…sobre uma breve história dos filmes gays e/ou motivos para você perder o medo de assistir produções do genêro!!!,-) #homofobiaNAO

Somente nas duas últimas décadas, o largo espectro de temas homossexuais conseguiu encontrar um variado e substancioso conjunto de representações no cinema. Gays, lésbicas, bissexuais, drag queens, travestis, entre outras orientações de desejo e/ou identidades de gênero,já podem ser encontrados, hoje, em larga escala, em filmes que ultrapassaram o limite do  gueto do cinema de classe e que assumem tanto as estruturas de gêneros clássicos, como dramas, comédias e filmes de suspense e de terror, como trazem a orientação sexual para um campo de normalidade que permite se ater aos detalhes antes sublimados e soterrados até  porque a questão maior, já era a ousadia do próprio tema em si mesmo, por si só.

Embora o cinema gay tenha conseguido renegociar sua posição na produção de filmes, ao longo desses 120 anos de cinema, houve muitos projetos que foram pioneiros em explorar as questões ligadas ao comportamento e ao universo homossexual. Há críticos que insistem que um dos primeiros filmes a desafiar “o corporativismo hétero”, o curta-metragem The Dickson Experimental Sound Film, de William Dickson, um filme sonoro realizado, pasmem, mais de 30 anos antes do som chegar de fato ao cinema, teria personagens com um comportamento nitidamente homossexual… daí a causa de você nunca ter ouvido qualquer referência a esse filme, que você pode se quiser assistir clicando no titulo do filme acima, onde você verá simplesmente dois homens que dançam ao som de um instrumento musical…e…só, mais foi o suficiente para causar bastante controvérsia, na época, se bem me lembro… Alguns estudiosos dizem que o registro da dança entre dois homens teria chocado plateias, enquanto outros afirmam que aquele comportamento seria comum entre homens na época. A época é, no caso, 1895, o ano da “invenção do cinema”. Forçação de barra ou não, outros exemplos de possíveis manifestações homossexuais no cinema podem ser conferidos – e geram polêmica – nos anos seguintes. Em 1907, Georges Méliès dirigiu O Eclipse: Ou a Corte do Sol à Lua, em que um astro-rei viril seduz uma lua efeminada. Alguns estudos dizem que sol e lua seriam do gênero masculino e que o momento do eclipe seria, de fato, uma relação homossexual. A primeira do cinema…e…que você também pode conferir, esse momento conceitual, clicando no titulo acima  em destaque, informação que serve para assistir os filmes que seguem.

Nos anos seguintes, as comédias flertaram com os temas gays. Algie, The Miner, de Alice Guy-Blaché, mostra um homem efeminado que precisa se livrar do estigma de que “beija cowboys” para conseguir namorar a filha de um ricaço. Charles Chaplin usou roupas femininas em A Mulher e diz que teria seduzido vários homens. E em A Florida Enchantment, de Sidney Drew, uma mulher engole uma semente mágica que a transforma em homem e seu noivo faz o mesmo e vira um homem “afetado”. Todos estes filmes são da primeira metade da década de 1910 e todos têm um quê de brincadeira. Mas pouco depois disso começaram na Europa as primeiras tentativas de se fazer filmes mais “sérios” sobre o assunto.

Na Suécia, Mauritz Stiller adaptou o romance Mikaël, de Herman Bang, sobre a relação entre um pintor aclamado e seu delicioso pupilo, abalada pela chegada de uma condessa babadeira que seduz o jovem, em The Wings, de 1916. O dinamarquês Carl Theodore Dreyer refilmou o livro em 1924 usando o título original, Mikaël. Pela primeira vez, se a história não engoliu algum pioneiro, temos personagens gays representados no cinema. Em 1919, numa Alemanha onde a Constituição considerava a prática homoafetiva como crime, Richard Oswald se une ao físico e sexólogo Magnus Hirschfeld para rodar Diferente dos Outros, que também conta a história de um artista, um músico, e um homem mais jovem. A chantagem contra os homossexuais, algo que era comum no país na época, é um dos temas centrais do filme.

Nas décadas seguintes, censurados ou não, usando subtextos ou sendo mais explícitos, muitos diretores, alguns bastante conceituados, no auge de suas carreiras e dizem heterossexuais, resolveram contar histórias de homoafetividade. De simples romances ao retrato de comportamento de guetos, de cidadãos “comuns” a estereótipos, muitos deles foram bastante felizes em dar sua contribuição para o gênero no cinema.

IrmãosIrmãos
[Son Frère, Patrice Chereau, 2003]

De todos os filmes que abordaram a Aids, Irmãos talvez seja o que mais bem dirigido. Nos anos 80, Thomas descobre que tem uma doença no sangue que destrói sua resistência imunológica e pede a ajuda do irmão homossexual Luc, com quem havia perdido o contato durante muito tempo. Patrice Chéreau usa esse reencontro para dar nuances à parceria dos dois e, reiventando a cronologia de sua história recente, entre cortes secos e diálogos cruéis e sem clima conciliatório, nos oferece golpes do amor entre os dois irmãos. Por mais que seja doloroso para ambos, Thomas e Luc só querem estar juntos pela última vez.

