…Terror Que Mata (1956!!!,-) #CINEClubPRIVE

Primeira obra da lendária produtora cinematográfica inglesa Hammer a conseguir projeção internacional, trata-se de um clássico da ficção científica envolvendo alienígenas hostis!
Título Original: The Quatermass Xperiment
Ano: 1956 • País: INGLATERRA
Direção: Val Guest
Roteiro: Richard H. Landau, Val Guest
Produção: Anthony Hinds, Robert L. Lippert
Elenco: Brian Donlevy, Jack Warner, Margia Dean, David Kin-Wood, Richard Wordsworth

A lendária produtora e companhia cinematográfica Hammer dispensa qualquer apresentação, nos meus círculos abituées entretanto, embora tenha se especializado em filmes de horror, com Dráculas e Frankensteins alternativos e coloridos que se consagraram clássicos nas peles de grandes atores como Vincent Price e Peter Cushing, só pra ser breve, o que poucos sabem é que o mítico estúdio foi “alavancado” por uma produção de ficção científica. O Filme em questão,Terror que Mata (The Quatermass Xperiment ou The Creeping Unknown, nos Estados Unidos!!!,-), foi a primeira obra da produtora a conseguir projeção internacional. Fotografado em preto-e-branco, Terror que Mata é um derivado de uma série homônima exibida na televisão britânica em seis episódios no ano de 1953, que qualquer dia posto no you tube no meu canal.

Na trama, o cientista Bernard Quatermass é o responsável pelo lançamento do primeiro foguete tripulado a atingir o espaço (vale lembrar que nesta época, o homem ainda não havia pousado na Lua, tudo era apenas um projeto!!!,-). Porém, quando a nave retorna a Terra, dois dos três astronautas que formavam a tripulação desapareceram, e o único sobrevivente, Victor Carroon, parece seriamente afetado. Quatermass e a polícia britânica investigam o incidente, enquanto o sobrevivente começa a sofrer terríveis mutações, lentamente sucumbindo ao poderoso parasita alienígena que domina o seu corpo.
Terror que Mata, assim como seus contemporâneos A Mosca da Cabeça Branca (The Fly, 1958!!!,-),Vampiros de Almas (The Invasion of Body Snatchers, 1956!!!,-) e Força Diabólica (The Tingler, 1959!!!,-), segue a linha clássica das produções sci-fi que marcaram os anos 50: um amálgama trash entre o horror e a ficção. A série que originou o filme, produzida e exibida três anos antes pela rede de televisão britânica BBC, havia sido um grande sucesso, marcando época e definindo os moldes a serem seguidos pelas produções semelhantes que seriam realizadas nas próximas décadas, e influenciando até hoje produções do genêro.Nigel Kneale, roteirista criador do personagem Bernard Quatermass, não aprovou a adaptação da série para o cinema, disparando críticas pesadas sobre o desempenho do ator Brian Donlevy(marido de Lillian Lugosi, viúva gulosa e influente de Bela “Drácula” Lugosi!!!,-) na interpretação pouco carismática de seu personagem, como gostava de justificar, mas dizem que era rejeição, que Brian, um alpinista carreirista o havia esnobado, preferindo a rica e influente viúva Lugosi que o manteve no papel independente dos protestos do roteirista. Mas desavenças a parte, O Experimento Quatermass (tradução literal do título, bem mais feliz e interessante do que a escolha das distribuidoras luso brasileiras!!!,-), foi grande sucesso de público no Reino Unido e na América, tornando o “Martelo” conhecido em todo o mundo. Resultado, cofres cheios para a Hammer e portas abertas para a produção dos filmes de Horror que imortalizariam a produtora. A própria rede de televisão BBC embarcou no êxito comercial do filme, produzindo no mesmo ano uma nova minissérie, chamada Quatermass 2. Dois anos depois, em 1957, a Hammer lançou uma sequência para Terror que Mata, o ótimo Quatermass 2, com roteiro e argumento do já parceiro e conformado Kneale. Uma minissérie em seis episódios, também da BBC, chamada The Quatermass and the Pit foi exibida entre 1958 e 1959, no Reino Unido, sendo transportada para o cinema em 1967, pela própria Hammer (conhecida como Um Túmulo para a Eternidade, no Brasil). Em 1979, uma nova minissérie refilmagem da original, conhecida como Quatermass IV foi lançada pela pouco conhecida produtora britânica Euston Films. Em 2005, um ano antes da morte do roteirista Nigel Kneale, aBBC prestou uma grande homenagem à série: o projeto Quatermass Experiment, uma refilmagem apresentada ao vivo dos estúdios da emissora.

Recapitulando e contabilizando: foram três filmes produzidos pela Hammer, quatro minisséries e uma “apresentação” ao vivo, fechando o ciclo (pelo menos até agora), desta que é uma das mais importantes séries de ficção científica de todos os tempos.

