada eliminar a esquerda radical).

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Contração e depressão económica – É improvável que Hitler tivesse tomado o poder legalmente, se a economia da Alemanha de Weimer não estivesse gravemente enfraquecida pela Grande Depressão. Mussolini também se beneficiou da luta social que as dificuldades económicas precipitaram na Itália depois da Primeira Grande Guerra. Não é de surpreender que as mesmas condições de escassez e desigualdade que originaram os movimentos revolucionários, também dessem origem à contra-revolução de direita.
A unificação da Alemanha

Não é que a Alemanha estivesse fadada a viver sob um regime nazi, no entanto não devem ser esquecidas determinadas características próprias do país, que levaram a que um movimento de cariz fascista/nacionalista ganhasse força neste país (e em parte na Itália), e não tanto noutros países da Europa ocidental.
Talvez a maneira mais óbvia pela qual o desenvolvimento alemão e italiano diferiram dos modelos ocidentais foi a data tardia em que se tornaram nações-estado unificadas. Antes de 1990, uma nação-estado alemã, unificada e soberana, existira apenas por três gerações, de 1871 a 1945 (se a Áustria alemã for incluída, então pode-se dizer que a Alemanha só esteve unida, sob o mesmo governo, de 1938 a 1945). O particularismo, sistema que deixava cada estado alemão livre para se governar e promover os seus próprios interesses, sem preocupação com o bem do todo, deixou a sua marca na história alemã. O fracasso do liberalismo e da democracia na Alemanha, até 1945, tem uma relação estreita com a herança particularista. A unificação tardia da Alemanha teve o efeito de reforçar os valores e instituições autoritários e antidemocráticos.

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A ameaça que as forças particularistas residuais apresentaram para a unidade alemã, mesmo depois daa unificação formal, em 1870-1871, pode também ajudar a explicar o radicalismo do nacionalismo alemão nos séculos XIX e XX.
Embora um vago senso de consciência nacional provavelmente existisse há mais de mil anos entre os povos germânicos que habitavam a Europa central, a Alemanha nunca teve fronteiras geográficas definidas naturalmente, nem um estado que coincidisse com a área habitada pelos povos alemães. Desde o final da Idade Média, a soberania da Alemanha baseava-se em mais de 300 principados do Santo Império Romano, formando a nação alemã.
A fragmentação da Alemanha agravou as características opressivas e absurdas do absolutismo nos séculos XVII e XVIII. Enquanto na França o advento do absolutismo, serviu para fortalecer a monarquia central, na Alemanha os benificiários foram os soberanos dos muitos territórios separados. O senso de uma nacionalidade alemã comum, só aflorou no século XVIII, como um ideal cultural, sem nenhuma realidade política.
O absolutismo enraizado em centenas de principados alemães teve consequências persistentes e debilitantes: fortaleceu os privilégios sociais e económicos de uma reduzida casta aristocrática, desgradou a situação dos camponeses, obstruiu a emancipação e educação política da classe média, instituiu a burocracia e o exército como os esteios do governo, e perpetuou a estratificação rígida de uma sociedade em que cada um tinha o seu lugar determinado.
A proverbial subserviência alemã diante da autoridade estava firmemente arraigada na tradição absolutista, que persistiu por muito mais tempo na Alemanha do que na Europa Ocidental.
A vitória sobre Napoleão fortaleceu a antiga ordem na Alemanha e na Europa como um todo, varrendo as correntes emancipadoras. O acordo de paz de 1815 baseou-se no princípio da legitimidade monárquica, restaurada no poder as casas tradicionais. No entanto, as mudanças da era napoleónica deixaram as suas marcas na recém formada Confederação Alemã, reduzida agora a trinta e nove estados. Mas o particularismo triunfou mais uma vez, e a tradição absolutista continuou a prevalecer. Os desejos populares foram ignorados pelos negociadores da paz no Congresso de Viena, determinados a reprimir o nacionalismo e o liberalismo revolucionário. Estimulados pelo primeiro-ministro dos Habsburgos, Clemens von Metternich, os estados da Confederação adoptaram medidas para suprimir o movimento liberal pela unificação nacional, sob um governo representativo.
Tanto a força quanto as limitações do movimento liberal foram revelados de forma inequívoca pelas revoluções de 1848-49. As forças do conservantismo monárquico, que nunca foram totalmente desalojadas do poder, mesmo no auge da maré revolucionária, na Primavera de 1848, reafirmaram o seu controle no final. Foi perdida uma oportunidade histórica de lançar a Alemanha no caminho democrático, quando Frederico Guilherme IV, da Prússia, rejeitou a constituição da Assembléia de Frankfurt, para impor uma monarquia alemã limitada. No entanto, as revoluções de 1848 estimularam a introdução de mudanças económicas, e políticas, que atendiam aos interesses da classe média e fixaram as bases para que o capitalismo liberal e industrial se desenvolvessem na Alemanha. Mas havia diferenças, que tenderam a crescer, em vez de diminuir, nos anos que se seguiram a 1848. Enquanto que a liberalização económica removia os obstáculos para a expansão industrial na Alemanha, as instituições autocráticas permaneceram firmes, especialmente na Prússia.