Os Rapazes da Banda

 Os Rapazes da Banda
[The Boys in the Band, William Friedkin, 1970]

“Eu espero que haja homossexuais felizes, mas eles apenas não estão no meu filme”, afirmava William Friedkin na época do lançamento de Os Rapazes da Banda, que o diretor adaptou da peça de Mart Crowley, quando fazer um filme estrelado por personagens gays ainda era tabu. Friedkin acompanha a reunião de um grupo de homossexuais que se reúne num apartamento para o aniversário de um deles. O presente mais ousado, um garoto de programa, desperta uma série de discussões em que o comportamento gay era colocado em xeque. O pioneirismo do filme esbarra algumas vezes em soluções muito teatrais ou demasiadamente moralistas sobre o assunto, mas como obra, o filme é bastante ousado.

 O Celuloide Secreto

O Celuloide Secreto
[The Celluloid Closet, Rob Epstein & Jeffrey Friedman, 1995]

Mais do que um imenso trabalho de pesquisa e prospecção de seus diretores, O Celuloide Secreto é um dos mais completos documentos sobre como o cinema americano, mais especificamente o hollywoodiano, tratou a homossexualidade ao longo dos anos. Dos pudores e da censura às mensagens cifradas e aos diálogos construídos cheios de sentidos figurados, o filme ajuda a apontar pioneiros, militantes e simpatizantes da causa LGBT. Um dos grandes momentos do longa é a entrevista de Gore Vidal, que conta como enganou Charlton Heston sobre a relação homossexual implícita que havia entre Ben-Hur e Messala, vivido por um consciente Stephen Boyd.

Febre de Primavera

38 Febre de Primavera
[Chun Feng Chen Zui De Ye Wan, Lou Ye, 2009]

Lou Ye é um herói da liberdade de expressão numa China em que temas proibidos não faltam. Depois de ser punido por fazer um filme sobre o massacre da Praça da Paz Celestial, ele desafiou novamente as autoridade com Febre de Primavera, em que um detetive contratado por uma mulher para espionar seu marido, que tem um amante, termina por se envolver sexualmente com ele. Enquanto filma as fortes cenas de sexo com uma ousadia quase explícita, o cineasta divide seu filme com poemas sobre amor, minimizando a barreira entre romance e sexo e naturalizando o comportamento dos personagens.

A Consequência

 A Consequência
[Die Konsequenz, Wolfgang Petersen, 1977]

A Consequência segue uma linhagem muito comum a uma literatura gay que denuncia o preconceito ao homossexual através do sofrimento de seus personagens. A diferença está na maneira como Wolfgang Petersen, um cineasta que construiria uma carreira voltada para temas bem masculinos em sua maioria, desenvolve a trama. O tom seco, realista e a fotografia em preto-e-branco deixam os acontecimentos na vida de Thomas, o jovem filho de um carcereiro que se apaixona por um prisioneiro, ainda mais cruéis. Ainda que o roteiro obedeça a um formato de melodrama trágico, o filme se baseia num livro autobiográfico do suíço Alexander Ziegler, que ficou preso por dois anos por “sedução de inocente levando a atos antinaturais”.

Um Dia Muito Especial

 Um Dia Muito Especial
[Una Giornata Particolare, Ettore Scola, 1977]

A visita de Hitler à Itália fascista é o cenário para que uma dona de casa reflita sobre preconceito e aceitação. Antonieta está cheia de tarefas domésticas e não acompanha o marido e o filho, que saem às ruas com uma multidão para comemorar a chegada do ditador alemão. Por acaso, esbarra no vizinho Gabriele, um homossexual que acabara de ser demitido da rádio onde era locutor por causa de sua orientação e está prestes a acabar com a própria vida. O encontro entre os dois desperta questionamentos que aquela mulher nunca se permitiu no meio de um regime opressor, machista e injusto que governa o país e sua própria casa.

  • Milk

 Milk
[Milk, Gus Van Sant, 2008]

O documentário Os Tempos de Harvey Milk já acompanhavam a trajetória deste que foi um dos mais importantes militantes da causa gay na história americana. O filme de Gus Van Sant dramatiza esses eventos, apoiado num conjunto impressionante de interpretações com destaque para a composição afetada de Sean Penn para o personagem principal. Biografia correta, sem muitos valores diferenciados, o poder de Milk está mesmo em radiografar o discurso e a importância de seu protagonista. Sem economizar no estereótipo, que caracterizava o homem que interpreta, Penn humaniza Milk e faz um elogio a seu comportamento.