Terror que Mata tem na direção o convencional, mas competente Val Guest, que tem no seu “pequeno” currículo, mais de cinquenta longas, entre eles: O Abominável Homem das Neves(The Abominable Snowman, 1957, com Peter Cushing no elenco!!!,-), o também sci-fi O Dia em que a Terra Pegou Fogo (The Day the Earth Caught Fire, 1962!!!,-) e o célebre longa não oficial de James Bond Cassino Royale (Casino Royale, com Peter Sellers, 1967!!!,-).

Terror Que Mata (1956)

Infelizmente, em 1956, a Hammer ainda não contava com os astros Peter CushingChristopher Lee em seu casting, parceiros habituais nos grandes sucessos da produtora. EmTerror que Mata, o elenco desconhecido tem um desempenho apático e passa despercebido. Poderíamos destacar o ator Richard Wordsworth interpretando o astronauta sobrevivente Victor Carroon. Embora pronuncie apenas uma frase durante todo o filme (“- Help me…”), seu aspecto maltrapilho e catequético torna o personagem realmente assustador.

A Trilha sonora composta pelo colaborador frequente da Hammer, James Bernard, é muito mal aproveitada. A composição principal é forte e carregada de suspense, mas fica em evidência apenas nos créditos iniciais e finais. O roteiro, de Nigel Kneale, reserva poucas surpresas e desenvolve muito mal o personagem Quatermass; partindo do princípio que nada sabemos dele. Agora, como entender um filme com tantas limitações tornar-se um sucesso internacional e um inquestionável clássico do gênero?

Para responder a questão anterior somos obrigados a retornar ao contexto histórico da época em que foi lançado Terror que Mata. No ano de 1956, em plena corrida espacial, os Estados Unidos e a União Soviética disputavam quem seriam os pioneiros na exploração espacial. Os russos sairiam na frente, colocando em órbita o primeiro satélite artificial da história, o Sputnik 1, em 1957. Uma semana depois mandariam pro espaço (literalmente) a cadela Laika, no Sputnik 2. Quatro anos depois, em 1961, a “espaçonave” Vostok 1 colocaria o primeiro humano ao espaço, o cosmonauta russo Iuri Gagarin. Mas em 1969, os americanos deram o xeque-mate, enviando a nave Apollo 11 até a Lua.

Não apenas a corrida espacial estimulava o imaginário popular e aumentava o interesse por filmes do gênero, mas também os milhares de supostos avistamentos de OVNIS (sendo o episódio mais famoso o Caso Roswell, de 1947). Aí estava a fórmula: novidades tecnológicas, viagens espaciais e invasões alienígenas. Daí para seres humanos virando vegetais era um passo. Para nossa satisfação, o período foi extremamente fértil para o gênero chamado hoje de Sci-fi.

Quando a Ficção Científica e o Horror se encontram

Embora gêneros distintos, a ficção científica e o horror são partes de um gênero maior, chamado Fantástico (tanto na literatura quanto no cinema). E ambos apresentam traços comuns, como explorar o desconhecido e o imaginário humano. Enquanto a ficção trabalha as possibilidades da ciência, o horror trabalha o medo e o psicológico do ser humano.

E a fusão entre os dois gêneros sempre rendeu obras interessantes, das quais muitas se tornaram verdadeiros clássicos. Os dois maiores exemplares atuais da junção entre sci-fi e o terror são as séries Alien e Predador, que juntas somam seis longas: Alien, o Oitavo Passageiro(1979), Aliens, o Resgate (1986), Alien 3 (1992), Alien, a Ressurreição (1997), O Predador(1987), O Predador 2: A Caçada Continua (1990) e Predadores (2010); dois cross-overs: Alien vs Predador (2004) e Alien vs Predador 2 – Requiém (2007). Outra série contemporânea de relativo sucesso é A Experiência (1995). Protagonizado pela bela Natasha Henstridge, a trama do longa, que rendeu ainda duas sequências: A Experiência 2 – A Mutação (1998) e A Experiência 3 (2004), narra a trajetória e a perseguição a um ser híbrido alienígena que escapa de um laboratório e deseja proliferar sua espécie, consequentemente eliminando a raça humana (enredo muito parecida com o de Terror que Mata).

Mas foi mesmo entre as décadas de 50 e 70 que o cinema chamado B se alimentou da fórmula e consagrou diversos clássicos como: Vampiro de Almas (1956), de Don Siegel, onde os seres humanos são substituídos por aliens saídos de vagens gigantes; O Monstro do Ártico (The Thing from Another World, 1951), de Howard Hawks, refilmado por John Carpenter trinta anos depois como Enigma de Outro Mundo ou A Mosca da Cabeça Branca (The Fly, 1958), cujo remake foi dirigido por David Cronemberg em 1986. Além de divertidas e nostálgicas, são obras de valor histórico que influenciaram diretamente produções mais modernas, mas que infelizmente permanecem inéditas ou não tiveram edições à altura no Brasil, deixando uma lacuna na história dos filmes B trash dos anos 50, que podem ser tão, quanto e/ou mais divertidos que muito blackbuster contemporâneo lançado por aí!!!,-) #ADOGO

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