Que os interesses da classe média por uma democracia liberal continuassem natimortos era o objetivo de Otto von Bismark, que dedicou o seu talento a sustentar as instituições monárquicas prussianas contra os movimentos liberal e democrático.

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Bismark foi nomeado primeiro-ministro em 1862, por causa da sua posição de conservador de linha dura, que aconselhava o realismo inflexivel (Realpolitik) para defender os interesses da monarquia prussiana. Conseguiu derrotar os esforços da maioria liberal no parlamento prussiano para tornar o governo mais responsável à sua vontade. Bismark acabou por conquistar o apoio da maioria dos nacionalistas pela sua liderança carismática, conseguindo promover, através de uma sucessão de guerras vitoriosas, a unificação nacional, que os liberais não puderam alcançar pelo voto em 1848.
O sucesso de Bismark foi rematado com a fundação do Império Alemão, quando a guerra contra a França aproximava-se de uma conclusão vitoriosa, em Janeiro de 1871. Os liberais viram-se na situação critíca de ter de optar entre a unificação nacional e um sistema constituicional, em que o governo seria da responsabilidade do parlamento. O apoio a Bismarck significava a aceitação do sistema monárquico prussiano, que o primeiro-ministro estava determinado a transferir para o recém formado Reich. Quando forçada a optar entre o apoio e a oposição a Bismark, a maioria dos antigos liberais pôs o nacionalismo acima dos objetivos liberais e constituicionais. Os liberais que apoiavam Bismarck fundaram o Partido Liberal Nacional, cujo nome já sugeria a prioridade que o nacionalismo agora tinha.
A unificação da Alemanha por Bismark ajudou a transformar o nacionalismo de um credo democrático num veículo de política conservadora. Assinalou o triunfo não do nacionalismo nacional liberal, mas do patriotismo e do particularismo prussiano.

Bismarck permitiu a eleição para o Reichstag, o parlamento alemão, pelo sufrágio masculino, em parte pela suposição de que a massa do campesinato alemão votaria pelo regime conservador. Não foi capaz de prever a rápida transformação da sociedade alemã como resultado da industrialização.
Ironicamente, foi a esperança de Bsmarck de explorar os ressentimentos populares contra uma economia liberal desregulamentada que o levou a admitir o sufrágio universal masculino, apesar da sua oposição à democracia.
O Império fundado sob a liderança de Bismarck, que durou 47 anos, desmoronou no final da Primeira Guerra Mundial. O Kaiser foi obrigado a abdicar em Novembro de 1918, encerrando uma guerra em grande parte resultado da expansão imperial exagerada. Mas o imperialismo alemão encontrava-se longe de estar acabado, apesar da derrota na Guerra de 1914-1918. Seria preciso outra guerra mundial para acabar com as ambições imperiais da Alemanha.
Os historiadores continuam a debater o grau de continuidade entre os objetivos alemães nas duas grandes guerras. É claro que a Alemanha lutou na Segunda Guerra Mundial sob uma liderança muito mais radical e belicosa do que na Primeira Guerra Mundial, contudo, de uma perspectiva a longo prazo, as duas guerras mundiais fazem parte de uma campanha de trinta anos em que a Alemanha procurou reforçar o seu predominio na Europa e adquirir a posição de potência mundial.