Morrer como um Homem

 Morrer como um Homem
[Morrer como um Homem, João Pedro Rodrigues, 2009]

O drama de Morrer como um Homem está registrado no próprio título do filme. Tonia é uma travesti veterana, que se vê ameaçada pelas colegas mais novas, recebe a visita do filho que abandonou, descobre estar doente e é pressionada pelo namorado que quer que ela faça a cirurgia para mudar de sexo. A protagonista se vê acossada pelo mundo e em crise com sua fé, que a faz acreditar que sempre será um homem aos olhos de Deus. O dilema da personagem, o de sacrificar sua essência em prol do amor, a levará para uma espécie de floresta encantada onde as coisas podem se resolver definitivamente ou nao.

As Amizades Particulares

 As Amizades Particulares
[Les Amitiés Particulières, Jean Delannoy, 1964]

O amor entre Georges e Alexandre é inocente, mas não deixa de causar um certo desconforto em As Amizades Particulares, filme ousado de Jean Delannoy. O mal estar não tem a ver com o fato de que os dois são do mesmo sexo, mas porque enquanto um está no auge da puberdade, ensaiando a entrada na vida adulta, o outro tem apenas 12 anos e preserva suas feições de criança. O diretor sabe disso e explora esse incômodo o quanto pode mesmo que o filme nunca insinue que mais do que mostra. O maior aliado de Delannoy é o precoce Didier Haudepin, dono de uma interpretação impressionante, cujos traços femininos e a sagacidade no jogo de palavras explica o fascínio que exerce.

Infâmia

 Infâmia
[The Children’s Hour, William Wyler, 1961]

William Wyler adaptou uma mesma peça de conteúdo gay duas vezes. Em 1936, por causa da censura, foi obrigado a transformar uma das duas personagens femininas de Infâmia num homem. Em 1961, logo depois de destroçar bilheterias e levar 11 Oscars com Ben-Hur, resolveu levar a peça pro cinema de novo. Duas professoras são acusadas por uma estudante vingativa de terem um relacionamento, o que gera um escândalo. A história é mentirosa, mas uma delas realmente é apaixonada pela outra. A homossexualidade da personagem de Shirley McLaine é bem mais clara, embora haja bastante timidez em tocar o assunto.

