100% de diversão garantida para quem é fã de Besson!!!,-) #IM #LUCY

  

  • Lucy passa a compreender e manipular o mundo à medida que potencializa seu cérebro

    Lucy passa a compreender e manipular o mundo à medida que potencializa seu cérebro
    Créditos: Divulgação

  • Amr Waked interpreta o policial que ajuda Lucy

    Amr Waked interpreta o policial que ajuda Lucy
    Créditos: Divulgação

  • Scarlett Johansson combate um esquema de tráfico do qual foi vítima

    Scarlett Johansson combate um esquema de tráfico do qual foi vítima

Até onde a consciência humana poderia evoluir? O que é ser humano? O que é existir num universo que mal compreendemos? O novo filme-provocação de Luc Besson, “Lucy”, mergulha em discussões polêmicas e metafísicas, mas não perde o foco da ação e garante entretenimento para o grande público.

Besson vem sendo criticado por escolher uma teoria não-comprovada (e há muito tempo desconsiderada) para guiar sua aventura: a de que o ser humano usaria apenas 10% de sua capacidade cerebral. Não usa: tecnicamente, utilizamos pequenas porções do cérebro a cada atividade, mas, ao longo de um dia, acessamos 100% de nossa massa cinzenta, ou algo muito próximo disso.

A intenção do diretor era mesmo a de polemizar. Em entrevista à revista Vulture, ele afirma que trabalhou no filme por nove anos e sabe muito bem que a teoria não é real – mas diz que a explora metaforicamente. Para encerrar a discussão, assume que quis misturar informações verdadeiras e falsas numa história verossímil, criando assim uma ficção autêntica para o cinema.

Sua história, de fato, é bem contada e não soa forçada como outras tentativas recentes de abordar os mesmos temas (lembram-se de Transcendence?). Lucy (Scarlett Johansson, num papel bem menos “super-heroína” do que o trailer faz crer) é uma estudante americana em Taiwan, que se envolveu com o homem errado numa festa. Numa cena que antecipa a tensão que ela viverá até o final do filme, ele a obriga a entregar uma maleta a um traficante chamado Jang (Min-Sik Choi, da versão original de Oldboy).

Capturada, ela tem um pacote de drogas escondido cirurgicamente em seu abdomen e, junto com outras três “mulas”, deverá viajar para entregar a encomenda ao mercado europeu. Antes de chegar ao avião, porém, é agredida e o pacote se rompe dentro de seu corpo. A droga, feita a partir de uma substância produzida na gestação, libera uma quantidade enorme de energia e estimula o cérebro. Na quantidade ingerida por Lucy, o efeito é ativar toda aquela área obscura da inteligência.

O longa é organizado por porcentagens de evolução: as primeiras, 10 e 20%, são apresentadas pelo pesquisador Norman (Morgan Freeman) durante uma palestra sobre o potencial do cérebro. As seguintes, rumo aos 100%, acompanham as descobertas de Lucy. O filme vai e vém, mesclando a ação do presente com imagens sugestivas da selva ou da pré-história, indicando desde o início que o tempo será um conceito crucial no desenvolvimento da trama.

Lucy evolui na direção de ficções científicas como “O Fim da Infância” (Arthur C. Clarke) ou “Ghost In The Shell” (Mamoru Oshii), mas mesmo quem não quiser ir tão longe se divertirá com a linha proposta por Besson: ao utilizar mais o cérebro, primeiro o homem controlaria seu próprio metabolismo; depois, os dos outros; então começaria a controlar a matéria; e, finalmente, o tempo. Vale notar, porém, que o “controle”, no filme, é quase sinônimo de conhecimento. Quanto mais Lucy compreende as células e o universo, mais ela pode manipulá-lo.

 

Não é coincidência que a sequência final se passe numa universidade, com prateleiras e mais prateleiras de livros como pano de fundo para toda a ação. A mensagem é clara: o conhecimento é precioso e evoluir é compreender a si mesmo e aos outros.

Apesar da carga filosófica, o thriller de Besson não poupa munição e mata bandidos e inocentes com a mesma serenidade. Lucy pode se justificar: ela parece perder a compaixão à medida que se transforma nessa máquina sobre-humana e onisciente. Mas o roteiro tem, sim, suas falhas e a violência gratuita é uma delas.

A explicação só pode estar na vontade de Besson de agradar a gregos e troianos: há recheio para quem quer pensar e há a casca hollywoodiana para quem quer se divertir. Surpreendentemente, o resultado é positivo e os dois lados se equilibram bem. O cinema estava precisando disso.

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