Bismarck, de forma a não colocar em causa a sobrevivência do Reich recém-formado, renunciou a qualquer expansão adicional na Europa. As suas alianças militares com a Áustria-Hungria e a Rússia visavam apenas menter o novo equílibrio de poder no continente, impedindo que a França recuperasse o seu predominio anterior.
No entanto, a nível interno Bismarck foi em grande parte responsável pelo que seguiu ao seu afastamento em 1890. Dedicou a sua vida à preservação de um sistema monárquico prussiano. Opunha-se tanto às iniciativas liberais para o governo parlamentar, como ao federalismo dos “direitos dos estados”.
A maior ameaça às instituições monárquicas tradicionais foi o Partido Democrático Social (SPD), fundado em 1875, que se tornara a maior força democrática da Alemanha.
Bismarck reagiu ao SPD com a represão. Em 1878 usou de duas tentativas de assassinato contra o Kaiser como um pretexto para o uso de medidas restritivas das atividades de organização e campanha do SPD. Esta violação da liberdade civil, juntamente com a campanha do governo por tarifas protetoras, em benefício da agricultura em larga escala e da industrialização, à custa dos consumidores alemães, enfraqueceu ainda mais a ala progressista do movimento liberal na Alemanha.
As elites económicas burguesas e os seus representantes, no Partido Liberal Nacional, juntaram-se aos consumidores da elite em defesa do regime autocrático.
Pretendia-se com a aliança do “centeio com o aço”, entre industriais e latinfundários, excluir a concorrência do mercado interno, usando tarifas elevadas.
As classes abastadas partilhavam também de um objetivo político comúm, a prevenção da democracia popular.
A repressão da democracia, sob a liderança de Bismarck, reforçou a assimetria entre  desenvolvimento económico e político na alemanha.
A industria alemã tornou-se poderosa através da ajuda ativa e do estímulo do governo. No entanto, o desenvolvimento político da Alemanha permanecia essencialmente paralisado num estágio pré-democrático.
Embora se tivesse tornado um gigante económico, a Alemanha era um anão político.
A rapidez da expansão industrial pode ter impedido a ascensão da democracia liberal, pois criou as condições que esvaziavam a promessa liberal de oportunidades iguais para todas as pessoas.
A crescente distância entre o ideal liberal do individuo autónomo e as realidades sociais da concertação e desigualdade económica, a pobreza urbana, as constantes crises económicas e os conflitos de classes, faziam com que a ideologia liberal parecesse cada vez mais irrelevante para os problemas sociais da era industrial. Desta forma, o socialismo atraía sempre mais os operários.

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Para as elites, a questão social principal era como integrar os operários na ordem social existente, sem transferir qualquer poder aos sindicatos ou ao SPD.
À medida que o movimento trabalhista cresceu em números, a repressão tornou-se menos viável e foi dando lugar a estratégias diferentes de integração, inclusive a demagogia e uma política externa aventureira, destinada a unificacr todas as classes num propósito nacional comum.

A discórdia sobre a maneira de tratar o movimento dos operários foi um fator fundamental na renúncia de Bismarck em 1890. O jovem Kaiser Guilherme II, que subira ao trono em 1888, procurava descartar a imagem repressiva do regime. Preferiu tratar a “questão social” de uma forma paternalista, superando assim a aversão do operário. A sua ambição era a de se tornar um Volkskaiser, um imperador popular, cuja preocupação com o seu povo garantiria a lealdade à coroa. Esperava que os operários fossem conquistados para o sistema monárquico pela melhoria da legislação trabalhista e pela revogação das restrições aos SPD. Mas a estratégia de Guilherme, o “Novo Curso”, estava condenada ao fracasso. Sob a pressão dos conservadores, o governo reverteu a uma posição ainda mais inflexivel em relação à democracia scial e ao liberalismo.
As políticas adoptadas durante o reinado de Guilherme foram mais perniciosas do que as políticas de Bismarck, porque vinculavam o repúdio ao liberalismo e à democracia social a uma política externa mais dinâmica e agressiva, cujos objetivos concretos nunca foram totalmente claros ou coerentes. Renunciando à concepção mais estática do equilíbrio do poder de Bismarck, a Welpolitik (“política do mundo”) guilhermina procurava a consolidação do predomínio alemão no continente, a conquista de colónias na África e na Ásia, e a conservação da paridade com a Inglaterra como uma potência mundial. A Welpolitik promoveu, em grande escala, a corrida ao armamento, aumentando o perigo de uma guerra.
A busca da Alemanha por “um lugar ao Sol”, o eufemismo criado pelo ministro do Exterior (e mais tarde chanceler) Bernhard von Bülow, em 1898, para a aquisição de um império colonial, foi concebido em parte como uma estratégia para desviar a energia popular da reforma interna e concentrá-la na expansão por outros mares.