  • Querelle
  •  Querelle
    [Querelle, Rainer Werner Fassbinder, 1982]
  • Rainer Werner Fassbinder é um dos autores gays mais prolíficos do teatro e do cinema, mas Querelle, sua obra final, seu filme de despedida, baseado no livro de Jean Genet, é o maior de seus devaneios. O marinheiro vivido por Brad Davis nos apresenta a um submundo onírico de comportamentos amorais, sexo livre e as cores fortes de um pôr-do-sol eterno. O universo surreal do filme parece tanto uma projeção das trajetórias mundano-sexuais de Fassbinder e Genet quanto a materialização de um exercício idealizado da libido, talvez o único possível para os autores. O filme é uma fantasia tão viril quanto contaminada por suas realidades.
  • You Are Not Alone
  • You Are Not Alone
    [Du er Ikke Alene, Ernst Johansen & Lasse Nielsen, 1978]
  • You Are Not Alone é um caso raro de um filme que sabe trafegar na linha tênue entre a pureza de um amor adolescente e a consciência de uma sensualidade inerente, sem parecer inocente demais ou despudorado em excesso. Os diretores confeccionam um romance colegial gay típico, mas não perdem muito tempo explicando como os personagens são discriminados por causa dele. Pelo contrário, o filme reage contra o pensamento reacionário, mas respeita a faixa etária e a formação intelectual de seus protagonistas – e o contexto de uma Suécia de pensamento mais livre no final dos anos 70. Tem um tempero que, ainda hoje, falta a muitos filmes teen gays.
  • Traídos pelo Desejo
  • Traídos pelo Desejo
    [The Crying Game, Neil Jordan, 1992]
  • Traídos pelo Desejo trata de uma transferência de afetos. Um integrante do IRA, vivido por Stephen Rea, assume o compromisso de cuidar da namorada de um homem que mantém como refém depois que ele morrer. O terrorista termina se envolvendo com a garota e desenvolve por ela um comportamento obsessivo até descobrir seu mais íntimo segredo. Por mais que este filme se estruture sobre o suspense, a descoberta final é menos importante do que as questões que o thriller levantou até ali: até onde vai o desejo? A partir de quando esse desejo vira amor? E esse amor seria capaz de se sobrepor aos limites de gênero?
  • Domingo Maldito
  •  Domingo Maldito
    [Sunday Bloody Sunday, John Schlesinger, 1971]
  • O inglês John Schlesinger tinha acabado de ganhar um dos mais ousados Oscars de melhor filme, com Perdidos na Noite, quando decidiu atravessar o Atlântico e voltar à pátria-mãe para desafiar os pudores de seus conterrâneos. Domingo Maldito mostra a história de um médico cinquentão e uma mulher recém-separada que dividem o mesmo amante na terra da rainha. Glenda Jackson e Peter Finch,ambos candidatos ao prêmio da Academia, trazem consistência para a trama, mas é ele quem mais se arrisca, estrelando um beijo gay em Murray Head, poucos anos depois do país derrubar a lei que considerava a homossexualidade como crime.
  • Vida Nua
  •  Vida Nua
    [The Naked Civil Servant, Jack Gold, 1965]
  • Trinta anos antes de Milk, Jack Gold já dirigia uma cinebiografia sobre um militante homossexual. Vida Nua conta a história de Quentin Crisp, um pioneiro da causa gay na Inglaterra, que, em plenos anos trinta, já circulava com maquiagem pelas ruas de Londres. Gold acerta ao emprestar ao filme, uma produção feita para a TV, o tom sarcástico de seu homenageado, que ganhou um intérprete brilhante na figura andrógina de John Hurt. O ator reprisaria o papel de Crisp 34 anos depois em Um Inglês em Nova York, uma continuação da trajetória do personagem bem menos bem resolvida que o filme original.
  • Cabaret
  •  Cabaret
    [Cabaret, Bob Fosse, 1972]
  • O Kit Kat Club é um espaço para excessos. Enquanto as sementes do nazismo crescem na Alemanha, a casa noturna é palco para o exercício da androginia, do escapismo e da futilidade. No meio dessa dicotomia entre a mensagem política e o mais completo entretenimento, Cabaret surge como uma das obras mais importantes na construção de um cinema que retrata o universo homossexual, aliás, um universo com o homossexual. Liza Minelli e Michael York se dividem entre a paixão um pelo outro e a paixão por um nobre alemão, assim como o filme faz seus extremos explodirem numa cena de tortura que é intercalada por trechos de um número musical.
  • Senhoritas de Uniforme
  •  Senhoritas de Uniforme
    [Mädchen in Uniform, Leontine Sagan & Carl Froelich, 2013]
  • A história do cinema nem sempre é exata, mas Senhoritas de Uniforme teria sido o primeiro filme de que se tem notícia a ter uma trama que não apenas aborda, mas simpatiza com o lesbianismo. O filme, adaptado de uma peça de teatro, se passa num internato para moças e não tem nenhum personagem masculino. Manuela é uma órfã que se apaixona perdidamente por uma das professoras, que, na cena mais famosa do filme, lhe dá um beijo de boa noite na boca. Leontine Sagan se aproveitou de um intervalo de liberdade numa Alemanha que abraçaria o nazismo (e proibiria o filme) pouco depois e o longa correu o mundo, ganhando prêmios, fazendo história e dando ideias.
  • Shortbus
  •  Shortbus