A década de 1890, portanto, destaca-se como um período de transição crucial, com a diplomacia bismarckiana a dar lugar às ilusões guilherminas do poder mundial alemão, no meio das tensões de um conflito social cada vez mais polarizado. Foi uma década em que grandes segmentos da classe trabalhadora industrial se organizou em sindicatos e aderiram ao SPD, enquanto que outros segmentos ainda maiores das classes médias, se juntavam em grupos de pressão de direita, que exerciam uma crescente influência sobre a orientação da política.
A Liga Agrária mobilizava os camponeses contra o liberalismo económico e democracia social. A Liga Colonial defendia a expansão para outros continentes, enquanto que a Liga Naval pregava o apoio ao programa de construção naval do governo e à corrida armamentista com a Inglaterra. A Liga Pan-Germânica, com objetivos anti-democráticos, anti-semitas e imperialistas, pressagiava o programa nazi. As crescentes tendências demagógicas nos principais partidos políticos também refletiam estas pressões populares. O venerável  Partido Conservador, pilar do estabelecimento monárquico, procurava desviar o desafio dos partidos radicais contra os judeus com a adopção de disposições anti-semitas no seu programa de 1892. O Partido do Centro também reagia às pressões dos seus partidários com uma grande diversificação social, oferecendo uma plataforma de mobilização contra a esquerda.
A crescente polarização da sociedade alemã produziu uma crise que o governo foi incapaz de resolver.
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As Origens da Primeira Guerra Mundial
As restrições que Bismarck à evolução de uma constituição democrática e de um governo parlamentar na Alemanha, ajudaram a abalar o sistema de aliança defensiva que cosntruíra com tanto cuidado, a fim de evitar o isolamento alemão. A campanha contra a democracia criou um ímpete próprio, levando à crescente militarização da política alemã. A Welpolitik e o programa alemão de construção naval levaram a Inglaterra a formar a entende cordiale com a França em 1904 e a juntar a França e a Rússia na Triple Entende, em 1907.
É claro que a Alemanha não é a única responsável  pela deflagração da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Todos os participantes partilham a culpa por não terem evitado a guerra. Em todos os países, o medo do “regime das massas” e da ameaça percebida à propriedade contribuiu para o imperialismo, num grau maior ou menor. A crise de confiança nos valores liberais e o conflito social resultante da contínua insdustrialização não se confinaram à Alemanha. Nem os alemães foram os únicos que adoptaram a noção social darwinista de que a vida é uma luta incessante entre indivíduos, nações e raças. A experiência alemã não foi exclusiva, sendo mais uma versão intensificada do que ocorreu também no resto da Europa.
A Alemanha oferece um exemplo extraordinário de uma reação nacionalista extrema às pressões internas para a reforma.
A militarização da política alemã foi um processo complexo e dialéctico, e não somente uma reação de reflexo à democracia. Nacionalismo, imperialismo e militarismo desenvolveram o seu próprio impulso. Muitos líderes alemães convenceram-se do perigo do cerco estrangeiro, mesmo que fosse uma consequência das ações da própria Alemanha.
A “primazia da política externa”, o princípio de que os assuntos externos devem ter prioridade sobre as preocupações internas, permitiu que os conservadores suprimissem as liberdades civis e evitassem as reformas sociais, sob a alegação de que punham em risco a segurança do estado.
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A convicção de que a guerra fortaleceria o regime orientou as ações dos líderes alemães  nos dias fatídicos que se seguiram ao assassinato do herdeiro do trono austríaco por nacionalistas sérvios, em Junho de 1914. Plenamente conscientes de que as suas atitudes poderiam precipitar uma guerra europeia, os líderes da Alemanha encorajaram a Áustria a aproveitar a oportunidade para destruir a ameaça sérvia. Predisposta a favorecer a aplicação da força, a liderança alemã rejeitou uma solução pacífica para a crise, a não ser que fosse nos seus próprios termos.
Superestimando a capacidade militar alemã, os líderes da Alemanha tornaram-se vítimas das suas próprias ilusões sobre o poder do país. Vastos sectores do público alemão partilhavam essas ilusões.

A ideologia Alemã

A ideologia, o sistema de idéias, de valores e convicções que moldam a perspectiva de uma pessoa, um grupo ou sociedade, é uma maneira de ver o mundo que proporciona conforto e satisfação aos seus adeptos. A ideologia explica as condições e eventos, dando sentido às experiências e aspirações de uma pessoa ou povo. A ideologia é um componente essencial do senso de identidade de uma nação. Como auto-explicação e autojustificativa de um povo, a sua ideologia dominante reflete a realidade social e racionaliza os relacionamentos sociais existentes. A ideologia e a sociedade reforçam-se mutuamente.
A ideologia só pode conciliar o povocom disposições que favorecem os grupos dominantes, se for considerada uma interpretação verídica do mundo e das forças que nele atuam. Nem mesmo os apologistas de disposições injustas estão conscientemente a tentar distorcer a realidade e enganar as pessoas. A falácia dos ideólogos está no fracasso em perceber ou reconhecer que uma ideologia é um sistema de convicções, muitas vezes condicionadas pelas premissas políticas e sociais de uma determinada ordem social.
Os ideólogos são hipócritas mesmo quando não mente dileberadamente (na verdade, de um modo geral, estão até convencidos de que dizem a verdade), se negam, ocultam ou deixam de analisar as premissas de interesse próprio em que as suas ideias se baseiam.

Também a ideologia alemã, a virulenta combinação de nacionalismo, racismo e moralismo que forma parte do sistema secular de convicções dominantes na Alemanha, no final do século XIX e início do século XX, está completamente desacreditada hoje. Contudo, inspirou uma ampla fidelidade nas condições diferentes do passado. As suas origens e criadores não podem ser determinados com precisão, pois desenvolveu-se de forma orgânica, ao longo do tempo, assimilando ecleticamente ideias de muitas fontes. Nem todos os alemães, em particular os de esquerda, assumiam essa ideologia, mas havia um amplo apoio entre as classes dominantes.
O fato de que a ideologia alemã acabou racionalizando e promovendo a agressão, não caracteriza automaticamente os seus elementos constitutivos ou antecedentes históricos como errados ou perniciosos.
A ideologia alemã refletiu, racionalizou e reforçou a falta de democracia na Alemanha. Por causa do terror dos execessos na França e do imperialismo napoleonico, mas também porque não havia condições para uma revolução democrática na Alemanha, até mesmo os alemães de mentalidade reformista, como os grandes clássicos Goethe e Schiller, rejeitavam o modelo da Revolução Francesa como inadequado para a real melhora da sociedade. Em vez disso, eles clamavam pelo único tipo de mudança que era possível, pelo menos em termos teóricos, nas condições de absolutismo e particularismo: a perfeição moral, ou uma regeneração moral, dentro de cada indivíduo.
Escritores como Johann Gottlieb Fichte, em o “Discurso à nação alemã” (1807-08), atribuiu o esquema errado dos franceses ao seu materialismo. Na preocupação com a busca da felicidade e a melhoria de vida, os franceses teriam negligenciado a dimensão espiritual da vida.
A missão da Alemanha era regenerar o mundo através do espírito.

Os pensadores alemães exaltavam a noção de liberdade moral como muito superior à definição francesa de liberdade em termos meramente políticos. Ser realmente livre, no sentido alemão, significado ser libertado dos vínculos interiores que impediam o pleno desenvolvimento do carácter moral.
Esta concepção idealista e apolítica de liberdade, era o único tipo de liberdade compatível com os sistemas absolutista  e hierárquico que prevaleciam na maioria dos estados alemães.
Há inegavelmente uma qualidade heróica nesta concepção de liberdade como interiorização da lei, o que ajuda a explicar a grande criatividade da cultura alemã.
A equação de autodisciplina heróica com a forma mais elevada de liberdade proporcionava o meio ideológico em que podiam florescer tanto uma cultura extraordinária quanto uma destrutividade militante.
Na tradição alemã, o uso do idealismo significava mais do que o uso convencional da busca de um sonho, uma visão elevada, ou um padrão de perfeição. Incluía tanto esta realidade quanto o compromisso de pôr no mundo, em prática, as ideias morais intemporais, que são os ideais. A realidade temporal corrompida seria assim moralmente redimida e regenerada.
As formas populares de idealismo apolítico impregnaram a consciência pública alemã ao longo do século XIX, servindo para desencorajar e desacreditar a reforma social e política. Num nível popular, o idealismo degenerou para o anti-intelectualismo e para  o irracionalismo. A maioria dos alemães instruídos adoptou o idealismo como a alternativa, essencialmente alemã, para o materialismo, utilitarismo, racionalismo e egoísmo ocidental.
O idealismo – a renúncia ao egoísmo – parecia proporcionar um código de conduta heróica superior ao comercialismo orientado para o lucro do liberalismo e o nivelamento ressentido do socialismo. O liberalismo e o socialismo estavam condenados, como doutrinas que cultivavam os desprezíveis instintos aquisitivos e egocêntricos da humanidade.
No idealismo vulgarizado (Vulgäridealismus), a ausência de democracia na Alemanha era interpretada como uma marca da superioridade alemã. O idealismo, como o nacionalismo, tornou-se uma arma poderosa no arsenal dos conservadores políticos, que procuravam desacreditar os esforços para introduzir reformas democráticas no país. Tanto o nacionalismo quanto o idealismo celebravam a coragem e o sacrifício pessoal. Nos anos anteriores à Primeira Guerra Mundial, muitos grupos pregavam um renascimento do idealismo, para fortalecer a fibra moral da nação.