    [Shortbus, John Cameron Mitchell, 2006]
  • O sexo é o fio condutor de Shortbus. É ele que movimenta a história, apresenta os personagens e estabelece relações entre eles. John Cameron Mitchell monta um mosaico (sexual) que acompanha sete personagens numa Nova York do lado B. O cinema do diretor, embora possamos dizer que seja um cinema político, com público específico, não tem um alcance limitado. Muito pelo contrário. O discurso do personagem do ex-prefeito parte do específico para o universal. E é quando é universal (mesmo que seja num clube gay – ou uma versão revista e ampliada disso) que o filme de Mitchell funciona plenamente.
  • Minha Adorável Lavanderia
  • Minha Adorável Lavanderia
    [My Beautiful Laundrette, Stephen Frears, 1985]
  • A Minha Adorável Lavanderia do título deste filme de Stephen Frears serve, em maior ou menor grau, como um santuário ou uma zona neutra. Nela, os personagens conseguem, por alguns instantes, escapar da Inglaterra customizada pelo espírito reacionário implantado por Margaret Thatcher durante os anos 80. Quem cuida do estabelecimento é Omar, filho de imigrantes paquistaneses que namora Johnny, um punk de cabelos descoloridos. Eles são bem resolvidos em relação a sua orientação, menos quando isso envolve a família. Por isso, aquele lugar é tão simbólico para a relação dos dois. Ela é sua casa e seu universo, um universo onde eles podem se esconder dos pais, dos racistas, dos preconceitos e de sua certa Margaret.
  • Tatuagem
  • Tatuagem
    [Tatuagem, Hilton Lacerda, 2013]
  • A história do encontro entre Clécio e Fininha, um artista e um militar, é o ponto de partida para que Hilton Lacerda disserte sobre liberdade. A cena de sexo entre os protagonistas é belíssima: longa, coreografada como um balé, sensual e quase explícita. O cineasta explica sua revolução no texto de Irandhir Santos e em cada cena. As apresentações e os números musicais que concebe em riqueza de detalhes são transgressão pura e simples. O mais radical deles é uma “ode ao cu”, reverenciado como instrumento revolucionário máximo. Lacerda contrapõe militares e artistas, mas são esses que se assumem como soldados. Soldados da mudança.
  • Rosas Selvagens
  • Rosas Selvagens
    [Les Roseaux Sauvages, André Techiné, 1994]
  • Rosas Selvagens é o canto de André Techiné às transformações da adolescência. Parcialmente baseado nas memórias do diretor, o filme acompanha quatro jovens que enfrentam as dúvidas e expectativas do mundo adulto. Cada um com seus dilemas, desafiando o desconhecido e tentando afirmar sua personalidade a sua maneira. Um deles é François, que começa a exercer sua sexualidade, reprisada por códigos e regras. Seu fascínio pelo amigo Serge vai levar os dois para um exercício de intimidade que modificará para sempre a relação entre eles e sua visão de mundo. Gaël Morel e Stéphane Rideau, acompanhados pela ótima Élodie Bouchez, fazem valer cada cena.
  • Almas Gêmeas
  •  Almas Gêmeas
    [Heavenly Creatures, Peter Jackson, 1994]
  • O filme mais complexo de Peter Jackson não tem hobbits ou elfos, mas tem Orson Welles em O Terceiro Homem, na mesma fuga incessante que as protagonistas de Almas Gêmeas, Juliet e Pauline. A primeira, de uma intensidade quase insuportável, acaba de se mudar da Inglaterra para a Nova Zelândia, onde conhece a outra, que vive isolada e sem amigos. As duas se aproximam, se apaixonam e ficam insperáveis, precisando se refugiar dos problemas mundanos e da perseguição dos pais na ficção. Kate Winslet e Melanie Lynsky, ambas estreando no cinema, estão nos papéis de suas vidas.
  • Festim Diabólico
  •  Festim Diabólico
    [Rope, Alfred Hitchcock, 1948]
  • A homossexualidade nunca esteve tão evidente nos filmes de Alfred Hitchcock como em Festim Diabólico, sempre na base da sugestão. Brandon e Phillip matam um estudante pelo que parece ser um simples exercício de maldade, mas o que ele fazem a seguir gera interpretações ainda mais sombrias. Os dois colocam o corpo num baú que será utilizado como mesa numa festa. O ato dos amantes secretos poderia muito bem ser uma vingança contra o mundo que os aprisiona no anonimato. Uma provocação, uma pequena e mórbida revolução, um grito desesperado contra um status quo. Hitchcock pode ter sido um dos primeiros a levar o gay vilão para as telas, sem histrionismos e dentro de uma obra-prima.
  • O Criado
  •  O Criado
    [The Servant, Joseph Losey, 1963]
  • Joseph Losey transforma a inversão dos papeis entre um jovem rico que compra uma mansão e o mordomo que ele contrata para administrá-la numa reflexão alegórica sobre o embate de classes na Inglaterra. Mas, para além de uma fábula social, o diretor desenha um filme de forte conteúdo sexual, reprimido, reprisado, sempre confinado ao plano da sugestão. Em O Criado, Dirk Bogarde, homossexual assumido, interpreta um homem tão sedutor que transforma seu patrão em escravo sem que ele mesmo perceba. Somente quando sua noiva entra em cena é que o mordomo ganha um rival e parte para o ataque, confirmando todas as suspeitas de que o filme era não apenas sobre o jogo de poder.