O anti-semitismo acompanhava com frequência a visão idealista do mundo na sua forma vulgarizada, quanto mais não fosse porque o idealismo vulgarizado herdou o antingo preconceito cristão de que o judaísmo era uma religião materialista e os judeus, um povo materialista. Durante séculos os judeus foram considerados imorais porque recusam-se a aceitar os ensinamentos “superiores” de Cristo. Os judeus, supostamente, rejeitaram o caminho cristão para a salvação, através da renúncia ao mundo, a fim de permanecerem livres para buscar os ganhos materiais com finalidades egoístas.
Assim, o judaísmo passou a representar o mundanismo, egoísmo, astúcia intelectual e ausência de comedimento ou abnegação cristã. A própria mentalidade idealista reforçava estes estereótipos, pois a “ideia” do judaísmo era considerada mais real e significativa do que as evidências da realidade empírica.
Muitos auto-cognominados idealistas não viam contradição entre o anti-semitismo professado e a amizade ou tolerância com judeus individuais. Para estes anti-semitas “por princípio”, o perigo a se evitar era a corrupção alemã pelo “espírito judeu”. O anti-semitismo idealista parecia uma marca de virtude e respeitabilidade, pois significava a rejeição das características egoístas e orientadas para o lucro que o judaísmo supostamente representava.
O anti-semitismo era inerente a todos os países da Europa, mas em países com um sistema político liberal, o anti-semitismo não podia ser mobilizado em termos políticos, como aconteceu nos impérios russo, austríaco e alemão. O anti-semitismo era bastante susceptível à exploração e manipulação política na Alemanha. Ser um alemão autêntico envolvia o compromisso com o idealismo e a rejeição do materialismo judaico.

A emancipação dos judeus na Europa Central, na esteira das revoluções democráticas de 1789 a 1848, acarretou formas mais radicais de anti-semitismo, na segunda metade do século XIX, à medida que os judeus eram cada vez mais culpabilizados pelas crises económicas e outros problemas de uma era em rápida modernização. O anti-semitismo económico, político e racial suplantou o anti-semitismo religioso, como parte da tendência do século XIX para a secularização, o que também foi atribuído por muitos à influência judaica.

A disposição para adoptar o anti-semitismo refletia o desespero cada vez maior dos conservadores, diante das crescentes pressões para uma distribuição mais democrática da riqueza e do poder, numa sociedade em rápido processo de industrialização. Através do anti-semitismo popular, os conservadores procuravam atrair o apoio das massas. Os judeus eram considerados culpados pela ascensão das doutrinas “materialistas” do liberalismo e socialismo, sistemas que supostamente permitiam que eles conquistassem o poder económico e político.
O anti-semitismo era politicamente útil para os conservadores, porque lhes permitia atribuir desenvolvimentos naturais, como o crescimento  dos movimentos liberal e trabalhista, a uma conspiração judaica. As teorias de conspiração evitavam a necessidade de tratar dos problemas genuínos de uma economia em rápida transformação, num estado resistente à mudança. Também havia necessidade de uma teoria de conspiração, se os anti-semitas queriam oferecer uma explicação plausível para o fato de que os judeus, supostamente inferiores, poderem alcançar tanto sucesso económico como profissional.
Como os judeus, obviamente, beneficiaram-se dos movimentos emancipadores que revogram as restrições que lhes eram impostas, havia uma certa lógica distorcida na afirmação de que eles solapavam a ordem tradicional em seu favor. Como era de esperar, a comunidade judaica na Alemanha apoiava de forma esmagadora as mudanças liberais, que possibilitaram o fim de séculos de restrições legais aos judeus. Na Alemanha e na Áustria, judeus desempenharam papéis importantes nos partidos liberal e democrático social. Também não há dúvida de que a maioria dos judeus se opôs às formas militantes de nacionalimo que se desenvolveu nos países europeus no século XIX. O nacionalismo romântico, que definia a nacionalidade pela participação num grupo étnico orgânico, com raízes no passado tribal, representava um obstáculo ao desejo judeu de se integrar na sociedade dominante, sem renunciar à sua identidade separada.

O crescimento do anti-semitismo racial, no final do século XIX, refletia não apenas a moda das teorias eugênicas, que surgiram depois da revolução darwinista na biologia; também refletia o crescente desespero dos oponentes do liberalismo e da democracia.
Mesmo antes de a revolução dawinista focalizar a atenção popular para a importância da selecção hereditária, um teórico racial francês, o conde Arthur Gobineau (1816-82), deprimido pelo declínio da aristocracia francesa, atribuíra a expansão da democracia aos casamentos inter-raciais, que corrompia a pureza original da raça “ariana superior”. As ideias raciais de Gobineau encontraram mais adeptos na Alemanha do que na França. Richard Wagner, Wihelm Marr, Eugen Dühring (1833-1921), o expatriado inglês Houston Stewart Chamberlain (1855-1927), entre outros.
O anti-semitismo racial foi projetado de forma a não dar a pequena escapatória que os judeus haviam utilizado no passado através da conversão, batismo e assimilação. O darwinismo e a tendência positiva do pensamento europeu no século XIX concederam uma credibilidade pseudocientífica à pressuposição racista de que as características culturais e psicológicas na noção de “carácter nacional” eram transmitidas de forma genética e racial. O anti-semitismo racial, que se presumia baseado na “ciência” biológica, podia ser divulgado como se nada tivesse a ver com o antiquado fanatismo religioso. No entanto, na prática as duas formas de anti-semitismo sobrepunham-se com frequencia. Os anti-semitas raciais e religiosos definiam a “questão judaica” como decorrente da singularidade dos judeus como um grupo, por causa da sua diferente identificação religiosa e/ou diferente origem étnica.
A extensão do anti-semitismo racial era um sintoma da transição ideológica do conservantismo tradicional para o mais radical, uma transição que só ficou concluída com a era nazi. Os anti-semitas mais conservadores, como o influente historiador Heinrich von Treitschke (1834-96), que cunhou a frase «Os judeus são a nossa desgraça», continuaram a clamar pela assimilação, no entanto a linha entre aqueles que pregavam a exclusão racial e os que clamavam pela assimilação tornava-se cada vez mais indistinta. Autores racistas, como Houston Stewart Chamberlain, que publicou em 1899 um livro muito lido Foundations of the Nineteenth Century, exigiam a exclusão de todos os judeus, como a única estratégia compatível a com a ameaça da esquerda. Chamberlain também partilhava do anti-catolocismo de muitos nacionalistas alemães, que consideravam a Igreja como inimiga da ideia nacional.
Talvez em decorrência do crescente desafio das minorias nacionais ao domínio da elite governante no Império Habsburgo, o nacionalismo pan-germânico e o anti-semitismo racial foram bastante fortes na Áustria, onde Adolf Hitler nasceu, em 1889.
O anti-semitismo racial era a característica princial do que passou a ser chamado de movimento völkisch (popular), no final do século XIX. Haviam diversos grupos nacionalistas e anti-semitas radicais da extrema direita, que procuravam conquistar o aopoio das massas para a causa conservadora, através de apelos quase populistas à solidariedade racial e nacional. O racismo, como o nacionalismo, adoptava tal demagogia, porque oferecia às pessoas comuns, até mesmo aos que nada tinham na sociedade alemã, a participação pelo nascimento numa comunidade superior e exclusiva, definida como germânica, nórdica ou ariana.
Comum a todo o pensamento völkisch, havia a noção de uma ligação de sangue mistíca  entre os membros da mesma comunidade nacional ou étnica. A ideologia popular tornou-se cada vez mais intolerante no contexto da rápida industrialização, flutuação económica e desagregação, com crescentes pressões para a democratização, no final do século XIX. Os ideólogos völkisch queriam a criação de um “Terceiro Reich”, regenerado. Atribuíam à Alemanha a missão de liderar a renovação espiritual do mundo. A maioria dos autores völkisch seguiu Wagner. Outros seguiam Dühring, rejeitando a religião cristã como uma superstição oriental. Muitos idealizavam os camponeses como os verdadeiros guardiões do solo nacional, valores tradicionais, pureza do sangue, e cultura popular autêntica, tudo o que era agora ameaçado pela industrialização, urbanização e influência estrangeira. Muitos autores völkisch ansiavam por uma guerra redentora, para ressuscitar as qualidades heróicas do povo alemão. Rejeitavam as ideias de 1789 – liberdade e igualdade – em favor da unidade, ordem autoridade, e dos valores marciais prussiano-germânicos da coragem, lealdade, obediência, disciplina e sacrificio pessoal.
Os ideólogos völkisch interpretavam o darwinismo social em termos de uma luta entre raças, não entre individuos. Acreditavam na superioridade nórdica ou germânica, e favoreciam as políticas que asseguravam a pureza racial e a predominância nórdica na Alemanha. Adoptaram a eugenia (denominada “higiene racial” na Alemanha), a ciência de melhorar uma raça ou grupo populacional através de práticas selectivas de reprodução.
A oposição völkisch exigia a supressão do Partido Democrático Social e uma política externa agressiva e expansionista. Os ideólogos populares, antecipando muitos elementos da visão nazi do mundo, rejeitavam o humanitarismo e o individualismo, o socialismo e o liberalismo. Queriam sacrifícios maiores no interesse da comunidade nacional. Clamavam por um líder forte e carismático, que exercesse a autoridade em nome do Volk, e regenerasse uma cultura supostamente corrompida pelo materialismo, parlamentarismo e democracia.
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Desenvolvimento posterior – a eleição do Partido Nazi
O NSDAP teve um sucesso sem precedentes entre 1928 e 1930. As investigações recentes indicam que o NSDAP teve um desempenho superior nos distritos predominantemente protestantes e rurais da planície do Norte da Alemanha, enquanto que as grandes cidades e os aglomerados urbanos, bem como as zonas rurais predominantemente católicas do Oeste e Sul da Alemanha, se revelaram menos permeáveis ao apelo dos nazis.
Não obstante o número elevado entre o eleitorado rural, o eleitorado do NSDAP estava representado entre todos os grupos sociais e económicos, um alargamento superior a qualquer outro partido. Diferentes grupos e individuos mostraram-se disponíveis para romper a sua ligação de longa data com outras filiações políticas, pelas mais diversas razões. Em primeiro lugar o Hitlerbewegung (o movimento de Hitler), conseguiu conquistar o apoio da “velha classe média” dos pequenos comerciantes, dos artesãos por conta própria, dos pequenos agricultores, dos pensionistas e dos que tinham rendimentos fixos. Em segundo lugar, cativou a “nova classe média”, a dos administrativos. Durante o II Reich, estes dois grupos partilhavam um sentimento de identidade que fazia deles a espinha dorsal da Nação. Colectivamente eram conhecidos por Mittelstand, o núcleo saudável da sociedade alemã. Com o colapso do Império Alemão, em 1918, os valores e os pressupostos que tinham enformado e sustentado o Mittelstand foram subitamente eliminados. A República de Weimar cosntituiu uma verdadeira ameaça para o seu estatuto. Alguns dos seus membros viam no nazismo o salvador do capitalismo ao estilo antigo, que lhes ia restituir o status quo. Para estes grupos, os nazis representavam uma força “reaccionária” que viria a repor os valores e o estatuto do passado. Outros grupos, e em particular os jovens administrativos, viam o nacional-socialismo como um movimento “revolucionário” decidido a destruir as hierarquias sociais arcaias e a substituí-las por uma nova ordem social.