  • Hedwig: Rock, Amor e Traição
  • Hedwig: Rock, Amor e Traição
    [Hedwig and the Angry Inch, John Cameron Mitchell, 2001]
  • Descendente direto das óperas rock, Hedwig – Rock, Amor e Traição, filme de estréia de John Cameron Mitchell, tem uma consistência impressionante. Hansel muda de sexo para que o namorado o leve embora da Alemanha para os Estados Unidos, onde ele sonha em se tornar um astro do rock, Hedwig. Adaptando sua própria peça, o cineasta sabe dar o tom exato a seu protagonista, tornando-o complexo e encantador. Ao mesmo tempo em que aborda temas sérios como o êxodo, o exercício da liberdade e a transexualidade, o longa reproduz a fórmula de filme de rock, com humor, sarcasmo e trilha sonora excepcional, com destaque para “Wig in a Box”.
  • Diferente dos Outros
  • Diferente dos Outros
    [Anders als die Andern, Richard Oswald, 1930]
  • Eis um caso em que o cinema tenta escrever a história, lançar discussões, ser pioneiro em temas espinhosos. Diferente dos Outros é um filme explicitamente homossexual. O diretor Richard Oswald, em parceria com o sexólogo Magnus Hirschfeld, tentou fazer um trabalho que ajudasse a combater a discriminação contra os gays, humanizando seus personagens, relativizando seus comportamentos, denunciando delatores e tentando trazer explicações científicas, as que se tinha à época, para embasar sua ideia de igualidade. Fez isso em 1919, numa Alemanha onde ser homossexual era crime, previsto em lei, e quando muitos homens eram chantageados por pessoas que ameaçavam delatá-las.
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  • Perdidos na Noite
  • Perdidos na Noite
    [Midnight Cowboy, John Schlesinger, 1969]
  • Nas entrelinhas de Perdidos na Noite está a possível homossexualidade de Joe, interpretado por Jon Voight, algo que nem ele mesmo, nem o filme assumem solidamente. A cena em que Joe tem um encontro furtivo com outro rapaz no banheiro de um cinema revela um trauma sexual que pode explicar tanto sua reação violenta (quando o jovem afirma que não tem dinheiro para pagar o programa) quanto o motivo para ele ter deixado sua cidade no interior. Em todo caso, Joe tem uma grande atração pelo submundo da noite na metrópole, onde há fartura de personagens e comportamentos gays. E há Ratso, que ama calado.
  • Garotos de Programa
  •  Garotos de Programa
    [My Own Private Idaho, Gus Van Sant, 1991]
  • Mike e Scott circulam pelas ruas de Portland e, entre golpes e aventuras em que vendem seus corpos, arrumam sustento e alimentam o sonho de partir numa jornada pelas estrada da América em busca de um lugar que possam transformar num lar. Em um de seus melhores filmes, Gus Van Sant misturou elementos de Henrique IV, de Shakespeare, e depoimentos de prostitutos reais para costurar uma história sobre memória e pertencimento. River Phoenix tem aqui a interpretação de sua vida, emprestando fragilidade e vigor a seu Mike, e Keanu Reeves também chama atenção num filme que não busca respostas rápidas até porque as questões que ele lança são complexas demais.
  • Um Estranho no Lago
  •  Um Estranho no Lago
    [L’Inconnu du Lac, Alain Guiraudie, 2013]
  • Alain Guiraudie consegue, a partir de um exercício de repetição, fazer uma das mais intensas investigações do desejo sexual que o cinema recente já produziu. Em Um Estranho no Lago, estamos diante de um filme de cenário único, as margens de um lago em alguma parte do interior da França, utilizadas pela população gay da região para fazer pegação. Guiraudie nos confina com aqueles homens naquela pequena faixa de terra, nas pedras e na mata ao redor. A cena final radicaliza a discussão sobre até onde vai o desejo (e talvez o amor). Ela não só valida todo o filme, como explica as motivações daqueles homens: as trilhas dentro das matas podem ser perigosas, mas são tudo o que eles têm.
  • Minha Vida em Cor-de-Rosa
  •  Minha Vida em Cor-de-Rosa
    [Ma Vie en Rose, Alain Berliner, 1997]
  • Ludovic é um garoto de 7 anos que tem apenas uma certeza na vida, a de que estaria prestes a se transformar numa menina. Diante de um destino tão empolgante quanto inevitável, Ludo não se priva de testar os modelitos que vai usar nessa nova fase para o choque dos vizinhos e o desespero dos pais. Conto singelo sobre o despertar da identidade sexual, Minha Vida em Cor-de-Rosa dá um recado importante com a ajuda de uma criança: o surgimento da transexualidade pode ser algo bem mais natural do que se imagina. Alain Berliner protege seu protagonista. Quando Ludo está cercado pela intolerância, o diretor o manda para o Mundo da Pam, um lugar mágico em que nosso pequeno herói, vivido pelo incrível George DuFresne, pode ser quem ele quiser.
  • Um Dia de Cão
  •  Um Dia de Cão
    [Dog Day Afternoon, Sidney Lumet, 1975]
  • Sonny é um macho de verdade, mas sua aparência viril e seu comportamento masculino escondem um homem apaixonado… por outro homem. Uma relação tão forte que motiva um ato desesperado: assaltar um banco para pagar a cirurgia de mudança de sexo do namorado. A homossexualidade do protagonista é o gatilho para Um Dia de Cão, mas o filme não se limita a ela. Sidney Lumet dirige a história, inspirada num caso real, com tanta naturalidade que não demora muito para que o espectador vire um cúmplice do personagem interpretado por um espetacular Al Pacino, que já era um astro que nunca dizia não há um desafio.
  • O Pecado de Todos Nós
  •  O Pecado de Todos Nós
    [Reflections in a Golden Eye, John Huston, 1967]
  • O ano era 1967 e Hollywood, embora tivesse seus pioneiros, ainda costumava arrastar a homossexualidade para as entrelinhas. Foi então que John Huston, Marlon Brando e Elizabeth Taylor, todos já amplamente reconhecidos e oscarizados, resolveram se unir num filme perturbador. Exemplo de virilidade na tela grande, Brando, numa de suas melhores performances, interpreta um oficial que subitamente se vê atraído por um soldado e desmorona em frente às câmeras. Sua mulher, que percebe o que está acontecendo, enlouquece tentando seduzi-lo mais uma vez. Como o livro em que foi baseado, O Pecado de Todos Nós apunhalou a América em suas maiores certezas.
  • Paris is Burning
  •  Paris is Burning
    [Paris is Burning, Jennie Livingston, 1990]
  • Paris is Burning é um documento histórico. Jennie Livingston captura o movimento vivo de uma cultura que já existia havia décadas no underground novaiorquino, o mundo dos concursos e o florescer do universo drag queen. A diretora mantém uma relação orgânica com seus entrevistados, que parecem muito à vontade em frente à câmera. Na verdade, a câmera parece muito mais um microfone disponível para que cada um solte seus demônios ou simplesmente conte sua história. As personagens são fascinantes: reais e fakes ao mesmo tempo, cheias de vida durante toda a duração do filme. Quem assiste RuPaul’s Drag Race vai descobrir de onde veio todo o arsenal de vocabulário, expressões e conceitos utilizados no reality show. Fundamental para entender e, mais ainda, para respeitar todo esse universo.
  • Morte em Veneza
  •  Morte em Veneza
    [Morte a Venezia, Luchino Visconti, 1971]
  • Tadzio é a personificação do belo e, em linhas gerais, Morte em Veneza, seja o livro de Thomas Mann, seja o filme de Luchino Visconti, é uma obra sobre o torpor da beleza, mas seria meio inocente ignorar o fortíssimo conteúdo gay na história do compositor que desenvolve uma compulsão obsessiva por um adolescente. Embora essa atração seja platônica e esteja além do sentimento carnal, a homossexualidade de Visconti, que a explorou em boa parte de seus filmes, e de Dirk Bogarde, escolhido para ser o protagonista deste aqui, são indícios de que o diretor tinha algo mais em mente. Não que o cineasta quisesse trazer a discussão dos temas do autor para planos mais carnais, talvez Visconti estivesse interessado em elevar o nível de ficção de gênero a que o homossexual geralmente é condenado.
  • Lado Selvagem
  •  Lado Selvagem
    [Wild Side, Sébastien Lifshitz, 2004]
  • Lado Selvagem é um filme meio sem par porque Sébastien Lifshitz vai muito além do retrato do “submundo” das travestis e da prostituição, encenado com respeito e sensibilidade, ou da discussão sobre os movimentos desse universo, que se repete em looping filme após filme. Ao diretor interessa mesmo é apresentar e dar relevo à família fora dos padrões formada pela transexual Stéphanie e por seus dois namorados, dedicando longos minutos a estabelecer os sentimentos que cada um tem pelo outro. É esta família que vai, unida, para o norte da França para cuidar da mãe de Stéphanie, que está prestes a morrer. Sem panfletagem, o longa não se intimida em lançar suas transgressões ao mesmo tempo em que faz um ode ao amor.
  • Priscilla, a Rainha do Deserto
  •  Priscilla, a Rainha do Deserto
    [Priscilla, Stephen Elliott, 1994]
  • É meio banal falar de filme definitivo, mas as drag queens ganharam algo bem parecido com isso em Priscilla, a Rainha do Deserto, um road movie gay em que o trio de protagonistas atravessa o deserto para fazer uma apresentação musical e se aventura numa jornada onde cada uma revê suas escolhas. Travestido de comédia escrachada, área em que é extremamente bem resolvido, o longa de Stephan Elliott oferece um olhar extremamente maduro sobre identidade sexual, algo bastante raro, sobretudo quando casado com o humor. Terence Stamp, Hugo Weaving e Guy Pearce desenvolvem suas personagens com sensibilidade, domando os estereótipos e se tornando complementares uns aos outros.
  • A Lei do Desejo
  •  A Lei do Desejo
    [La Ley del Deseo, Pedro Almodóvar, 1997]
  • Dos filmes da primeira fase, a mais crua, da carreira de Pedro Almodóvar, A Lei do Desejo talvez seja sua obra mais poderosa, um ensaio sobre amor e obsessão que assume a forma de thriller. A homossexualidade, presente em quase todos seus filmes de maneira periférica, passa para o centro da trama, que acompanha o envolvimento de um cineasta com um homem mais jovem. O espanhol ainda estava em mutação, mas embora antecipasse houvesse algo do refinamento de seus filmes da segunda metade dos anos 90, este ainda é um filme bruto, sem pudor em mostrar cenas de sexo gay bem próximas do explícito. Carmen Maura abre uma narrativa em paralelo ao interpretar um transexual recém-operado.