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O segredo do sucesso nazi baseava-se neste duplo atractivo.
Sob a direcção de Goebbels, o NSDAP explorou os descontentamentos e ressentimentos, baseando-se nos ditames de Mein Kampf, populares para fins de propaganda.
Com o desemprego a exceder os seis milhões e com a República de Weimar já moribunda, as eleições de 1932 foram disputadas num clima de desordem e violência políticas. Em Janeiro de 1933, Hitler tinha conseguido  o apoio do Exército e de alguns setores da indústria e, a 30 de Janeiro, foi nomeado chanceler, nos termos constituicionais, pelo presidente Hindenburg.

…então, depois disso tudo, se você ainda quiser ler o tal do livro você pode baixar essa edição em portugues ‘e-book’ no link: http://files.elfoseanjos.webnode.pt/200000314-28634295bf/(Ebook-Portugues)Adolf%20Hitler%20-%20Minha%20Luta%20-%20Mein%20Kampf.pdf !!!,-) #ehbabadomona

Bibliografia

Minha Luta – Mein Kampf. Adolf Hitler. Editora Centauro. Abril de 2001
A Alemanha de Hitler – Origens, Interpretações, Legados. Roderick Stackelberg. Editora Imago, 2002
Hitler – perfil de um ditador. David Welch. Edições 70, 2ª edição, Fevereiro de 2006
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mein_Kampf#Direitos_autorais
http://fr.wikipedia.org/wiki/Mein_Kampf

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