  • Felizes Juntos
  •  Felizes Juntos
    [Chun Gwong Cha Sit, Wong Kar-Wai, 1997]
  • A embalagem estética dos filmes de Wong Kar-Wai traduz muito do estado de espírito de seus personagens, além de celebrar a relação deles com o lugar onde vivem. Felizes Juntos é um filme sobre amor (ou o fim dele), rodado por um chinês na Argentina, por isso, a plástica visual e sonora do longa é uma das mais particulares na carreira do diretor. As cenas de sexo são filmadas com um imenso interesse no balé dos corpos, como se nesses momentos os personagens estivessem num outro plano, quase hipotético, numa espécie de plenitude do exercício da beleza. Em contraponto, o tango carrega a dor para todos os lados lembrando ao espectador da iminência da finitude.
  • Delicada Atração
  • Delicada Atração
    [Beautiful Thing, Hettie Mcdonald, 1996]
  • Hettie Mcdonald estreou no cinema com Delicada Atração para depois dedicar uma carreira inteira para a televisão. Sua única experiência para a tela grande é uma pérola sobre a descoberta do amor entre dois meninos, adolescentes ingleses que parecem saídos dos subúrbios dos filmes de Mike Leigh. A aproximação entre os dois é gradual e lenta, e a diretora administrada com uma delicadeza completamente espontânea. Glen Berry e Scott Neal descobrem seus personagens junto com o espectador. Estão ótimos, mas a mãe vivida por uma maravilhosa Linda Henry e a jovem viciada em Mama Cass, papel do furacão Tameka Empsen, roubam as cenas em que aparecem, menos a última, uma dos mais belos finais de filme dos últimos 20 anos .
  • Meu Passado me Condena
  • Meu Passado me Condena
    [Victim, Basil Dearden, 1961]
  • Dirk Bogarde é definitivamente o grande herói gay do cinema. Em Meu Passado me Condena, ele aceitou o papel, recusado por vários atores, do advogado de sucesso, casado, que resolve investigar as chantagens feitas a homossexuais na Inglaterra, onde manter relações com alguém do mesmo sexo era crime. O conflito vem do fato de que ele mesmo era homossexual. Esta, por sinal, foi a primeira vez que um filme em língua inglesa utiliza a palavra. Basil Dearden construiu o filme como um thriller psicológico, tenso, que culmina na fortíssima cena do outing do protagonista para a esposa. Seis anos depois do filme a homossexualidade foi finalmente descriminalizada na Inglaterra.
  • O Segredo de Brokeback Mountain
  •  O Segredo de Brokeback Mountain
    [Brokeback Mountain, Ang Lee, 2005]
  • Nenhum filme com temática homossexual conseguiu mais do que O Segredo de Brokeback Mountain. E isso aconteceu porque, embora pareça ser um filme sobre a história de amor entre entre dois caubóis, esta poderosa obra de Ang Lee é a história de um amor proibido, condenado ao segredo, ao microverso, à miniatura. Mas o filme retrata muito mais uma luta íntima contra as próprias lim itações do que uma batalha contra fronteiras impostas pelos outros. Nesse sentido, é muito inteligente a contraposição das personagens, que mesmo diferentes (e é essa diferença que justifica todo o filme) não se encaixam nas figuras estereotipadas tão caras a histórias afins. A trilha sonora é um metáfora perfeita do filme. A melodia criada por Gustavo Santaolalla, (que também já trabalhou com Marisa Monte!!!,-) é interrompida sempre que alcança seus momentos mais bonitos. Os cortes são abruptos, secos, como se fosse proibido continuar a fruir a música…lindo, lembro que tive um namorado que não aceitava muito bem nossa relação e que vivia se condenando intimamente por isso, mais ou menos na época do lançamento do filme, convidei o para assistirmos o filme juntos sem que ele soubesse que se tratava de uma temática homoafetiva, ele achou que fosse um faroeste qualquer gênero que ele adora, enfim, quando o filme começou a rolar e ele percebeu do que se tratava ele entrou em estado hipnótico durante toda a sessão, quando chegamos em casa, eu que tinha evitado fazer comentários muito profundos sobre o filme, resolvi perguntar já na cama na hora de dormir o que ele tinha achado do filme enquanto brincava com os pequenos tufos de pelos que começavam a nascer no peito dele, ele fumando um cigarro no melhor estilo “foi bom pra vc” disse: “porra, tô de cara com aquele bicho do filme…será que ele não entendeu que aquele outro cara é que era o amor da vida dele?”. concordamos e dormimos feito dois anjinhos de conchinha…mas…apesar da própria conclusão dele, algum tempo depois ele voltou pra sua vidinha de hétero convicto que incluía até uma namorada adolescente como ele grávida de um segundo filho dele…e eu? bem, eu continuei na vida até encontrar o verdadeiro amor da minha vida que mesmo depois de 8 anos de relação ainda tem a insegurança sobre se é essa vida mesmo que ele quer levar, se eu o apresentei a “Brokeback Montain”? não, ele só vê filme tipo: Velozes e furiosos…kkkk!!!,-) #LoveUBB

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